Nesta quarta-feira (30), servidores do quadro geral e do magistério de Araucária ocuparam o gabinete do prefeito Gustavo Botogoski (PL) em tentativa de diálogo sobre a Lei nº 11/2026, aprovada em primeiro turno na Câmara Municipal na última terça-feira (29). A proposta altera regras do Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), transferindo ao Executivo o poder de nomeação dos cargos que hoje são administrados de forma autônoma pelos servidores.
Além do gabinete, os servidores também montaram uma vigília em frente a prefeitura. Segundo relatos de dirigentes do Sindicato dos Servidores de Araucária (SIFAR), Guarda Municipal e a Polícia Militar voltaram a atuar de forma repressiva, chegando a impedir a entrada de marmitas para os servidores que permanecem na ocupação.

A greve teve início na terça-feira, quando cerca de 1.500 servidores participaram da mobilização em frente à Câmara Municipal. A mobilização é contra as propostas da Prefeitura que alteram a Lei Orgânica Municipal e impactam diretamente o Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA) e mudanças no Conselho Municipal de Saúde.
A segunda votação do projeto está marcada para o dia 13 de outubro na Câmara de Vereadores. Até lá, os sindicatos devem realizar assembleias para decidir se a greve continua ou se será suspensa.
Prefeitura de Araucária
Em nota, a Prefeitura Municipal de Araucária alegou que a paralisação era ilegal e afirmou estar aberta ao diálogo.O comunicado informa que o “Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR) manteve ordem contra greve sem plano de atendimento e elevou a multa para R$ 50 mil por dia. As sanções são relativas à paralisação promovida pelo Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR).
Por meio de decisão liminar no processo nº 0137941-63.2026.8.16.0000, o relator Desembargador Leonel Cunha elevou a multa diária cobrada do sindicato de R$ 5 mil para R$ 50 mil por descumprimento de ordem judicial, haja vista que a categoria iniciou o movimento sem a apresentação e aprovação prévia de um plano concreto de manutenção das atividades indispensáveis na educação.
A deflagração da paralisação causou sérios prejuízos aos serviços prestados à população:
Educação: Levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Educação (SMED) apontou que, das 74 unidades escolares do município, 60 tiveram o atendimento comprometido (11 totalmente fechadas, 42 abertas sem atendimento aos alunos e 7 com atendimento parcial), mantendo apenas 14 unidades em funcionamento integral. A descontinuidade afetou 23 dos 36 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e 2 dos 4 Centros Municipais de Atendimento Educacional Especializado (CMAEEs), privando milhares de alunos do ensino e da merenda escolar diária.
Saúde: Na Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), cerca de 600 servidores aderiram ao movimento, prejudicando o atendimento em algumas unidades de saúde.
Demais Setores: Nos outros órgãos da administração, os impactos foram mínimos ou nulos. A Secretaria de Assistência Social (SMAS) mantém atendimento normal nos equipamentos públicos. As secretarias de Segurança Pública (SMSP), Urbanismo (Departamento de Trânsito), Trabalho e Emprego (SMTE) e Agricultura não registraram impactos e operam normalmente. Na Secretaria de Esporte e Lazer (SMEL), houve adesão de apenas um servidor.”.
Ainda na nota, o poder executivo informou “o projeto de lei em análise na Câmara Municipal propõe a reestruturação interna do Poder Executivo e a adequação à legislação federal referente à Conferência Municipal de Saúde. O texto prevê que a remuneração de servidores afastados exclusivamente para o exercício de direção sindical passe a ser custeada pelas próprias entidades, modelo alinhado ao que já é praticado na esfera federal e em outros municípios.
Em relação à previdência, a Câmara aprovou a Emenda nº 59/2026, prontamente aceita pela administração, que blinda totalmente o Fundo Municipal de Previdência dos Servidores (FPMA) contra atos por ofício do gestor municipal. A gestão e a administração dos recursos previdenciários continuam sob responsabilidade única e exclusiva dos conselheiros eleitos pelos próprios servidores, sem qualquer interferência do Executivo”.
Por fim, o comunicado diz que “A Prefeitura de Araucária reforça o seu compromisso com a transparência, com a legalidade e com a garantia dos serviços públicos essenciais à população. A Administração Municipal informa que as tratativas com o Sindicato já estão sendo desenvolvidas via Secretaria de Governo, buscando o entendimento e a regularização do atendimento de forma rápida e responsável”.
