O candidato do PL ao governo do Paraná, Sergio Moro, prometeu construir um presídio de segurança máxima no estado e batizá-lo de El Salvador, em homenagem ao presidente do país, Nayib Bukele, conhecido por desrespeitar os direitos humanos e o devido processo legal. O anúncio de Moro foi feito em São Paulo, neste domingo (30), em evento com o candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, e o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro.
As denúncias de que um regime de exceção foi instalado em 2022 em El Salvador, quando Bukele chegou à presidência, vêm sendo feitas pela organização Human Rights Watch (HRW). Um relatório feito em 2022 pela HRW documentou práticas de detenções arbitrárias em massa, tortura, desaparecimentos, mortes de pessoas sob custódia do Estado e processos criminais abusivos.
Segundo o relatório de 98 páginas, chamado "'Podemos prender quem quisermos’: Violações Generalizadas de Direitos Humanos sob o 'Estado de Exceção' de El Salvador”, só em 2022 o governo de Bukele prendeu 58 mil pessoas de forma arbitrária, incluindo 1,6 mil crianças e adolescentes.
Nos últimos três anos, mais de 90 mil pessoas já foram presas no país sem acusação formal, com base no Estado de Emergência decretado por Bukele em 2022, que já foi prorrogado 45 vezes. Aliado do presidente norte-americano Donald Trump, o governo de El salvador tem recebido deportados dos Estados Unidos sem julgamento ou acusação formal.
Neste ano, segundo a HRW, o governo de Bukele eliminou mecanismos de controle sobre o Executivo e intensificou a repressão contra defensores de direitos humanos, jornalistas e críticos de sua administração. Em julho, o Legislativo removeu os limites de mandato presidencial – Bukele foi reeleito em 2024, apesar de a Constituição do país vedar a reeleição sucessiva.

Segundo Moro, a escolha do nome "Presídio El Salvador" é uma "homenagem aos resultados obtidos pelo país no combate à criminalidade e às organizações criminosas". O candidato não comentou as denúncias de prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e mortes sob custódia do Estado – como não comenta prisões determinadas por ele quando era juiz federal, como as de agricultores no interior do Paraná em 2013, todos inocentados posteriormente pela Justiça por falta de provas.
