Do enviado especial, para o Plural e o Observatório de Justiça e Conservação
Belém — Enquanto a COP30 reúne em Belém chefes de Estado, ministros e representantes de organismos internacionais, o Paraná aparece na conferência com iniciativas pontuais, como a participação de quatro startups apoiadas pelo governo. Na conferência, representantes de todo o mundo cobram maior protagonismo dos estados subnacionais diante da emergência climática.
Segundo a avaliação do Painel ClimaBrasil, adaptação nacional da plataforma global ClimateScanner, que avalia e monitora ações de governos no combate à crise climática, o Paraná atingiu pontuações máximas em itens ligados à governança institucional, como nos indicadores “Instituições sólidas”, “Mapeamento de riscos” e “Ação coordenada”.
Por outro lado, o estado zerou a pontuação no indicador “Justiça climática”, um dos quinze critérios considerados pela ferramenta. Esse índice diz respeito a “promover a justiça e a equidade, demonstrando sensibilidade para com os mais vulneráveis”. O ClimateScanner é uma iniciativa global que une mais de 100 países, criada pela Organização Internacional de Instituições Superiores de Controle (INTOSAI), sob presidência atual do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ação integrada
“A mudança do clima não tem como ser resolvida se não tiver uma ação integrada de diferentes entes federados: governo federal, estadual, municipal”, afirmou à reportagem a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
Para ela, “a parte mais importante é a consciência da sociedade de exigir de seus líderes políticos que tratem o tema da mudança do clima como uma prioridade”. Quando os governos não priorizam mitigação e adaptação, “quem paga o preço é a população, como aconteceu agora no Paraná e como tem acontecido em várias regiões do mundo”.
A deputada federal Carol Dartora (PT), presente na COP30, classificou como “pífia” a atuação do Paraná na conferência mundial do clima e criticou a falta de visibilidade, por parte de governos do Sul, às comunidades mais afetadas. “Essa COP está nesse território para dar voz às denúncias com relação à urgência que a gente tem no campo da justiça socioambiental”, afirma.
“Há a falta de atuação efetiva dos governos do Sul para visibilizar as comunidades que mais sofrem: comunidades indígenas, quilombolas, áreas periféricas, áreas irregulares que às vezes não têm infraestrutura mínima”, aponta.
Participação do governo
O governo estadual também menciona apoio financeiro a quatro startups presentes na conferência. Além disso, a empresa estatal Portos do Paraná participou da primeira semana do evento com a apresentação do inventário de carbono da entidade e do projeto de saneamento ecológico na Ilha de Eufrasina, em Paranaguá (PR).
Em outubro, o governo entregou à presidência da COP30 uma carta resultante da Conferência da Mata Atlântica, realizada durante o 13° Encontro do Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud), no mês de agosto.
A conferência contou com a participação de governadores como Romeu Zema (Novo-MG), Cláudio Castro (PL-RJ) e Ratinho Junior (PSD-PR). Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC) enviaram representantes.