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Em Curitiba, governadores de direita pregam “união” e não comentam ataques da família Bolsonaro

Três pré-candidatos à Presidência participaram de conferência do Consórcio de Integração Sul e Sudeste na manhã desta terça-feira (19)

Em Curitiba, governadores de direita pregam “união” e não comentam ataques da família Bolsonaro
Governadores em coletiva na manhã desta terça-feira (19). Foto: Tami Taketani/Plural
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Cada vez mais afastados de Jair Bolsonaro (PL), governadores de direita que se colocam como possíveis candidatos à Presidência em 2026 pregaram “união” na manhã desta terça-feira (19) em Curitiba, onde participaram da abertura da 13ª edição do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), no Teatro Guaíra. Eles não comentaram a recente declaração de Carlos Bolsonaro, filho ex-presidente, que chamou os governadores de direita de “ratos” e “covardes” por não defenderem seu pai.

Participaram abertura do encontro os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD); do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); e a vice-governadora de Santa Catarina, Marilisa Boehm (PL), representando o governador Jorginho Mello (PL); além do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth  (PSD), que representou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Pelo menos três deles têm pretensões de disputar a Presidência: Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Romeu Zema. Tarcísio de Freitas, visto como favorito para ocupar a vaga deixada por Jair Bolsonaro, não compareceu. O quinto pré-candidato da direita é Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, que não faz parte do Cosud.

A abertura do encontro foi dentro da Conferência da Mata Atlântica e em seus discursos os governadores e vices focaram em ações de preservação e desenvolvimento sustentável, mas não deixaram o tom político de lado. O primeiro a pedir união e “fim da polarização” foi o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande - que não apoiou Bolsonaro e se reelegeu ao derrotar o bolsonarista Carlos Manato (PL) em 2022. 

Em sua fala, Eduardo Leite também tentou afastar a “polarização”. “O ar que um lado respira é o mesmo que outro respira, a água que um lado bebe é a mesma que o outro lado bebe”, disse o governador do Rio Grande do Sul. “O que é todos nós deve ser fator de união, que pode nos ajudar, a partir da compreensão de que esse planeta é de todos nós, mostrar um caminho. Com essa compreensão nós podemos, em todas as instâncias e na política, que é importante e possível respeitarmos as nossas diferenças”.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também pregou união e disse que a crise climática não escolhe lados, mas não deixou de criticar o governo de Lula (PT), dizendo que “há dois anos e meio vivemos em um país estagnado”. “Essa não é uma pauta de direita, de esquerda ou de centro. Não é uma água que seja partido a partido A, B ou C. Quando a crise vem, quando a chuva vem, ela não escolhe por ser de direita ou de esquerda, ela atinge a todos”, disse. “Não queremos ser melhores, mas somos estados que perfazem 56% da população, 70% do PIB e quase 80% da arrecadação federal”.

Após coletiva dada depois da cerimônia, os governadores não comentaram os ataques que vêm sendo feitos pelos filhos de Bolsonaro. No domingo, Carlos Bolsonaro postou em uma rede social que os bolsonaristas vêm sendo “torturados” e que “os tais ‘direitistas’ se calam. Não colocam, de forma espontânea, a destruição dos direitos humanos em pauta que transformam o Brasil numa Venezuela cristalinamente. Estão preocupados apenas com seus projetos pessoais e com o que o mercado manda”, acusou Carlos Bolsonaro.

Vereador no Rio, o filho mais velho de Jair Bolsonaro ainda prosseguiu  disse que a atitude dos governadores de direita é “oportunista e canalha”. “Fingem que vão resolver algo, falam em indulto para os perseguidos da falsa ‘trama golpista’, mas depois se escondem atrás da ‘prudência e sofisticação técnica”, lavam as mãos e seguem seus governos como se nada tivesse acontecido. Alegam ter feito sua parte, mas não passam de cúmplices covardes”, acusou. “A verdade é dura: todos vocês se comportam como ratos, sacrificam o povo pelo poder e não são em nada diferentes dos petistas que dizem combater”.

A mensagem foi compartilhada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que está no Estados Unidos conspirando para impor taxas e sanções ao Brasil caso o processo contra o pai dele, por tentativa de golpe de Estado, não seja suspenso.

Durante a coletiva, o Plural questionou Ratinho Júnior e os demais governadores sobre a postagem, mas eles não responderam. “Vamos nos concentrar na conferência”, afirmou Ratinho Júnior. “Eu, particularmente, acho que não é um assunto que mereça repercussão aqui”, disse Eduardo Leite.

COP30

Na solenidade, os governadores reforçaram a importância de levar as discussões e exemplos de desenvolvimento sustentável regionais para a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será em Belém (PA), em novembro. A ideia é que, além da preservação da Amazônia, a conferência também tenha espaços para debates sobre outros biomas brasileiros.

As discussões, segundo o governo do Paraná, têm como objetivo a integração de estratégias, tecnologias, metodologias, dados e informações geoespaciais para aumentar a eficiência na fiscalização ambiental e combater o desmatamento ilegal. Os governadores e vice assinaram a Carta de Curitiba, com compromissos para preservação da Mata Atlântica e ações conjuntas na área de desenvolvimento sustentável. Os debates entre técnicos dos governos prosseguem durante a tarde.

O evento também marcou a transferência da presidência do Cosud, antes ocupada por Ratinho Júnior e que passou para Cláudio Castro. O Cosud foi criado em março de 2019 com o objetivo de fortalecer a parceria entre as regiões. A presidência do consórcio é rotativa.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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