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Vereador diz que colegas da Câmara de Curitiba se importam mais com porcos do que com servidores municipais

Da Costa do Perdeu Piá desabafou após Prefeitura apresentar novo plano para a Previdência apenas 20 minutos antes da sessão

Vereador diz que colegas da Câmara de Curitiba se importam mais com porcos do que com servidores municipais
Da Costa do Perdeu Piá. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC
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A votação das mudanças na Previdência municipal rendeu um momento inusitado na Câmara de Curitiba. Irritado com o fato de a Prefeitura ter enviado um substitutivo criando novas regras apenas vinte minutos antes do início da sessão, um vereador do União, partido da base do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), fez um longo e feroz desabafo na tribuna.

Ex-policial militar, Da Costa (conhecido pelo seu canal "Perdeu Piá") já foi funcionário público. Talvez isso tenha levado o vereador a entender mais de perto o que deveriam estar sentindo os servidores que estavam vendo as regras da aposentadoria no município serem votadas sem que a Câmara sequer tivesse tempo de ler o projeto.

Da Costa chegou a dizer que os vereadores da base do prefeito se importam mais com porcos e com animais de estimação do que com o funcionalismo público da cidade.

"Se estivéssemos falando aqui sobre cachorro, sobre gato, sobre gado, sobre porcos, muitos vereadores iam partir em defesa, mas como nós estamos falando de trabalhadores da nossa cidade, como estamos falando de pessoas honestas, que dedicaram suas vidas em prol da cidade de Curitiba, aí poucos vereadores vão defender os servidores", disse Da Costa.

De fato, não foram muitos os vereadores que pediram para adiar a votação. A oposição, sempre pequena, solicitou pelo menos mais 24 horas (além dos 20 minutos concedidos) para estudar o que estava acontecendo. Mas nem o presidente Tico Kuzma (PSD) nem o líder do prefeito, Serginho do Posto (PSD), ambos do partido de Pimentel, aceitaram a ideia.

"É realmente lamentável a forma como as coisas são conduzidas na Câmara de Curitiba. Eu não sei se o projeto é bom ou se o projeto é ruim, porque fazem as coisas de um jeito que nós vereadores não podemos avaliar. Esse projeto chegou 20 minutos antes de começar a sessão", denunciou o vereador - que oficialmente não é da base do prefeito, e sim "independente".

"Foi feito um substituto, até não sei se para driblar a imprensa, porque na semana passada esses regimes de urgência tomaram uma grande repercussão”, disse Da Costa.

E aqui também ele tem razão. Na semana passada, a Prefeitura havia abusado do truque do regime de urgência - o mecanismo que permitir votações mais rápidas, sem análises nas comissões. Por exemplo, fez aprovar assim a criação de uma empresa que vai cuidar das Parcerias Público-Privadas no município.

Dessa vez, o truque foi outro. Deixaram o projeto correr com uma aparência. Na última hora, porém, às 8h40 da manhã, faltando 20 minutos para a sessão começar, avisaram que estavam protocolando uma versão totalmente nova da proposta.

Como previu Da Costa, o projeto foi aprovado pelos seus pares que, evidentemente, não tinham a menor condição de ter lido a proposta em que votaram.

Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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