2 ago 2021 - 10h00

A presença do clitóris nos orgasmos da série Sex/life

Mas nos filmes românticos, diferente do pênis e da vagina, o clitóris raramente está presente

Neste dia 31 de julho foi celebrado o dia mundial do orgasmo e nós mulheres temos muito a discutir nesta data. Poder tratar abertamente de nosso prazer é uma das transformações que vivemos nesta Quarta Onda Feminista que populariza as bandeiras de lutas das mulheres. Além de visibilizar os diversos feminismos (lésbico, negro, radical, universal e até liberal) e suas pautas, o prazer feminino tem conquistado espaço garantido nas redes sociais e na internet em geral, mas particularmente no Instagram. Diversas páginas educacionais como @meuclitorisminhasregras, @clitorinea, @clitoriscious, @clitoris.io, @clitoralia, @prazerclitoris publicam informações e imagens do clitóris cuja forma até pouco tempo era desconhecida.

Espalhar releituras dos clitóris é bem importante. Primeiro, porque apesar de a parte visível ser muito pequena na maioria das mulheres este órgão tem uma estrutura bastante complexa. O clitóris é o órgão do corpo humano que tem mais terminações nervosas e é um dos menores também, e só existe para dar prazer. Então, quando nos perguntarem em que as mulheres são diferentes de homens? A resposta é que temos clitóris e que nossos orgasmos dependem do estímulo deste órgão que possui mais de 8 mil terminações nervosas, sendo que quando estimulado, fica ereto da mesma forma que o órgão sexual masculino.

Quando lembramos que o formato de cada vulva é único, o de cada clitóris, também é. Se você ainda não sabe como é o formato deste órgão, presente no corpo de quem tem vulva, vale dar um Google. Muitas mulheres ainda não sabem que possuem este órgão no próprio corpo e muitos homens também não tem ideia de onde ele fica. As publicações das redes sociais querem chamar atenção tanto delas a se tocarem e a descobrirem o próprio prazer, quanto deles para aprenderem sobre o prazer feminino.

Masturbar-se é algo que as mulheres são educadas a não fazer. A maioria das meninas é ensinada desde criança a não se tocar porque isso seria errado, feio e até pecado. Como o controle de nosso prazer está em quem tem poder de ditar o que é certo e o que é errado na sociedade, para livrar mulheres da vergonha e da culpa que a masturbação impõem serão necessários anos e anos de militância.

Mas nos filmes românticos, diferente do pênis e da vagina, o clitóris raramente está presente. Por isso, chamo a atenção para a série Sex/life (Netflix) que trata do prazer feminino, pelo ponto de vista da personagem Billie (Sarah Shahi) que é casada, mas que não tem orgasmos no relacionamento com o marido. Ao lembrar-se de um antigo namorado, Billie escreve sobre as cenas de sexo que viveu com ele, nas quais, o clitóris é o rei (ou a rainha?)!

Seja nas cenas de boca de ouro e dedos de diamante (nome do curso ministrado por Gaia Qav/Meu Clitóris Minhas Regras) ou nas cenas de penetração, o clitóris está lá e é manipulado lindamente pelo tal ex-namorado, nas lembranças de Billie. Quer ver uma destas cenas? Clique aqui! Mas por que tais cenas são importantes? Porque não há orgasmo feminino sem manipulação ou movimentação do clitóris. E é simples assim! E o cinema é um dos culpados por ensinar de forma errada sobre o prazer das mulheres.

Quantas mulheres acreditaram que eram frígidas por não terem orgasmo com penetração? De acordo com uma pesquisa Archives of Sexual Behavior (2018), mulheres heterossexuais são as que menos chegam ao orgasmo (65%). Já as lésbicas teriam orgasmos em 86% das relações. O que muda? Justamente o autoconhecimento do corpo e a não valorização da penetração. Então, pessoas que querem ter ou dar orgasmos, assistam à série, sigam as páginas citadas neste texto, estudem, se toquem e testem seus prazeres em celebração ao dia do Orgasmo.

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Um comentário sobre “A presença do clitóris nos orgasmos da série Sex/life

  1. Parabéns pela coragem de educar homens e as próprias mulheres sobre seu corpo. Quantos tabus estúpidos e quanta ignorância acerca do corpo a mulher. Como fomos enganadas a vida inteira! E quão poucos homens sabem e se interessam, de fato, em satisfazer suas mulheres, levando-as ao orgasmo também.

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