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Só quatro vereadores assinaram projeto para limitar número de moções na Câmara de Curitiba

Proposta precisa de 13 assinaturas. Segundo vereadora Laís Leão, seriam necessárias 21 sessões para discutir todas as moções previstas atualmente, mas a Casa só tem 12 sessões por mês

Só quatro vereadores assinaram projeto para limitar número de moções na Câmara de Curitiba
A vereadora Laís Leão, autora da proposta. Foto: Rodrigo Fonseca/CMC
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Só quatro vereadores assinaram o projeto que limita o número de moções apresentadas a cada mês na Câmara Municipal de Curitiba (CMC). O objetivo é reduzir o número de debates sem ligação com a cidade, que marcaram os primeiros meses de trabalho do Legislativo municipal – neste ano, os parlamentares já debateram, entre outras, moções de repúdio à cantora Anitta e de apoio a Donald Trump e à proposta de “anistia” para suspeitos de tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023.

O projeto foi apresentado pela vereadora Laís Leão (PDT) e inscrito no sistema, para coleta de assinaturas, no dia 19 de fevereiro. Por se tratar de um projeto de resolução, que altera o Regimento Interno da Câmara, a proposta precisa do apoio de pelo menos um terço dos vereadores para começar a tramitar (13 assinaturas). Além de Laís Leão, assinaram o projeto os vereadores Angelo Vanhoni (PT), Da Costa do Perdeu Piá (União) e Marcos Vieira (PDT).

Previsão não cabe no mês

Pela proposta de Laís Leão, cada vereador só terá direito a apresentar uma moção por mês – atualmente são permitidas cinco por parlamentar. A regra atual prevê dez minutos para o vereador discutir a proposição, prorrogáveis por mais dez minutos. Laís Leão fez um cálculo: se cada vereador apresentar cinco moções e utilizar o tempo máximo, cada parlamentar terá uma hora e 40 minutos de fala por mês só com moções.

Como a Câmara é composta por 38 parlamentares, se cada um deles apresentar cinco moções por mês e utilizar os 20 minutos previstos no Regimento, seria utilizado um total de 63 horas e 20 minutos, ou mais de 21 sessões – em média, a Câmara tem 12 sessões por mês.

“As moções foram usadas como subterfúgio para conseguir discutir pautas que não são pautas da competência dos vereadores. A gente chegou a sugerir que isso poderia ser uma campanha antecipada de alguns vereadores, para talvez tentar um trampolim para deputado federal. E isso não é o objetivo da Câmara Municipal.”
Laís Leão, vereadora e autora da proposta

Na justificativa do projeto, a vereadora lembrou que um terço de uma sessão realizada neste ano foi destinada a esse tipo de discussão.

“A mídia já repercutiu amplamente casos recentes em que a Câmara de Curitiba gastou tempo excessivo debatendo moções sem impacto direto na vida da população. Exemplo disso foi a sessão em que um terço do tempo foi consumido por moções de repúdio e apoio a figuras políticas nacionais e internacionais, como o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e a deputada federal Erika Hilton. Outro caso notório foi a moção de repúdio contra a cantora Anitta, cujo show foi alvo de críticas de um vereador desta Casa”, justificou Laís Leão no projeto.

No início do mês, o presidente da Câmara de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), disse em entrevista que estudaria a alteração com os líderes da Casa. Além de reduzir o número de moções que podem ser apresentadas por mês, a intenção seria diminuir o tempo de debates. A última informação da Câmara é que o tema foi discutido na reunião de líderes do dia 7 deste mês, mas que não houve definição.

José Marcos Lopes

José Marcos Lopes

Jornalista formado pela UFPR.

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