10 maio 2022 - 13h29

Apoiadores de Renato Freitas fazem protesto em defesa do mandato e dizem que vereador é vítima de racismo

Conselho de Ética se reúne às 14 horas para deliberar futuro do parlamentar

Apoiadores do vereador Renato Freitas (PT) fizeram um ato nesta terça-feira (10) em frente à Câmara Municipal de Curitiba pela manutenção do mandato do parlamentar. Lideranças se revezaram nas falas e críticas. O grupo permaneceu no local para acompanhar a votação do prosseguimento do processo de cassação, que ocorre ainda nesta terça, às 14 horas.

O petista enfrenta o processo de cassação depois que entrou na Igreja do Rosário, no Largo da Ordem, em fevereiro. Na ocasião manifestantes participavam de um protesto antirracista, que terminou com palavras de ordem dentro do templo religioso.

A Cúria Diocesana e diversos vereadores cristãos acusaram Freitas de ter invadido a Igreja durante a missa, o que resultou nos pedidos de cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar.

A defesa e o próprio parlamentar sempre afirmaram que a missa já havia acabado quando os manifestantes entraram na Igreja, informação corroborada pela Arquidiocese de Curitiba, que embora tenha registrado um boletim de ocorrência por invasão, recuou e enviou uma carta aos vereadores pedindo para que o mandato não seja cassado.

Freitas, por sua vez, pediu desculpas pelo protesto. “Meu pedido de desculpas foi para as pessoas que de forma realmente ingênua, realmente sincera, se sentiram ofendidas por algum motivo. A essas pessoas todas as nossas desculpas porque em nenhum momento foi o nosso objetivo ofender a eles nem a Igreja enquanto instituição. Ao contrário, a gente estava ali porque nos sentimos acolhidos, não à toa escolhemos a nossa Igreja”, disse ao Plural nesta terça-feira.

Trâmite

A Comissão de Ética e Decoro Parlamentar vota nesta tarde o prosseguimento do processo. Os trabalhos foram marcados por polêmicas e envolvimento de figurões para tentar influenciar os votos dos integrantes.

Um deles, Jornalista Márcio Barros (PSD) pediu afastamento depois que áudios nos quais articulava uma espécie de força-tarefa para pressionar a vereadora Noêmia Rocha a votar contra o petista vazarem.

Os pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia também tentaram persuadir a parlamentar. Ela disse ao Plural que nunca havia sido tão pressionada em toda sua vida.

Esses fatores, para Renato Freitas, demonstram que há uma perseguição contra ele na Câmara. “Infelizmente esta é uma demonstração da perseguição que a gente vem sofrendo, porque veja: membros da própria comissão de ética procurando fazer conluio, conspirando contra a gente, antecipando voto e não só antecipando voto, mas pressionando os demais membros para se alinhem pedindo minha cassação. Isso é inadmissível sob qualquer ponto de vista. No meu entendimento essa comissão de ética deveria ser dissolvida porque está contaminada com esse interesse pessoal em me cassar”, disse.

Racismo

Além disso, o petista também afirmou que não merece nenhuma punição. “Nenhuma [punição] seria justa porque estaria eu, e nós enquanto movimento negro conferindo legitimidade a uma elite branca, seja burocrática da câmara de vereadores, seja inclusive das forças eclesiais. A gente estaria conferindo a eles um selo de legitimidade de decisão sobre nossos meios e métodos de luta. Ninguém além de nós sabe a urgência da nossa luta e sabe os meios necessários para alcançar os objetivos necessários nesta luta. Então a gente não pode conferir a eles [os brancos] esse poder”.

Os deputados estaduais petistas Luciana Rafagnin, Tadeu Veneri, Professor Lemos e Arilson Chiorato estiveram no ato e foram uníssonos em dizer que Renato é vítima de racismo na Câmara de Curitiba.

“Estamos unidos contra o racismo, a favor do Renato. Ele não cometeu nenhum crime, por isso não pode ter o mandato cassado. Até o presidente da República, o governador do Paraná, foram às redes sociais se manifestar contra o Renato, que não cometeu crime. Mas eles não foram às redes sociais para chamar atenção, por exemplo, no caso do Arthur do Val, o Mamãe Falei, que cometeu crime. Não foram às redes sociais contra o deputado Fernando Cury (Cidadania), que cometeu assédio sexual contra a deputada Isa Penna (PSOL), na Assembleia Legislativa de São Paulo. Esses parlamentares que eu citei são brancos, cometeram crimes, mas quem foi vítima nas redes sociais do governador e do presidente da República foi o Renato”, criticou Lemos.

Para o presidente do PT no Paraná, Arilson Chiorato, o processo deve ser encerrado no Comitê. “Estou esperando que esse processo pare por aqui. A gente luta para que não aconteça essa injustiça. Se o Renato foi cassado ou o processo avançar, é mais uma injustiça. O Renato representa a voz da periferia, da população negra, vozes que às vezes nunca tiveram espaço e o que eles estão querendo fazer é politicagem. Eles estão querendo aplicar uma punição desproporcional ao ocorrido”, disse o parlamentar.

Representantes do movimento negro, MST, Núcleo Periférico, estudantes e religiosos também estiveram em frente à Câmara, assim como o deputado federal Zeca Dirceu (PT). “O Renato não está sendo processado pelo que aconteceu na Igreja, ele está sendo processado pelo que ele representa. Por ser negro, por ser da periferia, por ser um movimento de renovação dos métodos ultrapassados da política do nosso país e também da capital do nosso Estado. E nós estamos aqui colocando para fora essa indignação e fazendo um apelo à Câmara de Vereadores para que não cometa esse erro histórico porque isso vai ter repercussão em todo país”.

Guarda Municipal e Polícia Militar (PM) acompanham o protesto, que reuniu, até o fim da manhã, cerca de mil pessoas.

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4 comentários sobre “Apoiadores de Renato Freitas fazem protesto em defesa do mandato e dizem que vereador é vítima de racismo

  1. Sempre foi característica de movimentos petistas essas brutalidades contra aqueles que não somam na mesma causa de tornar nosso em uma Venzuela ou Cuba, que penos tenham a decencia. Se ao menos tivessem a decência de adimitir as besteriras que fazem. Covardes…

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