A Câmara Municipal de Curitiba foi rápida em entrar na onda dos bebês reborn e já tem duas iniciativas criadas sobre o tema. A Casa também já gastou tempo de debate em plenário para os parlamentares se manifestarem a respeito do assunto.
Apesar da ansiedade dos vereadores em entrar no tema, o Plural apurou que nenhum dos maiores hospital da cidade, nem a Secretaria Municipal de Saúde registrou casos envolvendo bebês reborn.
A reportagem consultou o Hospital Pequeno Príncipe, o Evangélico Mackenzie, o Nossa Senhora das Graças e o Hospital de Clínicas. Nenhum teve nenhuma situação envolvendo bebês reborn. Já a prefeitura informou que não há nenhum caso na rede SUS da cidade.
Apesar disso, o vereador Renan Ceschin (Pode) pede a aplicação de multa de R$ 500 (pode chegar a R$ 1500) para quem usar bebês reborn para obter "prioridade em filas de estabelecimentos comerciais, serviços públicos e privados, acesso preferencial a atendimentos médicos, educacionais ou sociais ou qualquer outro benefício legalmente assegurado a crianças de colo, incluindo a ocupação de assentos preferenciais em veículos de transporte coletivo".
Ceschin também usou tempo de debate no plenário para passar vídeos de canais que fazem cosplay com bebês reborn. "Eu me sinto até constrangido de comentar esse assunto aqui", disse. E afirmou que ouviu das enfermeiras que atendem o filho dele no hospital que "tem gente levando bebê para ser atendido".
A fala de Ceschin foi seguida por um comentário da vereadora Sargento Tânia Guerreiro (Pode), que declarou que os donos de bebês reborn "não tem nada na cabeça". "Vão se tratar", gritou. E ainda ameaçou bater em que aparecer na frente dela.
Já Bruno Secco (PMB) sugere a Prefeitura de Curitiba a "criação de política pública municipal de incentivo à adoção de crianças e adolescentes em situação de acolhimento, com campanhas de sensibilização frente à crescente popularização dos chamados "bebês reborn"".
O parlamentar acha que "o apego emocional" projetado "sobre réplicas de bebês" pode ser redirecionado às centenas de crianças em acolhimento institucional em Curitiba. Ele também sugere a realização de "feiras de adoção" dessas crianças.
O mergulho dos parlamentares no assunto vem num momento que a Câmara deveria estar debatendo os empréstimos de R$ 1 bilhão que a Prefeitura quer fazer para trocar ônibus a diesel por veículos elétricos e a revisão do Plano Diretor da cidade.