A rede municipal de ensino de Curitiba teve 3.803 professores afastados por motivo de saúde mental nos últimos dois anos. O número foi informado pela Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal (SMGP) em 27 de agosto, em resposta a um pedido de informação do vereador Matteus Henrique (PT).
São 1.311 professores de educação infantil e 2.492 profissionais do magistério. Em julho, segundo a mesma secretaria, os dois cargos somavam 16.585 servidores, entre concursados e contratados temporários. O total de afastados nos 24 meses equivale a 22,9% desse quadro. O cálculo é do Plural.
Quanto os afastamentos representam em cada cargo?
Na educação infantil, a proporção sobe para 26,3%: 1.311 afastados para 4.977 professores. Entre os profissionais do magistério, é de 21,5%: 2.492 para 11.608.
| Cargo | Afastados por saúde mental em 24 meses | Quadro em julho de 2026 | Proporção |
|---|---|---|---|
| Professor de educação infantil | 1.311 | 4.977 | 26,3% |
| Profissional do magistério | 2.492 | 11.608 | 21,5% |
| Total | 3.803 | 16.585 | 22,9% |
A conta tem limite. A SMGP informou o total de servidores afastados em 24 meses, sem dizer o período exato, quantas vezes cada um se afastou nem por quanto tempo. O documento também não diz se a contagem é por pessoa ou por matrícula; a legislação municipal citada pela Prefeitura em outra resposta prevê profissionais do magistério "com dois padrões".
O quadro de julho é uma fotografia de um mês, e nesses dois anos houve quem saísse e quem entrasse na rede. Por isso, a proporção compara afastamentos acumulados com o quadro atual e não equivale à parcela de professores que se afastou.
O plano de riscos da Prefeitura inclui a saúde mental?
Matteus Henrique perguntou se o Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (PGR) da rede municipal já contempla os riscos psicossociais, como "estresse, assédio, burnout, violência no trabalho". O pedido cita a atualização da NR-1, a norma do Ministério do Trabalho sobre gestão de riscos no trabalho. Segundo o vereador, a norma passou a incluir esses riscos e está em vigor desde 26 de maio de 2026.
A resposta do Departamento de Saúde Ocupacional da SMGP foi: "Atualmente não."
O PGR com os riscos psicossociais, segundo o departamento, "ainda não foi elaborado pois está na fase de levantamento de dados". Em 27 de julho, a Prefeitura abriu a todos os servidores uma pesquisa de riscos psicossociais, voluntária e anônima, que fica disponível até 30 de outubro. Depois, a equipe vai analisar os dados. "Em Janeiro de 2027 deverá ocorrer reunião com a pasta para verificar as medidas de controle", diz a resposta.
O que a Prefeitura faz hoje pela saúde mental dos professores?
O vereador também perguntou se existe um programa estruturado de saúde mental para as professoras. A SMGP respondeu com uma lista de ações "para toda a Prefeitura Municipal", sem apontar programa específico para o magistério.
Entre elas estão os exames médicos periódicos, o relatório que a chefia pode fazer quando percebe problema de saúde física ou mental de um servidor, a "busca ativa" de quem tem muitos afastamentos, a avaliação e o monitoramento psicológico e um canal por WhatsApp e e-mail para questões emocionais e denúncias de assédio.
Em março de 2026, segundo a SMGP, foi disponibilizada a todos os servidores da Secretaria Municipal da Educação (SME) uma pesquisa de saúde mental com 20 perguntas de sim ou não, de resposta obrigatória, sobre os 30 dias anteriores. A equipe de psicologia convocou os servidores que atingiram a pontuação máxima. A resposta não informa quantos responderam nem quantos foram chamados.
Quantas agressões contra professores houve nas escolas?
A Prefeitura não informou. A violência no trabalho está entre os riscos psicossociais listados no pedido de Matteus Henrique. Em julho, a vereadora Camilla Gonda (PSB) perguntou à SME quantas agressões contra servidores aconteceram nas escolas e nos centros municipais de educação infantil (CMEIs) nos últimos cinco anos.
A secretaria respondeu que as informações "podem ser solicitadas diretamente ao setor de Departamento de Saúde Ocupacional". Deu a mesma resposta à pergunta sobre quantas agressões resultaram em afastamento.
A SME também informou que "não há protocolo específico ou orientação normativa interna" para o registro formal das agressões, como boletim de ocorrência ou expediente administrativo. Para revisar a segurança de uma unidade depois de um caso, "não há um protocolo padronizado".
Saúde mental leva a aposentadoria por invalidez?
Em resposta a outro pedido de Camilla Gonda, de abril, o Departamento de Saúde Ocupacional enviou uma tabela com as "principais causas" de aposentadoria por invalidez entre os servidores da Prefeitura. Ela soma 214 aposentadorias, distribuídas em cinco grupos de doenças. Os transtornos mentais e comportamentais lideram, com 88, ou 41% da tabela. Em segundo lugar vêm as doenças osteomusculares, com 45 (21%).
O dado vale para todos os servidores, não só para o magistério. O documento não informa o período nem se a tabela cobre todas as aposentadorias por invalidez.
O que acontece agora?
A pesquisa de riscos psicossociais da Prefeitura fecha em 30 de outubro. A reunião para verificar as medidas de controle está prevista para janeiro de 2027.
Em agosto, o Plural publicou as cobranças do sindicato do magistério sobre o adoecimento das professoras.
Perguntas rápidas
Quantos professores da rede municipal de Curitiba se afastaram por saúde mental?
Foram 3.803 professores afastados em 24 meses, segundo a Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal, em agosto de 2026: 1.311 professores de educação infantil e 2.492 profissionais do magistério.
Quanto isso representa do quadro de professores?
O total equivale a 22,9% dos 16.585 servidores dos dois cargos em julho de 2026, segundo cálculo do Plural. A conta compara afastamentos acumulados em dois anos com o quadro de um mês.
A Prefeitura avalia os riscos psicossociais no trabalho dos professores?
Ainda não. O programa de gerenciamento de riscos com esses fatores "ainda não foi elaborado", segundo a Prefeitura. Uma pesquisa com os servidores fica aberta até 30 de outubro, e a reunião para verificar as medidas está prevista para janeiro de 2027.
A Prefeitura sabe quantas agressões contra servidores ocorreram nas escolas?
A Secretaria Municipal da Educação não informou o número e disse que não há protocolo específico para o registro formal das agressões.
Fonte: respostas da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoal e da Secretaria Municipal da Educação aos pedidos de informação 062.01503.2026, 062.01124.2026, 062.01229.2026 e 062.00690.2026, no sistema de proposições da Câmara Municipal de Curitiba. Última atualização: 26 de outubro de 2026.