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Requião Filho teve mais votos que o pai, mas não impediu colapso do PDT-PR

Requião Filho (PDT) fica em 3º no governo do PR com 23,47%; partido não elege federal nem senador e mantém só 1 cadeira na Assembleia. Veja o colapso

Requião Filho teve mais votos que o pai, mas não impediu colapso do PDT-PR
Requião Filho. Foto: Tami Taketani/Plural

O PDT terminou as eleições de 2026 no Paraná sem senador, sem deputado federal e com apenas uma cadeira na Assembleia Legislativa — o reeleito Goura (49.778 votos). Requião Filho, candidato ao governo, fez 23,47% (1.465.601 votos) e ficou em terceiro, atrás de Sergio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD). A vitória de Moro no 1º turno (50,10%) impediu que o PDT disputasse o 2º turno pela primeira vez em um ciclo.

Em 2010, o PDT tinha chegado a 45,63% dos votos para governador do Paraná, com Osmar Dias. Em 2002, Álvaro Dias tinha feito 30,06% no Senado também pela mesma legenda. Dezesseis anos depois, o partido dos irmãos Dias — que já foi o segundo maior do estado — concentra sua representação paranaense em um deputado estadual e em uma herança de sobrenome: a candidatura de Roberto Requião Filho (PT na eleição anterior, agora PDT) ao governo.

Qual é o tamanho atual do PDT no Paraná?

Com 100% das seções totalizadas, o PDT ficou assim nos quatro cargos estaduais e federais em 2026:

CargoCandidatosVotos (PDT)%Eleitos
Governador1 (Requião Filho)1.465.60123,47%0 (3º lugar)
Senador000,00%0
Deputado Federal31130.9672,16%0
Deputado Estadual38127.5762,20%1 (Goura)

Fonte: TSE, apuração final de 04/10/2026 (c0003-pr, c0005-pr, c0006-pr, c0007-pr).

O partido optou por não lançar candidato próprio ao Senado — espaço cedido à coligação com PT/PSOL/PV/Rede/PCdoB/Solidariedade, que levou Gleisi e Dr. Rosinha (ambos do PT) na chapa, sem conseguir eleger nenhum dos dois. É a primeira vez, desde a redemocratização, que a sigla não disputa o Senado no Paraná.

Como foi o declínio do PDT no Paraná

A curva do PDT para a Câmara Federal entre 1998 e 2026 é um despencar quase monotônico:

Ano% PDT PR Dep. FederalEleitos federais
19984,84%1
20029,09%1
20064,45%1
20102,56%0
20140,58%0
20183,46%1 (Gustavo Fruet)
20221,35%0
20262,16%0

Na Assembleia Legislativa:

Ano% PDT PR Dep. EstadualEleitos estaduais
19985,30%3
200211,40%5
20067,63%3
20107,73%3
20144,74%4
20183,00%2
20222,08%1
20262,20%1

O pico está em 2002, quando o PDT era a segunda maior força eleitoral do estado, impulsionado pela chapa Álvaro Dias (Senado, 30,06%) e Osmar Dias (governo, 2º turno). De 2014 em diante, o partido perde a condição de nacionalizar candidatos: Marcio Pauliki e Nelson Luersen (2014) e Luersen de novo (2018) saem da Alep sem substitutos. Em 2022, só Goura se segurou. Em 2026, nem Luersen, nem suplentes do próprio núcleo "requiãozista" — Thadeu e Rodrigo Cruz Requião, parentes do candidato ao governo — ultrapassaram o quociente eleitoral.

E as prefeituras? Também está acabando

O declínio aparece com força também no município. Em três ciclos sucessivos nas eleições gerais, o PDT paranaense foi de 32 prefeituras em 2016 para 5 em 2024:

CicloPrefeitos PDT PRVereadores PDT PR
201632292
202017174
2024585

É a mesma trajetória — e no caso dos vereadores, a mesma proporção — que apareceu nos cargos estaduais. O partido perdeu base territorial e, sem base territorial, não forma candidato majoritário competitivo.

Por que Requião Filho não chegou ao 2º turno

A candidatura de Requião Filho tinha dois trunfos no papel: o sobrenome e a maior coligação de centro-esquerda do estado (PT, PSOL, Rede, PCdoB, PV, PRD e Solidariedade), com vice de centro — Michele Caputo (Solidariedade), ex-secretário de Saúde de Beto Richa e deputado estadual.

Os 23,47% que ele obteve dobraram o percentual do pai, Roberto Requião (PT), em 2022 — foram 10,8%. Mas três fatores barraram o 2º turno:

Primeiro, a performance de Sergio Moro. Com 50,10%, o PL tirou do jogo qualquer disputa de 2º turno. Em 2022, Lula fez 35,07% no Paraná contra Bolsonaro no 1º turno — e mesmo esse teto da esquerda paranaense em eleição presidencial seria insuficiente para alcançar Moro agora. O candidato do centro-esquerda só chegaria ao 2º turno se Moro tivesse caído abaixo de 50%. Não caiu.

Segundo, a geografia do voto PDT no estado. O ex-eleitorado requiãozista está onde o PT concentra suas 5 cadeiras federais paranaenses — Centro-Sul, Noroeste, parte do Sudoeste. Mesmo somando os votos de Requião Filho com os 23 municípios em que Lula venceu Bolsonaro no 2º turno de 2022 no PR, não há volume para alcançar o eixo RMC–Londrina–Maringá, que decidiu a eleição por Moro.

Terceiro, a conversão de capital pessoal em capital partidário. Nem o pai nem o filho conseguiram transferir votos para a lista proporcional do PDT: Roberto Requião, no retorno à política eleitoral pelo partido, teve apenas 79.921 votos como candidato a deputado federal — número abaixo do que o filho tinha isoladamente como deputado estadual em 2022 (85.676). Já não existe uma máquina paranaense da família.

O que o PDT tem para 2030

A sigla sai de 2026 com três ativos no Paraná:

Um deputado estadual, Goura, reeleito pela terceira vez consecutiva (2018, 2022, 2026) e com votação crescente (37 mil → 46 mil → 50 mil votos). É a única cadeira do partido na Alep e virou a identidade institucional do PDT paranaense — pauta ambiental, trânsito, Curitiba-centro.

Uma rede municipal residual, com cinco prefeitos eleitos em 2024, que podem se tornar palanque mínimo para 2028. O PDT tem presença nas regiões Sudoeste e Centro-Sul, mas sem concentração em cidades-polo.

E a marca Requião. Em 2026, foi o 3º lugar — mas foi, do campo de centro-esquerda, o nome que mais recebeu votos para o Executivo estadual. Se não houver recuperação do PT estadual até 2030, o PDT paranaense pode voltar a disputar a candidatura única da oposição a Moro — como fez em 2026.

Perguntas rápidas

Quantas cadeiras o PDT elegeu no Paraná em 2026? Uma cadeira, de deputado estadual (Goura, 49.778 votos). O partido não elegeu nenhum deputado federal nem senador paranaense em 2026.

Qual foi a votação de Requião Filho para o governo do Paraná? Requião Filho (PDT) teve 1.465.601 votos (23,47%), ficando em terceiro lugar — atrás de Sergio Moro (PL, 50,10%) e Sandro Alex (PSD, 25,37%).

Por que não houve 2º turno para governador no Paraná? Porque Sergio Moro ultrapassou 50% dos votos válidos no 1º turno, condição constitucional para eleição direta no 1º turno. Teve 50,10%.

O PDT já teve mais força no Paraná? Sim. Em 2002, o partido fez 9,09% para deputado federal e 30,06% para senador (Álvaro Dias). Em 2010, Osmar Dias chegou ao 2º turno do governo com 45,63%. De 2014 em diante o partido entrou em declínio contínuo no estado.

O PDT perdeu representação federal do Paraná em 2026? O PDT paranaense está sem representação na Câmara Federal desde 2022 — em 2018, Gustavo Fruet (PDT) foi o único eleito pelo PR, e desde então a bancada está zerada. Em 2026, nem Roberto Requião, candidato a deputado federal pelo partido, conseguiu se eleger.

Quantas prefeituras o PDT tinha no Paraná antes das últimas eleições municipais? Em 2016 eram 32 prefeituras, em 2020 caíram para 17 e em 2024 para 5. A base de vereadores também encolheu de 292 (2016) para 85 (2024).


Leia também: Ratinho Junior não fez o sucessor: Sergio Moro é o novo governador do Paraná e o especial de candidatos do Paraná 2026.

Fonte: TSE (apuração oficial de 04/10/2026) e base histórica integrada do Plural (dados/candidatos.duckdb, 1998–2024). Última atualização: 5 de outubro de 2026.

  

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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