Grupo que comprou Sercomtel leva Copel Telecom | Jornal Plural
9 nov 2020 - 15h18

Grupo que comprou Sercomtel leva Copel Telecom

A empresa Bordeaux venceu o leilão e vai pagar R$ 2,395 bilhões pela estatal de telecomunicações do PR

Dos quatro grupos habilitados para o certame, a Bordeaux Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia venceu o leilão de privatização da subsidiária de telecomunicações da Companhia Paranaense de Energia (Copel), a Copel Telecom, na tarde desta segunda-feira (9). A vencedora é a mesma que arrematou, em agosto, a compra do Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina (Sercomtel).

Ligada ao empresário baiano Nelson Tanure, que já foi acionista da Oi, a Bordeaux levou a Copel Telecom por R$ 2,395 bilhões. O total é cerca de 71% a mais do valor mínimo de R$ 1,4 bi estabelecido em edital para a alienação de 100% das ações do ativo da empresa, líder de mercado na oferta de fibra óptica no Paraná. Esta foi a primeira venda de empresa estatal do Paraná desde o Banestado, em 2000.

Participaram ainda do leilão, realizado pela bolsa de valores de São Paulo B3, o grupo mineiro Algar Soluções em Tic S/A, com proposta final de R$ 2,385 bilhões, e os consórcios Calgari e Economia Real, que ofertaram, respectivamente, R$ 1,402 bilhão e R$ 1,750 bilhão.

Com a venda, a vencedora terá direito de uso dos locais de torres, antenas e demais instalações da rede da Copel Telecom. Assumirá ainda a posse de todos os 36 mil quilômetros que compõem a rede de fibra óptica instalada – a maior em todo o Paraná. Além disso, a empresa também herdará os 381 contratos ativos de fornecimento de serviços para clientes corporativos.

Líder de mercado, a subsidiária tem hoje cerca de 300 mil clientes e atende os 399 municípios paranaenses. Do ponto de vista social, a Copel Telecom, fundada em 1998, promove inclusão digital em 2,2 mil escolas da rede estadual.

“Funcionários não serão vendidos”

O leilão ocorre menos de dois meses depois da aprovação e da regulamentação da venda em edital, publicado no dia 21 de setembro. A expectativa é que o processo de transição se complete, no máximo, até meados de 2021. Até lá, funcionários da Copel devem ser absorvidos nas outras ramificações da empresa.

“Esse é um processo de privatização onde as pessoas não estão incluídas. Os funcionários não serão vendidos juntos e todos eles serão transferidos para o Grupo Copel Energia”, afirmou em entrevista, após o fim do leilão, Wendell de Oliveira, diretor-geral da Copel Telecom.

Apesar de estar sendo contestada por ações distintas na Justiça, a venda ocorreu em clima de festa. Sob gritos de viva de representantes do governo do Paraná e da empresa vencedora, houve troca de abraços e apertos de mãos, contrariando as normas de segurança sanitárias estabelecidas por causa da pandemia do coronavírus.

“Modernização”

Presente na sessão, o governador Ratinho Jr. (PSD) comemorou o arremate e afirmou que a venda da subsidiária representou o pontapé de uma série de privatizações que vêm sendo costuradas pelo Executivo do Paraná. Dentro do plano, chamado de “pacote de modernização”, estão ainda a Compagás, distribuidora de gás cuja acionista majoritária é a Copel, os pátios do Detran, quatro aeroportos do estado, a Ferroeste, linha férrea operada pelo governo, e 4 mil quilômetros de rodovias federais e estaduais.

“Esse recurso vai ser investido naquilo que é a expertise da Copel, que é a transmissão e geração de energia”, declarou o governador. Ele acrescentou que, “a princípio”, o governo não pensa em privatizar nenhuma outra subsidiária da companhia.

Contestações

Na última sexta-feira (6), uma ação popular tentou suspender o leilão de privatização da empresa sob alegação de que a Justiça ainda precisa decidir sobre o processo de avaliação do valor ofertado. O argumento é de que a contratação do Banco Rothschild para análise dos bens e ativos da Copel Telecom foi realizada sem licitação.

O motivo da privatização também vem sendo discutido. De acordo com gestão de Ratinho Jr., a venda é necessária porque nos últimos dois anos a empresa não teria conseguido manter os bons resultados de antes – entre 2010 e 2018, a estatal acumulou lucro líquido de R$ 510,6 milhões.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no entanto, lançou um estudo que diz que os mesmos argumentos que o Executivo usa para defender a venda poderiam ser vistos como argumentos contra a privatização. O levantamento aponta que o índice da dívida líquida da empresa em proporção com o valor acumulado por ela caiu de 2,7 em 2018 para 1,2 em 2019. Isso indica que o endividamento não apenas estava sendo controlado como abria possibilidades de investimentos sustentáveis para a estatal.

Outro ponto questionado por representantes sindicais e da sociedade civil é a qualidade da conectividade da população e a função social hoje cumprida pela subsidiária.

“Em municípios pequenos o acesso à internet é subsidiado para garantir que as pessoas tenham acesso ao conhecimento. Dessa forma, esse direito básico do ser humano é garantido. Esse é o papel social dessa empresa”, defendeu recentemente o presidente do Sindicato de Engenheiros do Paraná (Senge-PR), Leandro Grassmann.

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4 comentários sobre “Grupo que comprou Sercomtel leva Copel Telecom

  1. Que o ratinho não tinha nenhuma expertise em administração publica ja era notório, e de negócios deve ter aprendido com o pai (Ratão) a negociar café no bule, clinicas dentárias e por ai vai…
    Agora a onda de privatizar ja começou, assim como a patifaria de militarizar escola pra isentar o estado de gerir. Uma pena , mais um governo pífio no Brasil

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