As campanhas eleitorais do Paraná já declararam ter recebido R$ 197,9 milhões para a disputa de 2026, segundo a mais recente prestação de contas enviada ao TSE (dado de 6 de setembro). O dinheiro não veio aos poucos: chegou em ondas, quase todo depois de a propaganda eleitoral ser liberada, em 16 de agosto — e a mais recente dessas ondas ajuda a entender quem está no centro do jogo.
Só na última semana de agosto (de 31 de agosto a 6 de setembro), entraram R$ 53,9 milhões nas contas de 316 candidatos paranaenses — a terceira e mais nova leva de repasses. Quase todo esse dinheiro é público, dos fundos eleitoral e partidário, e a maior fatia foi para uma só disputa: R$ 34 milhões, quase dois terços do total, ficaram com candidatos a deputado federal.
O maior beneficiário individual dessa leva foi o candidato ao governo Requião Filho (PDT), que recebeu R$ 5 milhões de uma vez. Logo atrás, uma fileira de postulantes à Câmara dos Deputados: Karime Fayad (MDB), com R$ 2,7 milhões; Beto Preto (PSD), R$ 2,3 milhões; e os três candidatos do União Brasil — Diego Garcia, Paulo Litro e Luisa Canziani —, cada um com exatos R$ 1,9 milhão. Completam a lista nomes como Stephanes (PL), Sergio Souza (MDB), Delegado Matheus Laiola (União), Marcelo Rangel (PSD) e o ex-governador Roberto Requião (PDT), todos com aportes de R$ 1,5 milhão a R$ 1,9 milhão — a esmagadora maioria, 100% de dinheiro público. É o retrato de como os partidos escolhem, a cada rodada de repasse, em quem apostar.
Onde está o dinheiro
Das 1.086 candidaturas do estado, 733 já movimentaram recursos. O bolo se divide de forma bastante desigual entre os cargos:
| Cargo | Captado |
|---|---|
| Deputado federal | R$ 110,5 mi |
| Deputado estadual | R$ 42,4 mi |
| Governador | R$ 29,9 mi |
| Senador | R$ 15,1 mi |
A maior arrecadação não está na disputa mais visível, a do governo, e sim na Câmara dos Deputados: as candidaturas a deputado federal somam mais da metade de todo o dinheiro de campanha do estado. É o cargo com mais vagas em jogo e o mais cobiçado pelas máquinas partidárias, que distribuem ali o grosso do fundo eleitoral.
Quem mais arrecadou
No topo da arrecadação estão os principais candidatos ao Palácio Iguaçu, seguidos dos nomes ao Senado:
| Candidato | Cargo | Captado |
|---|---|---|
| Sérgio Moro (PL) | Governador | R$ 11,8 mi |
| Requião Filho (PDT) | Governador | R$ 11,0 mi |
| Sandro Alex (PSD) | Governador | R$ 6,95 mi |
| Filipe Barros (PL) | Senador | R$ 3,8 mi |
| Cristina Graeml (PSD) | Senador | R$ 3,5 mi |
| Roberto Requião (PDT) | Deputado federal | R$ 3,0 mi |
Chama atenção o crescimento de Requião Filho, que passou a rivalizar em recursos com o líder das pesquisas, Sérgio Moro — os dois já beiram os R$ 12 milhões cada. Na disputa pela Câmara, três candidatos do União Brasil — Paulo Litro, Luisa Canziani e Diego Garcia — aparecem com exatamente R$ 2.899.800 cada, retrato da distribuição uniforme do fundo partidário dentro da legenda.
Por partido, o PL lidera a arrecadação no estado (R$ 39,4 mi), à frente de PSD (R$ 29,6 mi), PT (R$ 22,2 mi), União Brasil (R$ 18,1 mi) e PDT (R$ 17,2 mi).
O dinheiro chegou de uma vez — no fim de agosto
Os R$ 198 milhões não entraram aos poucos: despencaram nas contas das campanhas num intervalo de três semanas, logo depois de a propaganda eleitoral ser liberada, em 16 de agosto. Até o começo daquele mês, as campanhas paranaenses mal tinham recebido dinheiro — pouco menos de R$ 1 milhão no total.
| Semana | Entrou | Acumulado |
|---|---|---|
| até 16/ago | R$ 0,8 mi | R$ 0,8 mi |
| 17–23/ago | R$ 23,3 mi | R$ 24,1 mi |
| 24–30/ago | R$ 121,1 mi | R$ 145,1 mi |
| 31/ago–6/set | R$ 53,9 mi | R$ 199,0 mi |
| depois de 6/set | R$ 0,1 mi | R$ 199,1 mi |
O pico foi a semana de 24 de agosto, quando entraram sozinhos R$ 121 milhões — e 97% desse dinheiro era público, repasse dos fundos eleitoral e partidário. Ou seja: assim que a campanha começou oficialmente, os partidos abriram o cofre e transferiram de uma só vez o grosso do fundo aos seus candidatos. É por isso que o caixa está cheio e quase intacto: o dinheiro chegou há poucas semanas, todo de uma vez.
A corrida ao governo mostra o mesmo movimento em miniatura. Os três principais candidatos receberam quase tudo na mesma janela de fim de agosto:
| Candidato | Total | 17–23/ago | 24–30/ago | 31/ago–6/set |
|---|---|---|---|---|
| Sérgio Moro (PL) | R$ 11,8 mi | R$ 0,2 mi | R$ 10,9 mi | R$ 0,7 mi |
| Requião Filho (PDT) | R$ 11,0 mi | — | R$ 6,0 mi | R$ 5,0 mi |
| Sandro Alex (PSD) | R$ 6,95 mi | R$ 0,5 mi | R$ 6,5 mi | — |
Moro recebeu quase R$ 11 milhões numa única semana; Sandro Alex, R$ 6,5 milhões de uma vez; Requião Filho dividiu seu aporte em duas transferências, de R$ 6 e R$ 5 milhões. Os demais candidatos ao governo — Luiz França (Missão), Samuel de Mattos (PSTU) e Tayná Miessa (UP) — não passaram, somados, de R$ 120 mil, num retrato de como o dinheiro se concentra nas candidaturas que os partidos consideram viáveis.
O caixa ainda está cheio
Até agora, as campanhas paranaenses declararam gastar R$ 16,4 milhões — o equivalente a 8% do que arrecadaram. Mas esse número deve ser lido com cautela: a prestação de contas de despesas costuma chegar ao TSE com atraso maior que a de receitas, de modo que o gasto real já é maior do que o registrado. Não dá para concluir, a partir daí, que as campanhas estejam "segurando" o dinheiro — é cedo para medir o ritmo de gasto.
Entre quem já começou a gastar de forma mais pesada aparecem a deputada Leandre (PSD), com R$ 1,38 milhão desembolsado, o candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos), com R$ 1,12 milhão, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT), com R$ 723 mil.
A outra ponta
Enquanto poucos nomes concentram milhões, 353 das 1.086 candidaturas do Paraná ainda não movimentaram um único real — quase um terço do total. É a face menos visível do financiamento de campanha: a maior parte do dinheiro público e privado se concentra nas candidaturas que os partidos consideram prioritárias, deixando centenas de concorrentes disputando a eleição praticamente sem recursos.
Ficha técnica
Dados da prestação de contas eleitorais de 2026 (TSE, Dados Abertos), na atualização de 6 de setembro de 2026, para as candidaturas registradas no Paraná. "Captado" e "gasto" são as receitas e despesas declaradas por cada campanha; o fluxo semanal usa a data de cada receita. "Dinheiro público" soma as receitas de origem Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC, o fundo eleitoral) e Fundo Partidário. Como a apuração de despesas costuma ser lançada com defasagem em relação às receitas, os valores de gasto tendem a subir nas próximas atualizações. Compilação da Plural.