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Curitiba: contribuinte já paga quase 1/3 do custo do transporte coletivo

Valor pago pelo tesouro municipal para as empresas concessionárias do transporte coletivo já chega a 28% do custo total do sistema

Curitiba: contribuinte já paga quase 1/3 do custo do transporte coletivo
Uso do transporte coletivo está em declínio. Foto: Tami Taketani/Plural
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Você pode ter abandonado o uso do transporte coletivo em Curitiba, mas continua pagando a conta. É o que uma análise do Plural das contas da Rede Integrada de Transporte (RIT) mostra. Desde 2010, quando o atual contrato de concessão do serviço de transporte entrou em vigor, o percentual do custo do sistema pago pelos cofres públicos aumentou. Foi de 5% entre 2010 e 2014 para 28% em 2025 e na previsão para 2026.

Os dados mostram a partir de 2021, a estratégia de segurar os reajustes da tarifa enquanto a tarifa paga às empresas é atualizada mês a mês transferiu a conta do usuário do transporte para a população em geral. O pedaço da conta da RIT paga pelos cofres municipais chegou a ficar em 32% em 2021, durante a pandemia, quando a Câmara aprovou um aporte de recursos públicos no sistema para manter os ônibus na rua.

Enquanto a tarifa não aumenta, porém, o dinheiro para pagar a conta vem de outro lugar: o aumento na arrecadação de impostos. Desde 2023, a Prefeitura aumentou em 28% a cobrança de impostos municipais e taxas. Além do aumento na base de cálculo do IPTU, aprovado pela Câmara Municipal em 2022, o município também reforçou as ações de cobrança judicial contra contribuintes com valores em aberto.

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Entre 2015 e 2020, na realidade, a RIT chegou a ter superávit, ou seja, o valor pago na catraca conseguiu cobrir os custos do serviço. Mas de 2021 em diante, quando a tarifa foi mantida em R$ 5,50 (2021 e 2022) e R$ 6,00 (desde de 2023), a prefeitura passou a inserir, em média, R$ 140 milhões por ano no sistema.

E o valor dessa conta deve aumentar. Em 2025, o déficit projetado da RIT deve ficar entre R$ 227 milhões e R$ 255 milhões. E como o Plural noticiou, a Procuradoria do Município avalia que em 2026 há o risco do déficit chegar a R4 360 milhões.

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A manutenção da tarifa em R$ 6 desde 2023 até pelo menos 2026 mostra que o prefeito, Eduardo Pimentel (PSD) está apostando na incapacidade da população de perceber o aumento do custo do transporte, uma vez que o valor pago pelos passageiros não vai sofrer alteração. Além disso, a administração está se esforçando para manter o déficit fora do orçamento.

Apesar do risco apontado pela Procuradoria, o orçamento da cidade não contabiliza o déficit dentro da previsão de despesas. Desde 2023 a Prefeitura coloca no orçamento apenas R$ 60 milhões por ano a título de "equilíbrio tarifário", bem menos que o valor real injetado no sistema.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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