Do enviado especial, para o Plural e o Observatório de Justiça e Conservação
Belém - O tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, esteve no discurso de abertura do presidente da COP30, André Corrêa do Lago. A fala foi feita nesta segunda-feira (10), durante o primeiro dia do encontro mundial.
“A questão da urgência é o elemento adicional, agora tão presente, e que nos é lembrado com grande tristeza, como, por exemplo, nesta semana, no Brasil, no Paraná, ou nas Filipinas, ou, poucas semanas atrás, na Jamaica”, disse.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a cidade foi atingida por um tornado de intensidade EF3, em uma escala que vai até EF5. No mesmo dia, sexta-feira (7), outros dois tornados atingiram os municípios de Turvo e Guarapuava, também no Paraná.
Os ventos chegaram a 250 km/h. Cerca de 90% de Rio Bonito do Iguaçu foram destruídos, o que levou os governos estadual e federal a declararem estado de calamidade na cidade. Até o momento, a Defesa Civil confirmou sete mortes e 750 pessoas feridas no Paraná.
Adaptação às mudanças climáticas
A adaptação a eventos climáticos extremos deve ser um dos temas centrais da COP30. Ao longo do ano, Corrêa do Lago deixou isso claro. Ele dedicou a 8ª carta da conferência ao pilar das discussões climáticas. “Sem adaptação, a mudança do clima se torna um multiplicador da pobreza, destruindo meios de subsistência, deslocando trabalhadores e aprofundando a fome”, afirma.
Durante a abertura da cúpula, Corrêa do Lago destacou o papel de governadores e prefeitos para a efetividade dos projetos de adaptação às mudanças do clima. “Os entes subnacionais têm um papel absolutamente essencial na implementação das decisões das COPs”, aponta.
“À medida que os impactos se intensificam, a inação não representa uma falha técnica, mas sim uma escolha política sobre quem vive e quem morre”, afirma a 8ª carta da presidência.
Em fevereiro, em debate com as lideranças da COP30, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também deu ênfase à centralidade do tema. “Adaptação não é só a gente fazer recuperação de mata ciliar, buscar soluções baseadas na natureza. É adaptar também os investimentos: quais são as novas linhas de crédito, de pensar seguros, de decretar emergência".