Desde o dia 28 de janeiro deste 2026 um imóvel da União na Dr. Fraive, em Curitiba, foi ocupado por cerca de 50 famílias ligadas ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). O prédio, para eles, virou opção de moradia devido aos preços elevados dos aluguéis em Curitiba. O MLB batizou a ocupação de “Francisco Bernardo”.
Segundo o Índice FipeZAP, o preço médio do aluguel residencial em Curitiba chegou a R$ 46,42 / m² em dezembro de 2025. Já de acordo com o Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar) houve aumento de 18,3% sobre o ticket médio do aluguel em novembro de 2025 (R$ 2.357) no comparativo com o mesmo período do ano anterior.
Outro problema habitacional em Curitiba é que existe um déficit de ano menos 50 mil moradias, conforme dados de 2023 da Companhia de Habitação Popular (Cohab).
Este cenário provocou a mobilização das famílias da ocupação. Uma das pessoas que vive no local é Reginaldo Nunes, que é militante do movimento. “A gente tamo (sic) na fila da Cohab há dezesseis anos, pagando o aluguel cada vez mais caro, e a tendência só piora, as taxas imobiliárias aumentam, pra tudo você precisa de um fiador, um calção, faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa”, lamenta.

Outra moradora da ocupação é Queila Caroline de Souza, que mobilizou outras pessoas para integrar o movimento. De acordo com ela, os membros do MLB são pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade. “[São] todas as moradoras de comunidades que estavam em extrema necessidades. Crianças passando fome. Não tinha água, não tinha energia dentro da casa porque moram dentro de comunidades, em áreas de extremos riscos. Porque estavam morando perto de valetas que nem em Araucária, onde tem sete comunidades. Então a gente pegava e batia de porta em porta, mostrava o movimento, mostrava a nossa luta e chamava as famílias para lutar. Vamos lutar? vamos pelos nossos direitos, vamos sair dessas condições? E assim foi”, explica.
Nesta semana a energia no local foi ligada pelos ocupantes, que também pretendem providenciar água. O espaço deve ser dividido para separar os núcleos familiares e também há “creche” para crianças.
Prédio está condenado
Nesta semana a Prefeitura de Curitiba publicou nota explicando que o imóvel foi devolvido à União em 2019. O texto diz, no entanto, que a administração “acompanha a situação”.
Já de acordo com a Superintendência do Patrimônio da União no Paraná (SPU-PR), o prédio não estava ocupado porque há um laudo que determina a “demolição controlada do bem”, ou seja, o imóvel está condenado.
A SPU argumentou que o prédio terá de ser desocupado por questões de “perigo eminente” às pessoas que estão alojadas ali. “O Governo Federal entende que pode e deve ser cobrado, o próprio presidente em seu discurso de posse disse isso e reiterou durante os últimos três anos, mas o fato é que colocar pessoas num prédio que está estruturalmente condenado é de uma irresponsabilidade muito grande”, explicou ao Plural o superintendente da SPU, Thadeu Drehmer de Mello e Silva.
