O ex-governador Alvaro Dias, agora filiado ao MDB, parece ser a única possível novidade até o momento na disputa pelo Governo do Paraná neste ano. A pesquisa divulgada nesta sexta (23) testa o seu nome contra os rivais que estão já colocados na praça há bastante tempo. E Alvaro, aparentemente, se sai bem.
A pesquisa, é importante lembrar, foi encomendada pelo próprio MDB, que acolheu Alvaro depois de sua saída do PSDB, no fim do ano passado. Por isso ele é o único candidato que aparece em todos os cenários para o Governo e também em todos os cenários para o Senado. O interesse era medir suas chances. E, como ninguém é tolo, mostrar ao mundo o bom resultado.
Estamos ainda há oito meses e tanto das eleições, e como todo mundo que acompanha política sabe, a essa altura, sem campanha na rua, o que pesa é a lembrança que o eleitor tem do nome. O chamado "recall".
Alvaro está na política desde 1968, quando foi eleito vereador por Londrina. Foi deputado estadual, deputado federal, quatro vezes senador e governador por um mandato. É evidente que boa parte do eleitorado sabe de quem se trata. E ao ver seu nome contrastado com, digamos, Guto Silva (PSD), um virtual desconhecido da população, tende a correr para aquele que conhece.

Isso não quer dizer que Alvaro esteja perto de um segundo turno ou algo parecido. Primeiro, existe o problema de conseguir arregimentar um grupo político para apoiá-lo. O MDB hoje não tem uma fração do poderio que tinha o PMDB quando Alvaro se elegeu governador, logo depois do fim da ditadura. Seria preciso ter mais partidos, e toda a centro-direita já está Com Ratinho Jr. (PSD).
Por outro lado, é difícil que Alvaro consiga convencer o governador a abrir mão de seus correligionários que estão há tempo na pista (Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca) para apoiá-lo. Não faria muito sentido.
Mesmo que emplaque uma candidatura meio avulsa e sem apoios no mundo político, restaria convencer o eleitor a votar outra vez no velho governador - um homem de 81 anos que nas últimas eleições para o Senado acabou apenas em terceiro lugar.
Alvaro está longe de ser um político desprezível. É hábil, experiente e sempre foi bom de voto. Mas está distante de seus melhores momentos. E é difícil apostar que tem como reverter o que o tempo fez com ele e com a política local.