Curitiba vista por drones | Jornal Plural
11 mar 2019 - 9h57

Curitiba vista por drones

Exposição no Solar do Barão mostra 29 fotos da cidade feitas por Guilherme Pupo

Guilherme Pupo gosta de ver Curitiba de cima. Desde criança, quando morava no 11.º andar, pegou gosto por fazer fotos da cidade desse jeito. Hoje, virou profissão: fotógrafo há quase duas décadas, ele se especializou em imagens feitas com drones.

Uma exposição no Solar do Barão mostra 29 das imagens que ele fez assim. O Plural publica abaixo uma breve entrevista com o fotógrafo e, claro, algumas imagens que fazem parte da mostra.

Tua origem é no jornalismo de texto. Por que a migração para a foto?
A fotografia esteve no meu dia a dia desde a infância porque meu pai gostava muito de fotografar (ele é engenheiro mas a fotografia era seu hobby), e acabei herdando dele a minha primeira câmera (uma Pentax ME com uma lente 50mm e uma 70-200mm) e a paixão pelas imagens.

Me formei em jornalismo na UFPR e passei a maior parte do curso como monitor do laboratório fotográfico. Em casa, o lavabo virou laboratório; e sempre levei minha câmera comigo fotografando os amigos, os eventos, bandas de rock dos amigos (como a Woyzeck, nos anos 90), peças de teatro (como a Baal Babilônia – 1993, primeira produção da Sutil Companhia, de Felipe Hirsch e Guilherme Weber), além das viagens a passeio.

Na metade da faculdade consegui meu primeiro emprego como repórter de jornal (no Indústria & Comercio), depois fui para a Folha de Londrina e para a Comunicação Social da Prefeitura de Curitiba. Em 2001 fui para Nova Iorque fazer um curso de yoga (pratico desde 1998), mas acabei passando mais tempo fotografando as ruas da cidade, do chão e do alto dos prédios – inclusive do mirante do World Trade Center, um mês antes dos atentados às torres gêmeas. E voltei de lá com minha primeira exposição fotográfica e a decisão de focar no fotojornalismo.

Por que a paixão por ver a cidade de cima?
Comecei a fotografar quando morava com meus pais no 11º andar de um prédio no Bigorrilho, com vista para a região central de Curitiba, então minhas primeiras fotos já tinham essa perspectiva “aérea”, com a vista do alto da cidade.

Uma lembrança que surgiu a partir de uma conversa com o José Carlos Fernandes (nossa amizade começou na Federal, somos colegas de faculdade) é de quando eu era criança e gostava de brincar com uma câmera Rolleiflex do meu pai. Achava muito curioso olhar o visor que ficava em cima da câmera e não atrás, e que mostrava para o fotógrafo a imagem invertida. E observando algumas fotografias que faço hoje, percebo exatamente o mesmo olhar que eu tinha com a Rolleiflex: a ótica superior e os enquadramentos – as sombras de pessoas, os prédios – invertidos.

Nas minhas fotografias de viagens, desde sempre são comuns as imagens do alto de prédios ou torres. E geralmente com a câmera apontada para baixo, não para o horizonte. A partir de 2013, fiz minhas primeiras fotos com helicóptero, e o drone veio há 2 anos, principalmente pela praticidade aliada à tecnologia – hoje consigo produzir imagens com drone com a mesma qualidade de uma câmera profissional.

Qual equipamento você usa hoje? Precisou de alguma habilitação?
Hoje utilizo os drones Phantom 4 Pro e Mavic 2 Pro, que são relativamente pequenos mas contam com uma boa resolução, tanto para fotos como vídeos. Fiz alguns cursos mas o aprendizado acontece a cada voo e na troca de experiências com colegas fotógrafos e pilotos. Para operar um drone de até 25 quilos não precisa de habilitação, mas de cadastro no site da Anac (Agência Nacional de Aviação) e autorização de cada voo. É importante lembrar que o drone é, em primeiro lugar, uma aeronave não-tripulada, e por isso é imprescindível ter bom senso na hora de planejar um voo, respeitando as regras vigentes em cada local (há vários países em que os drones são proibidos ou muito restritos).

Serviço:
Exposição Curitiba Aérea – Lírica Urbana, do fotógrafo Guilherme Pupo
Onde: Museu da Fotografia (Solar do Barão)
Quando: de 27 de fevereiro a 26 de maio de 2019
Horário de funcionamento: das 9h às 12h e 14h às 18h (terça a sexta-feira) e das 12h às 18h (sábado e domingo)
Endereço: Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533, Solar do Barão – Centro
Entrada franca

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