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Deputado bolsonarista é condenado por fake news contra Beto Madalosso

Paulo Bilynskyj publicou em suas redes sociais que empresário colocou placa contra bolsonaristas na frente de seu restaurante

Deputado bolsonarista é condenado por fake news contra Beto Madalosso
O deputado federal bolsonarista Paulo Bilynskyj. Foto: Câmara/Divulgação
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O deputado federal bolsonarista Paulo Bilynskyj (PL-SP) foi condenado a indenizar o empresário curitibano Beto Madalosso em R$ 10 mil por ter divulgado uma notícia falsa sobre ele em suas redes sociais, em janeiro de 2022. A sentença da  2ª Vara Cível de Curitiba é da semana passada. O parlamentar foi condenado a pagar juros de 1% ao mês desde a publicação, correção monetária pelo INPC a partir da decisão, custas e despesas processuais e honorários advocatícios no valor de R$ 1,8 mil.

Crítico do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Madalosso foi alvo de uma informação falsa divulgada no dia 8 de janeiro de 2022 por Bilynskyj. O deputado afirmou que o empresário colocou uma placa com a inscrição “Bolsonaristas não são bem-vindos” na frente do seu restaurante. A publicação teve mais de um milhão de visualizações e Madalosso alegou ter sido alvo de ofensas e boicotes. 

Bilynskyj, que é integrante da "bancada da bala" no Congresso, teria afirmado ainda que o restaurante Cantina Trolha, que pertencia a Madalosso, fechou por causa desse episódio, o que foi negado pelo empresário.

“(...) Restou demonstrado que a publicação veiculada pelo réu gerou expressiva repercussão nas redes sociais, conforme indicado nos documentos juntados aos autos, desencadeando ataques e ofensas ao autor por parte de seguidores do réu. O impacto da postagem foi amplificado pelo elevado número de seguidores da conta do réu, o que aumentou significativamente a disseminação do conteúdo falso e potencializou os danos sofridos”, afirmou em sua decisão a juíza substituta Carolina Fontes Vieira.

A magistrada determinou ainda que o deputado não volte a citar o nome do empresário em suas publicações e lembrou que a imunidade parlamentar não justifica que ocupantes de cargos eletivos adotem condutas “que extrapolem os limites da legalidade e da moralidade”.

“Ainda que os parlamentares tenham ampla liberdade para se expressar no contexto de sua atuação política, essa liberdade não pode ser usada para justificar condutas que extrapolem os limites da legalidade e da moralidade, sob pena de desvirtuar o propósito da norma constitucional. A imunidade parlamentar existe para proteger o exercício legítimo do mandato, mas não para acobertar discursos prejudiciais e ilegítimos.”
Carolina Fontes Vieira, juíza

Expulsão da polícia

Eleito em 2022 com o nome de urna de Delegado Paulo Bilynskyj, o parlamentar teve sua expulsão da Polícia Civil de São Paulo aprovada em julho de 2022 pelo Conselho da Polícia Civil, acusado de divulgar em suas redes sociais um vídeo que fazia apologia dos crimes de racismo e estupro.

Publicado em 2020, o vídeo fazia parte de uma campanha da empresa de cursos online que tinha Bilynskyj como instrutor e mostrava a imagem de uma mulher branca carrega por homens negros, com a inscrição "a situação vai ficar preta".

O processo de expulsão parou depois que o bolsonarista Tarcisio de Freitas (Republicanos) assumiu o governo de São Paulo, em 2023. Outro protegido por Tarcisio de Freitas (o governador que fez campanha para Donald Trump) foi o delegado Carlos Alberto da Cunha, o Da Cunha, que teria divulgado uma falsa prisão do chefe de uma organização criminosa para se promover.

Em junho de 2022, a Polícia Civil de São Paulo retirou a arma e o distintivo do delegado, depois que ele apareceu em um vídeo atirando e ameaçando políticos e eleitores da esquerda. No vídeo, Bilynskyj convocava seus seguidores para participarem do ato na Avenida Paulista do dia 7 de setembro de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro praticamente pregou um golpe de Estado ao dizer que não respeitaria mais as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Aula de tiro para adolescentes

Em novembro do ano passado, Bilynskyj foi expulso do clube de tiro do qual era sócio, acusado de promover dar uma aula de tiro para crianças. Segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", em depoimento à polícia, a mãe de um adolescente de 16 confirmou que seu filho participou do curso a um custo de R$ 1,4 mil. O jornal informou ainda que dois adolescentes participaram da aula. Uma decisão STF determina menores de 18 anos só podem participar de aulas de tiro mediante autorização dos pais.

Waffen-SS

Em maio de 2023, Bilynskyj fez um discurso na Câmara dos Deputados em que disse se orgulhar da participação de seu avô, o ucraniano Bohdan Bilynskyj, como voluntário, durante a Segunda Guerra Mundial, da Waffen-SS, o braço militar da organização que protegia o ditador alemão Adolf Hitler.

Vestido com um traje típico da Ucrânia, o parlamentar disse que luta "contra a instalação de um regime comunista no Brasil". A fala fala foi repudiada pelo Instituto Brasil-Israel. Conhecida pela sigla SS, a Schutzstaffel teve responsabilidade direta no Holocausto, que levou à morte de mais de 6 milhões de judeus nos campos de concentração nazistas.

Outra polêmica envolvendo o bolsonarista foi a morte de sua namorada, Priscila Delgado Barrios, em 2020. Segundo a polícia, ela cometeu suicídio após atirar contra Bilynskyj em sua residência, em São Bernardo do Campo (SP).

Mandato em risco

Bilynskyj corre o risco de perder o cargo caso o mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) seja cassada. Condenada a dez anos de prisão por contratar um hacker para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Zambelli fez como outros bolsonaristas e fugiu do país. Bilynskyj e Tiririca (PL-SP) ficaram nas últimas posições entre os federais eleitos pelo estado, mas se beneficiaram com os 946.244 votos dados a Zambelli. Atualmente, o deputado é presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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