31 ago 2021 - 17h16

Com conta de luz em alta, Copel quer aumentar a remuneração dos conselheiros

A diretoria da empresa não terá reajustes. O diretor-presidente segue recebendo R$ 67,6 mil mensais e os demais diretores R$ 57,3 mil

A crise hídrica que assola o Brasil – e de forma mais intensa o Paraná – levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a criar uma nova faixa tarifária, ainda mais cara que o patamar dois da bandeira vermelha. A chamada “Bandeira Escassez Hídrica” acresce R$ 14,20 a cada 100 kW/h. Com isso, os consumidores pagarão a tarifa mais cara já aplicada. A despeito disso, a Copel quer aumentar a remuneração de seus conselheiros. A tentativa de reajuste está na proposta da administração da companhia que será debatida em uma assembleia geral que acontece no dia 27 de setembro.

Não houve sugestão de reajuste para os diretores da companhia. O diretor-presidente segue recebendo R$ 67,6 mil mensais e os demais diretores R$ 57,3 mil.

A proposta eleva em 3,7% o valor total global pago para remunerar o conselheiros da empresa. Com isso, os custos anuais globais para manutenção dos conselhos ficariam da seguinte forma:

  • Conselho de Administração – R$ 1.021.172,96
  • Conselho Fiscal – R$ 811.741,26
  • Comitê de Auditoria Estatutário – R$ 991.878,21
  • Comitê de Indicação e Avaliação – R$ 312.840,06
  • Comitê de Investimentos e Inovação – R$ 200.010,34
  • Comitê de Desenvolvimento Sustentável – R$ 200.010,34
  • Comitê de Minoritários será de até R$ 72.000,00

As remunerações não foram reajustadas todas pelo mesmo patamar. Além disso, há previsões de pagamentos distintos para conselheiros funcionários da companhia e membros externos. Essas particularidades impedem uma listagem simples das remunerações individuais, mas é possível que se tenha uma ideia de quanto receberá cada conselheiro caso a proposta seja aprovada.

No Conselho de Administração, a remuneração dos membros deve passar de R$ 10,9 mil para R$ 14,7 mil. No Conselho Estatutário de R$ 15,9 mil para R$ 22,1 mil e no Comitê de Avaliação e Indicação de R$ 6,2 mil para R$ 7,3 mil.

A companhia argumenta que o reajuste é alinhar a remuneração com os valores praticados no mercado.

“A Copel conduziu levantamento com o objetivo de verificar as práticas do setor de energia elétrica e de empresas nacionais de capital aberto e fechado, com porte similar ao da companhia paranaense. Como resultado, identificou-se a necessidade de revisão da remuneração dos conselhos de administração e fiscal da companhia, a fim de garantir a atração e a manutenção de profissionais com adequada qualificação e, dessa forma, aprimorar e reforçar o sistema de governança corporativa da empresa”, disse, em nota, a Copel.

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4 comentários sobre “Com conta de luz em alta, Copel quer aumentar a remuneração dos conselheiros

  1. Engraçado que a companhia segue terceirizando todos os setores com a desculpa de cortar custos, mas aumenta o salário dos gestores com o argumento de se equiparar ao mercado, na verdade não passa de uma baita desculpa para continuarem a saquear a empresa.

  2. É uma enorme e incabível afronta ao povo do Paraná esse aumento dos salários dos conselheiros da Copel. A companhia argumenta que “o reajuste é alinhar a remuneração com os valores praticados no mercado “. Não estamos em época de aumentar salários de quem quer que seja. Quem ganha um ou poucos salários mínimos mereceriam um olhar mais apurado sobre um aumento de remuneração diante da impossibilidade de suportar os aumentos dos alimentos que houve nos últimos tempos. Mas nem em sonho é MORAL esse aumento dado pela Copel aos salários dos detentores desses citados cargos. Absoluta falta de respeito a todos os consumidores de energia elétrica, porque, certamente, esses valores serão acrescidos à tarifa paga pelos consumidores.

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