O ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) fez um vídeo na noite desta quinta-feira que deixa absolutamente claro o que está em jogo na eleição para o Senado no Paraná. Conforme registrou o repórter José Marcos Lopes, o representante do lavajatismo na disputa não apenas reclama das decisões contrárias a ele tomadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como também dá a entender que seu verdadeiro objetivo não é necessariamente se eleger, mas sim evitar a vitória de Gleisi Hoffmann (PT).
No vídeo, Deltan admite, talvez pela primeira vez com clareza, que existe a chance de ele ter sua candidatura indeferida pelo TSE - seja antes ou depois da eleição. Evidentemente, reclama de perseguição e diz que os ministros que estão tomando decisões contra ele são suspeitos de lulismo. Registra que teve sua candidatura deferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o que é verdade, e considera um absurdo não poder pedir votos e ter sua conta social fechada (depois de ele desrespeitar decisões judiciais de suspender a campanha, diga-se).
Mas o trecho mais ilustrativo vem quando ele fala em Gleisi. A deputada e ex-presidente do PT seria, segundo ele, a grande vencedora com as decisões que suspendem sua campanha e que podem apontar para um indeferimento de registro. Sem ele, a petista teria maiores chances de vitória. Mas Deltan deixa claro que joga com a possibilidade de só ser cassado depois do 4 de outubro. E, do ponto de vista dele, depois de ele ter assegurado a derrota de Gleisi.
Assim, a cassação levaria a um novo pleito, uma eleição suplementar. E, nessa situação, diz ele, Gleisi teria de disputar de novo, dessa vez contra uma direita unida em torno de outro candidato. O candidato do Novo insiste que não é isso que ele deseja. Que acha justa a sua eleição e que é para isso que está trabalhando. Mas o plano anti-Gleisi finalmente fica exposto.
A ideia de barrar o PT no Senado faz parte de um plano maior da extrema direita brasileira, que pretende garantir maioria nas duas Casas do Congresso. Se isso vier com a Presidência, seria o cenário perfeito para Deltan e seus aliados. Mas, mesmo que Lula ganhe o Executivo, o Congresso poderia impedi-lo de governar e fazer o que quiser com o Supremo Tribunal Federal, por exemplo.
O Paraná é importante nesse cenário, assim como o Rio Grande do Sul e São Paulo. São estados em que o bolsonarismo tem chances reais de aumentar sua bancada mas em que enfrenta candidaturas progressistas consistentes, como as de Manuela Dávila, Simone Tebet e Marina Silva (será coincidência serem, como Gleisi, todas mulheres?).
Mas o caso de Gleisi é ainda mais importante. Vista como um símbolo do petismo e uma aliada de primeira linha de Lula, a candidata é uma pedra no sapato do bolsonarismo e é tida como alvo preferencial. Deltan, agora, deixou isso mais claro do que nunca.