A disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná movimenta, até agora, R$ 42,7 milhões entre os 615 candidatos a deputado estadual — e esse dinheiro está longe de ser dividido por igual. No topo da arrecadação, um punhado de nomes já reúne quase R$ 1 milhão cada, enquanto 215 candidatos não movimentaram um único centavo.
O candidato a estadual mais bem financiado do estado é Ademir do Carmo Rodrigues, o Do Carmo (Podemos), com R$ 1,25 milhão. Logo atrás vêm Andressa Bianchessi (União), com R$ 982 mil, e Secretária Márcia (PSD), com R$ 940 mil.
| # | Candidato | Partido | Captado |
|---|---|---|---|
| 1 | Do Carmo | Podemos | R$ 1,25 mi |
| 2 | Andressa Bianchessi | União | R$ 982 mil |
| 3 | Secretária Márcia | PSD | R$ 940 mil |
| 4 | Delegada Tathiana Guzella | PL | R$ 905 mil |
| 5 | Jessicão | PL | R$ 900 mil |
| 6 | Zé Luiz | PL | R$ 850 mil |
| 7 | Marcio Nunes | PSD | R$ 826 mil |
| 8 | Ney Leprevost | Republicanos | R$ 724 mil |
| 9 | Cantora Mara Lima | Republicanos | R$ 705 mil |
| 10 | Tati | PL | R$ 607 mil |
É dinheiro público — e quem decide são os partidos
O que sustenta esses caixas não é uma rede de doadores nem fortuna própria: é o fundo eleitoral, dinheiro público repartido pelos partidos. Entre os estaduais do Paraná, 83% de tudo o que foi arrecadado veio do FEFC ou do fundo partidário. Praticamente todos os dez primeiros são financiados quase inteiramente pelo fundo — a exceção é Marcio Nunes (PSD), cujo caixa vem majoritariamente de outras fontes.
Na prática, estar no topo da arrecadação significa ter sido escolhido pela direção do partido para receber o grosso do fundo. É uma decisão política: a legenda aposta suas fichas — e o dinheiro do contribuinte — em quem acredita ter mais chance de se eleger.
O equilíbrio que a lei fabricou
Há um dado que salta quando se olha o topo da lista: entre os 20 candidatos a estadual mais bem financiados, são exatamente 10 mulheres e 10 homens. O equilíbrio não é espontâneo — é efeito da regra que obriga os partidos a destinar ao menos 30% do fundo eleitoral a candidaturas femininas. Onde o dinheiro é de repartição obrigatória, as mulheres aparecem no topo em pé de igualdade; é nos recursos que os partidos distribuem com mais liberdade que a diferença reaparece.
Explore: o dinheiro de cada candidato, por origem
No painel abaixo, é possível ver os 615 candidatos a deputado estadual do Paraná, agrupados por partido, com o que cada um arrecadou decomposto pela origem do recurso — fundo eleitoral, fundo partidário, doações privadas e recursos próprios. Selecione um partido e passe o mouse sobre cada candidato.
Deputado estadual no Paraná — de onde vem o dinheiro de cada candidato. Os 615 candidatos, por partido, com a arrecadação decomposta pela origem (dado de 6/9/2026). Selecione um partido e passe o mouse sobre um nome.
Fonte: prestação de contas eleitorais 2026 (TSE). Barras na escala do maior valor entre os estaduais (R$ 1,25 mi). Compilação da Plural.
Fonte
Prestação de contas eleitorais de 2026 (TSE, Dados Abertos), na atualização de 6 de setembro de 2026, para os candidatos a deputado estadual registrados no Paraná. "Captado" são as receitas declaradas por cada campanha até a data; as despesas costumam ser lançadas com defasagem. "Dinheiro público" soma o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e o Fundo Partidário. Compilação da Plural.