A espanhola Acciona, multinacional que atua na área de infraestrutura e tem um contrato no valor de mais de R$ 2 bilhões com a Sanepar, está sendo investigada por autoridades da Espanha, suspeita de pagar 620 mil euros em propina para dirigentes do Partido Socialista Espanhol, a fim de beneficiar o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos. A informação foi publicada nesta sexta-feira (13) pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
A Acciona foi a vencedora do lote 2 do programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs) da Sanepar para elevar a cobertura com a rede de coleta a 90% em todas as cidades até 2033. Segundo o governo do Paraná, a empresa opera a rede em 48 municípios do interior do estado. Em São Paulo, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem um contrato no valor de R$ 19 bilhões com a empreiteira espanhola, responsável pelas obras da Linha 6-Laranja do Metrô da capital paulista.
Em nota enviada à coluna de Lauro Jardim, a empresa informou que Fernando Agustín Merino Vera, ex-funcionário citado nas investigações das autoridades espanholas, foi demitido no dia 12 de abril de 2021. A empresa disse ainda que abriu uma investigação interna e declarou que há compromissos formais com ética e conformidade, auditados regularmente, em todos os consórcios dos quais participa.
PPP
Três lotes do PPP da Sanepar foram arrematados em setembro do ano passado. O Lote 1, que inclui 36 cidades no Centro-Leste do estado, foi arrematado pela Saneamento Consultoria, com previsão de investimentos de R$ 935 milhões e R$ 758 milhões em operações. O Lote 3, com 28 cidades das regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul. foi arrematado pela Iguá Saneamento, com investimento de R$ 684 milhões, e R$ 904 milhões para a operação. A previsão para o Lote 2, vencido pela Acciona, tinha previsão de R$ 1,29 bilhão em investimentos e R$ 1,49 bilhão em operações.
Esgoto e pedágio
No Brasil desde 1996, a Acciona atuou como concessionária de 200 quilômetros da rodovia BR-393 (Rodovia do Aço), na divisa entre Rio de Janeiro e Minas Gerais, entre 2008 e 2018. O contrato tinha validade de 25 anos, mas em abril de 2018 a empresa protocolou na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) um pedido de devolução amigável da concessão. A multinacional atuou ainda na construção do Terminal 2 do Porto do Açu (RJ) e na área de saneamento e esgoto em Minas Gerais, em Pernambuco e no Rio de Janeiro.