Na manhã desta terça-feira (29), servidores do quadro geral e do magistério de Araucária iniciaram greve contra os Projetos de Lei nº 2.839, de 31 de agosto de 2026, nº 2.841, de 11 de setembro de 2026, e a Proposta de Emenda à Lei Orgânica nº 11/2026. A paralisação foi acompanhada de manifestação organizada pelo Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) e pelo Sindicato dos Servidores de Araucária (SIFAR) em frente à Câmara Municipal, onde ocorreu a votação em primeiro turno. O projeto foi aprovado por maioria, com 10 votos favoráveis, 1 contrário e 2 ausências, e agora aguarda segunda discussão e votação.
Cerca de 1.500 servidores participaram da mobilização. Durante a ação, trabalhadores relataram ter sido barrados de acessar o plenário e enfrentaram truculência da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Segundo os sindicatos, houve uso de spray de pimenta e alguns servidores precisaram ser encaminhados à UPA.
A mobilização é contra as propostas da Prefeitura que alteram a Lei Orgânica Municipal e impactam diretamente o Fundo de Previdência Municipal de Araucária (FPMA), além de mudanças na organização sindical, como a possibilidade de corte de salários de diretores liberados. A proposta transfere ao Executivo o poder de nomeação dos cargos que hoje são administrados de forma autônoma pelos servidores.
Em nota, o SISMMAR afirmou que a atual gestão “há meses vem atacando os movimentos sindicais por causa da má gestão dos recursos públicos e do inchaço da máquina pública com a abertura de vagas para cargos comissionados”. O sindicato reforçou que medidas que inibam a mobilização coletiva podem configurar práticas incompatíveis com a liberdade sindical.
Já o SIFAR destacou que o “ataque não vem sozinho” e apontou uma escalada da gestão do prefeito Gustavo Botogoski contra a atuação sindical. Entre os exemplos citados estão a proibição de cartazes nos locais de trabalho pela secretária de Saúde, Renata Botogoski, esposa do prefeito, o descumprimento de acordos com o Ministério Público do Trabalho e ameaças de processos administrativos.
Os sindicatos também criticaram mudanças na Conferência Municipal de Saúde, que passaria a ser apenas consultiva e realizada a cada quatro anos, em vez de fixar diretrizes obrigatórias a cada dois anos. Para eles, a alteração de uma única palavra no artigo da lei representa um retrocesso significativo na participação popular.
Ainda nesta terça-feira, as entidades devem se reunir com suas categorias para avaliar os próximos passos e decidir se a greve continua.