Coronavírus: é hora de entrar em pânico? | Jornal Plural
30 jan 2020 - 22h11

Coronavírus: é hora de entrar em pânico?

Dados preliminares explicam o que esperar da doença e porque a OMS declarou Emergência Global. E explicamos por que, por enquanto, não há motivo para desespero

Passageiros do transporte público usam máscaras em Shenzhen, China. Foto: ONU Info/Jing Zhang

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou nesta quinta, dia 30 de janeiro, Emergência Internacional de Saúde Pública por conta da disseminação de casos do novo coronavírus da China para outros países. Com a declaração, a OMS assume o papel de cobrar dos países ao redor do planeta as medidas que estão tomando para evitar a disseminação da doença.

A Emergência foi declarada após novos dados mostrarem que, apesar das medidas tomadas pela China para contar o vírus, a doença continua a avançar. Segundo a diretor-geral da OMS, Tedros Adhanam, a medida é resultado não do que está acontecendo na China, mas da fragilidade de sistemas de saúde em outros países.

A organização pode tomar medidas e providenciar apoio para países vulneráveis como forma de impedir que uma epidemia se estabeleça.

Além da decisão da OMS, nos últimos dias de janeiro a British Airways e a Itália anunciaram suspensão de vôos de e para a China. E a Rússia fechou a fronteira chinesa.

A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba capacitou 400 profissionais da área sobre o coronavírus.
A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba capacitou 400 profissionais da área sobre o vírus. Foto: divulgação.

Mas a mudança de status da situação é sinal de que é hora de se preocupar?

Não exatamente.

Se você não viajou ou vai viajar para a China ou ter contato com alguém que esteve naquele país, relaxe. As medidas de prevenção contra a doença são as mesmas da H1N1 e ainda não há caso confirmado na América do Sul.

O que sabemos até o momento é que o novo vírus apareceu nos últimos dias de 2019 e fez sua primeira vítima em Wuhan, na China. Até o momento, são 7818 casos diagnosticados e 170 mortes, um índice de mortalidade de cerca de 2%.

Um estudo preliminar publicado por uma equipe de pesquisadores chineses comparou a nova doença com a SARS, Síndrome respiratória aguda grave, que se expandiu rapidamente na China em 2002 e 2003. Os dados levantados pelos chineses com base em 830 casos registrados de 29 de dezembro de 2019 e 23 de janeiro de 2020.

A conclusão da análise é que o novo coronavírus tem R0 semelhante ao da SARS, mas que já se mostra alto ainda nesse início de epidemia. R0 é o número que estima quantas pessoas são infectadas a partir de um único doente. O trabalho chinês estima o R0 do coronavírus em 2,9 em 23 de janeiro, mas também estipula que ele está numa tendência de queda. A título de comparação, os pesquisadores informam que a SARS tinha R0 1,77 em 23 de janeiro de 2003.

Para os chineses, a redução no R0 é um indício de que as medidas de contenção tomadas pelo governo chinês estão funcionando. Por outro lado, o período de incubação médio do novo coronavírus é de 4,8+-2,6 dias. Mas o que chama a atenção nos dados é que, ao contrário do SARS, o coronavírus pode ser transmitido por pacientes sem sintomas ou casos leves da doença e no período de incubação.

Por isso as medidas de contenção, de diagnóstico precoce são tão importantes. É essa razão que, os dados disponíveis nos informam, para a atuação da OMS e as medidas radicais tomadas contra a expansão da doença.

A situação pode mudar?

Sim, estamos ainda bem no início da situação e os dados sobre o vírus são preliminares e incompletos. Mas tanto a OMS quanto as autoridades de saúde brasileiras insistem que é extremamente importante a detecção precoce da doença.

Portanto, pessoas que estiveram na China ou tiveram contato com pessoas que estiveram lá e que apresentarem sintomas respiratórios, febre, tosse e dificuldade para respirar devem procurar um serviço de saúde. É fundamental informar se houve contato com a China ou com uma pessoa que esteve lá nos últimos 30 dias.

O que não fazer?

Mais importante do que se prevenir durante uma situação de risco de epidemia, é tomar alguns cuidados para não criar pânico desnecessário. Então esteja atento(a) para:

  • não compartilhar/repassar informações falsas, exageradas. Na dúvida, não passe para frente
  • não saia comprando álcool gel e máscara cirúrgica. Máscaras são úteis para profissionais de saúde e demais pessoas em contato com pacientes contaminados. A compra desnecessária promovida pelo pânico só serve para prejudicar o fornecimento desses para quem realmente precisa e para inflacionar os preços
  • adquira o hábito de cobrir a boca ao tossir e de lavar a mão com frequência. Isso ajuda a prevenir várias doenças, inclusive o coronavírus
  • procure fontes qualificadas sobre o assunto.
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