Após a desistência de Sergio Moro (PL), o candidato do PSD ao governo do Paraná, Sandro Alex, anunciou que não participaria do debate da TMC/Universidade Positivo, na noite desta quarta-feira (26) em Curitiba. Com isso, o debate foi transformado em uma sabatina de uma hora de duração com Requião Filho (PDT), único convidado que confirmou presença no Teatro Positivo. Moro faltou aos dois debates já agendados nesta campanha – ele não esteve na Band Paraná, no dia 9.
Segundo a TMC, a equipe de Moro participou da reunião prévia e assinou o documento com as regras do encontro. Às 15h51 desta quarta, a pouco mais de quatro horas do debate programado para as 20h, a campanha de Moro informou a TMC por e-mail que o candidato não participaria.
Sandro Alex divulgou nota às 17h44 para informar que não compareceria em função da desistência de Moro. "As regras, o formato e toda a dinâmica deste debate foram construídos considerando a participação dos principais candidatos. A própria equipe de Sergio Moro participou das agendas prévias de organização. Com a nova desistência dele, no entanto, esse cenário muda. O que foi planejado como um confronto direto de ideias entre os três candidatos passa a ter outra configuração, diferente do objetivo original".
Requião Filho confirmou presença às 18h42 e criticou as ausências. “Se os candidatos estão fugindo da população agora, imagina o que não fariam sentados em suas cadeiras, em gabinetes, depois que não precisassem mais pedir o voto de confiança da população”, disse o candidato do PDT.
Requião 2.0, pedágio e segurança
Na sabatina, Requião Filho respondeu a perguntas feitas por jornalistas da TMC, professores e estudantes da Universidade Positivo. Ao comentar sobre o PIB do estado e como manter o crescimento, afirmou que pretende reduzir o custo da energia, a tarifa de água e a alíquota do ICMS.
O candidato foi questionado sobre o risco de se tornar um "Requião 2.0", uma referência a seu pai, o ex-governador Roberto Requião. "O governo dele terminou quando ele saiu do governo. O meu começa quando eu assinar a posse", respondeu.
Para Requião Filho, falta estrutura para as Delegacias da Mulher e para o combate à violência de gênero. "Tem candidato a governador que prega discurso do ódio e do machismo, da submissão da mulher ao homem. Praticamente um discurso redpill, e esse discurso é repetido nas Câmaras de Vereadores, nas Assembleias e no Congresso". A prioridade na área da segurança, disse, será investir nos agentes – policiais militares, civis e agentes penitenciários – e em inteligência para promover um "estrangulamento financeiro do crime organizado".
Ele criticou o governador Ratinho Jr (PSD) e o governo federal pela implantação do novo pedágio no estado. "O pedágio foi desenhado e escrito pelo Sandro Alex, pelo Ratinho e pelo Tarcisio de Freitas (governador de São Paulo) quando era ministro do Jair Bolsonaro, e foi suspenso durante a reeleição do Ratinho. Sandro Alex foi fazer festa na B3 e prometeu que ia ser 50% mais barato".
Copel e escolas cívico-militares
Requião Filho prometeu cancelar o processo de privatização da Celepar e "buscar retomar o controle" da Copel. "Vamos auditar a privatização, há indícios de que documentos não estão corretos", afirmou. "O estado recebeu R$ 3,2 bilhões pela venda da Copel. Esse dinheiro já acabou. Pagou precatório para amigo do governador, virou obra eleitoreira". Se for eleito, ele pretende criar um fundo para o estado readquirir as ações da Copel que foram vendidas.
O candidato disse ainda que pretende acabar com o programa de escolas cívico-militares no estado. "Não tem comprovação nenhuma de que elas são escolas melhores. Prefiro que os policiais estejam inseridos nas escolas fazendo a ronda, garantindo a segurança de alunos e familiares", afirmou. "Engraçado o pessoal da direita dizer que tem que bater continência para a bandeira do Brasil, quando a bandeira que eles gostam é a norte-americana".
Nas considerações finais, Requião Filho criticou Sandro Alex e ironizou Sergio Moro. "Um quer continuar vendendo as empresas estratégicas do Paraná e aumentando o custo estadual, continuar tratando mal os policiais, os professores e os profissionais da saúde", comentou. "Eu queria agradecer a Universidade Positivo, em especial os alunos de gastronomia, estava maravilhoso o lanche. Eu vim esperando jantar o marreco, mas você serviram pato. Melhor ainda".