Pular para o conteúdo

Clubes de ciência impulsionam a formação das futuras cientistas paranaenses

Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, reúne mais de 45 grupos espalhados pelo estado e conta com a participação de mais de 600 estudantes

Clubes de ciência impulsionam a formação das futuras cientistas paranaenses
Clube de meninas na ciência do Colégio Euzébio da Mota, no Boqueirão. Foto: Julia Sobkowiak/Plural
Publicado:

Esta matéria integra série especial sobre coletivos femininos que o Plural publica ao longo do Mês da Mulher

Dados do Plano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG) mostram que o Brasil forma mais mulheres cientistas do que homens. Elas representam 57% das pessoas tituladas na pós-graduação e também são maioria entre as estudantes.

No Paraná, a Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, que reúne mais de 45 grupos espalhados pelo estado e conta com a participação de mais de 600 estudantes, incentiva meninas e mulheres a participarem de discussões científicas em escolas da Educação Básica da rede estadual e municipal.

Em Curitiba, um dos clubes funciona no Colégio Euzébio da Mota, no Boqueirão. Coordenado pela professora Marlene Salete Koch Lins, o grupo começou em 2023, após sua participação no programa Futuras Cientistas. “Comecei o clube junto com sete alunas. Desde então, cerca de 30 meninas já passaram por ele. Algumas ingressaram na faculdade e outras que estão concluindo o ensino médio também planejam seguir para a universidade”, conta a professora.

Marlene lembra que já participava de clubes de ciência na época da universidade, mas não eram voltados exclusivamente para mulheres. Ela avalia que a criação de um espaço de discussão científica voltado apenas a meninas fortalece a confiança e o pensamento crítico. “Muitas vezes as meninas não se enxergam culturalmente inseridas na ciência. Quando estão em ambientes só com outras mulheres cientistas, é possível ver a animação delas. Elas começam a se sentir pertencentes, criam, dominam e se veem como cientistas.”

A professora admite que, no início, não tinha consciência de que estava ajudando a construir o futuro das cientistas no Paraná. “Eu apenas seguia o barco, auxiliava na elaboração e publicação dos projetos e cuidava das burocracias. Hoje vejo as meninas entrando na faculdade, já com currículo Lattes antes mesmo de concluir o ensino médio, e sinto que estou fazendo a diferença”, afirma.

Isabela Alcudia, de 16 anos, entrou no clube após a professora passar em sua sala convidando as alunas a participarem da atividade. “Primeiro eu pensei que não seria muito legal, afinal ciência não parecia divertida. Mas uma amiga disse que talvez não fosse chato e eu decidi vir um dia, só para ver como era. Logo percebi que ciência é para todo mundo, que o clube tinha muitas atividades e que eu poderia criar qualquer coisa.”

Há três anos no grupo, Isabela participa de projetos como “Abelhas no meu jardim”, que estuda a importância das abelhas sem ferrão no meio ambiente, e do “Foguete de reflorestamento”, que utiliza minifoguetes movidos a pressão de ar e água para lançar sementes em áreas de mata degradadas.

Prestes a se formar, a jovem já vislumbra um futuro acadêmico. “Eu pretendo entrar na faculdade e fazer engenharia de biotecnologia. Quero continuar nessa área, estudando plantas. Mesmo sabendo que a maioria na engenharia são homens, quero perder esse medo, porque é uma área que eu gosto. Vejo o empenho das meninas do clube e isso me dá certeza de que mulheres também podem fazer ciência”, afirma.

Coletivo de Mulheres engenheiras defende pautas femininas
Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná movimenta mulheres para discutir rumos da profissão

As alunas se reúnem semanalmente no contraturno escolar. Durante os encontros, debatem, elaboram projetos e se preparam para participar de feiras científicas e outros eventos acadêmicos. No início de março de 2026, o grupo do Colégio Euzébio da Mota se preparava para concorrer à Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente, organizada pelo Instituto Fiocruz, que terá sua final no segundo semestre de 2026.

Como participar

Para participar dos Clubes Meninas na Ciência no Paraná, alunas do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º, 2º e 3º ano do Ensino Médio de escolas públicas devem integrar os núcleos do programa Paraná Faz Ciência. A iniciativa tem como foco a produção científica nas áreas de exatas, engenharias e computação, envolvendo estudantes e professoras. O projeto é desenvolvido em escolas estaduais da rede pública, em articulação com instituições como UTFPR, UFPR, IFPR, UEL, UEPG e Unicentro.

Para criar um clube de ciências, é necessário buscar informações na secretaria da escola ou com professores de ciências e matemática sobre a existência ou implantação do programa. Já para integrar oficialmente o Paraná Faz Ciência, é preciso aguardar a publicação do edital — que, até o momento, não tem previsão de lançamento.

Julia Sobkowiak

Julia Sobkowiak

Formada em jornalismo pela PUCPR.

Todos os artigos

Mais em Educacao

Ver todos

Mais de Julia Sobkowiak

Ver todos

De nossos parceiros