Pular para o conteúdo

Uma centena de pessoas dedica o sábado a proteger população de rua contra o frio

Mutirão produziu gorros e cachecóis que serão entregues para pessoas em situação de rua neste domingo

Uma centena de pessoas dedica o sábado a proteger população de rua contra o frio
Mutirão de crochê e tricô: produção em escala de gorros contra o frio. Foto: Rogerio Galindo/Plural
Publicado:

Um mutirão reuniu uma centena de pessoas neste sábado de frio em Curitiba. O objetivo era produzir gorros para as pessoas em situação de rua, que tem sofrido com as temperaturas extremas da cidade nos últimos dias. Usando lãs de todas as cores, mulheres, homens e até crianças fizeram toucas ao longo da tarde.

As técnicas também foram variadas: foram produzidos gorros de crochê, tricô e também com o uso de teares. Havia desde teares tradicionais (pregos na madeira) até modelos produzidos em impressoras 3D. O evento, movido a muito café quente e bolachinhas, aconteceu na sede da APP-Sindicato, na Avenida Iguaçu.

Dona Eurides era uma das mais rápidas: Sentadinha numa cadeira da primeira fila, pernas cruzadas, ela produziu primeiro um gorro inteiro, e como a tarde ainda era longa, resolveu terminar um longo cachecol de lã cinza que alguém havia deixado incompleto.

A seu lado, três amigas crochetavam, sorrindo enquanto produziam peças em diferentes cores. Lidiane se sentou por acaso ao lado de Satie, e acabou ficando amiga dela e também de sua filha, Cristiane.

Houve quem tenha encarado o evento como um programa em família. Bianca, de 25 anos, soube do mutirão pelo Instagram e não só compareceu como levou junto a irmã Camila, de 20. As duas ficaram a tarde crochetando de frente uma para a outra e conversando.

Para a jornalista Rosiane Correia de Freitas, uma das idealizadoras do mutirão, foi bonito ver quantas pessoas dedicaram o seu tempo para a causa e também quantas organizações participaram do projeto.

"Sem colaboração a gente não vai a lugar nenhum. E isso mostra que existe muita solidariedade em Curitiba, que dá pra fazer projetos que ajudem a população de rua e sempre vai ter quem apoie", diz ela.

A preferência pela produção de gorros, segundo Rafaella Riesemberg de Souza, coordenadora do Mãos Invisíveis, é porque as próprias pessoas nas ruas dizem ser essa uma de suas maiores necessidades. "Às vezes a pessoa até tem uma blusa e uma calça. Mas o que a gente mais precisa é sempre de gorros, meias e cobertores", explica ela.

A Mãos Invisíveis trabalha exclusivamente com o atendimento à população de rua e, de acordo com Rafaella, aumenta as entregas de roupas e cobertores no inverno. "Essa é a população mais vulnerável que existe, e precisa de atendimento constante", diz.

A assistente social Aline Castro, fundadora da ONG Dia de Rainha, cocriadora do evento, diz que a importância de atender a população em situação de rua foi bem resumida pelo padre Júlio Lancellotti. "O padre Lancellotti sempre diz que a existência de pessoas que moram na rua é a maior prova do fracasso da nossa sociedade capitalista. E cabe a nós fazermos o que for possível para aliviar o sofrimento a que essas pessoas estão expostas", afirma.

O mutirão foi idealizado pelas ONGs Dia de Rainha e Mãos Invisíveis e também pelo jornal Plural. A agência de comunicação Flamma e a agência Momo, especializada em redes sociais, fizeram a divulgação do evento. A APP-Sindicato cedeu o espaço.

Megadoação

No meio da tarde, quando dezenas de peças já tinham sido produzidas pelo mutirão, apareceu a maior doação do dia. Uma senhora de 99 anos, dona Apolônia, enviou pelo neto duas sacolas cheias de toucas feitas por ela. Eram 120 gorros de lã

Segundo o neto Lucas, ela chega a fazer quatro por dia "quando está animada", e duas quando está com menos pique. A doação será entregue junto com os demais materiais para a população de rua.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

Todos os artigos

Mais em Paraná

Ver todos

Mais de Rogerio Galindo

Ver todos

De nossos parceiros