Nesta sexta-feira (19) o Brasil venceu o Haiti por 3x0 na Copa do Mundo, mas antes disso teve bola rolando no campo do Operário Pilarzinho, em Curitiba. Haitianos e brasileiros participaram de um jogo celebrativo organizado pela Associação para a Solidariedade dos Haitianos no Brasil (Ashbra) e o mandato do deputado estadual Goura.
Dentro de campo, mulheres e homens das duas nacionalidades jogaram uma partida comemorativa como ‘esquenta’ para o jogo da Copa. O jogo teve o objetivo de confraternizar e fortalecer o laço entre as comunidades. “Para além do futebol temos que pensar que todos somos imigrantes e que é preciso ter políticas que recebam, acolham e permitam que as pessoas tenham vida digna”, disse o deputado Goura.
Já a coordenadora da Ashbra agradeceu a presença de brasileiros no evento e disse que estava com o coração dividido para a partida que aconteceria na sequência. “Eu vou torcer para os dois (risos). Mas para nós é um momento especial, o Brasil é nossa casa também e agradecemos muito poder ter esse momento de ver o Haiti na Copa, depois de mais de 50 anos e também confraternizar”, destacou Laurette Bernardi Louis.

Durante o jogo, representantes de várias organizações entraram em campo, incluindo times amadores de Curitiba, como as Fogueteiras. Uma das atletas do time, a historiadora Fernanda Haag, explicou que além do esporte, o futebol também permite a integração entre os povos. “O futebol é um espaço de sociabilidade, espaço de congraçamento, das torcidas torcerem juntas, o futebol é sobre afeto, torcer é afeto e estabelecer vínculos e esta é a grande magia do futebol”.
Ela lembrou também que o Brasil sedia a Copa do Mundo Feminina no ano que vem. “A modalidade já vem crescendo nos últimos anos e a Copa é uma oportunidade de estruturar com mais atenção e a Copa traz essa oportunidade, as sedes são ótimas e vai ser esse momento de sociabilidade, de mostrar a potência do futebol de mulheres, porque o futebol também é este espaço para abrir portas”.
Emoção
Quando a partida no Operário Pilarzinho acabou, foi servida a Soup Jomou, prato que é patrimônio imaterial do Haiti e símbolo da revolução haitiana. Além de relembrar a culinária do país, haitianos também se emocionaram durante a execução do hino nacional, e ouviram ainda o cônsul do Haiti no Brasil, Jean-Euphèle Milcé, que acompanhou a partida.
Segundo dados do Governo Federal, quase 200 mil haitianos vivem no Brasil, uma das comunidades estrangeiras mais volumosas do país.
O Haiti enfrenta o Marrocos pela última rodada da primeira fase da Copa do Mundo, na quarta-feira (24). No mesmo dia o Brasil encara a Escócia.
