Um jovem indígena de 23 anos foi encontrado decapitado no município de Guaíra, no Noroeste do Paraná, neste sábado (12). Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, ao lado do corpo foi encontrada uma carta com "graves ameaças às comunidades indígenas e à Força Nacional de Segurança Pública".
Everton Lopes Rodrigues era filho do cacique Bernardo Rodrigues Diegro, da Aldeia Yvyju Avary. Os indígenas da etnia Ava Guarani têm sido atacados por fazendeiros devido a um conflito agrário na região. Depois de perderem suas terras para o lago de Itaipu, os indígenas que tradicionalmente habitavam a área nunca foram indenizados, e passaram a ocupar terras para protestar contra a situação.
Em dezembro de 2023, indígenas da região foram alvo de um ataque violento que incluiu tiros, rojões e um incêndio. Na época, os indígenas, sitiados pelos agressores, correram e se esconderam na mata, mas perderam casas e pertences deixados para trás, que foram queimados.
O governador Ratinho Jr. (PSD) tem tomado partido dos fazendeiros, e pede que o governo federal remova à força os indígenas da área. O governo do Paraná também foi à Justiça pedir autorização para fazer a remoção - por lei, o despejo de indígenas só pode ser feito por ação do governo federal.
A Polícia Federal está trabalhando em parceria com a Polícia Civil para encontrar os assassinos de Everton. Até o momento, não há informações de presos ou suspeitos.
Leia a nota do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) manifesta profunda preocupação com o bárbaro assassinato de um jovem indígena de 23 anos, filho do cacique da Aldeia Yvyju Avary, no município de Guaíra (PR). O corpo foi encontrado decapitado junto a uma carta com graves ameaças às comunidades indígenas e à Força Nacional de Segurança Pública.
Desde as primeiras horas, o MDHC acompanha o caso por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), em articulação com autoridades locais e federais, a fim de assegurar a proteção das lideranças e das comunidades ameaçadas, bem como acompanhar as investigações para que este crime não permaneça impune. No Paraná, o PPDDH acompanha 19 lideranças Ava Guarani.
Reiteramos nosso compromisso em defender a vida, a dignidade e os direitos dos povos indígenas, certos de que nenhuma ameaça silenciará a luta ancestral por justiça e território