Centenas de pessoas foram na manhã deste domingo à Praça Generoso Marques no Centro de Curitiba para ganhar café da manhã e peças de roupa de lã. O atendimento é feito pela ONG Mãos Invisíveis e tem como público prioritário as pessoas em situação de rua.
As peças de roupa distribuídas foram produzidas no dia anterior pelo coletivo Alinhadas - resultante da união de várias instituições da cidade. Na sede da APP-Sindicato, um mutirão reuniu crocheteiras e tricoteiras que fabricaram ao longo da tarde de sábado gorros, luvas e cachecóis.

O mutirão foi organizado pela Mãos Invisíveis, pela Dia de Rainha e pelo jornal Plural, com apoio da APP, do Café Manana, da DA Dermoestética, e das agências de comunicação Momo e Flamma. Cerca de cem pessoas, entre mulheres, homens e crianças participaram voluntariamente da confecção das peças.

Dona Valinda, conhecida nas ruas como Tia Linda, comeu um dos cachorros-quentes oferecidos pela Mãos Invisíveis e saiu de lá também com um gorro vermelho. Ela conta que está na rua e sem dinheiro porque uma das filhas estaria recebendo o benefício da Previdência em seu nome. Tia Linda diz que pretende ir à Justiça para poder receber o dinheiro, mas enquanto isso paga dia a dia quartos de pensão para ter onde dormir. O dinheiro vem do trabalho que ela faz guardando carros à noite.

Rosângela, que já estava com a cabeça coberta, preferiu ficar com um cachecol cinza. Ela diz que está nas ruas faz cinco anos, desde que comprou briga com um traficante. "Eu até podia voltar pra casa, mas se voltar ou ele me mata ou eu tenho que matar ele", conta. Rosângela dorme hoje numa barraca que colocou em frente ao prédio do Correio Velho, na Santos Andrade.

Fernando, que já tinha um gorro ao chegar no café da manhã, pegou outro amarelo, que levou nas mãos.

Teresinha disse que nem sempre consegue ir aos domingos no café do Mãos Invisíveis. Mora no Parolin, e às vezes não tem como ir ao Centro. Desta vez, compareceu com a sobrinha e cada uma saiu com um gorro.

Franciele, sobrinha de Teresinha, que chegou com sua roupa de pelúcia, também ganhou um gorro cor de rosa - uma das cores mais pedidas por quem esteve na distribuição de roupas.

A manhã também teve uma história bonita. Ronaldo apareceu no café para contar que, depois de dois anos dependendo da ajuda do Mãos Invisíveis, agora consegue se sustentar e alugou uma quitinete. Vindo de São Paulo, ele e a mulher ficaram desempregados. Hoje, ele está num frigorífico em São José dos Pinhais e a mulher trabalha como caixa num mercado. Emocionado, ele disse que quis ir até o Centro e contar ao pessoal da ONG o quanto era grato pelo que foi feito por eles.