Mesmo antes da reforma, endividamento de idosos é o que mais cresce no país | Plural
11 jul 2019 - 22h49

Mesmo antes da reforma, endividamento de idosos é o que mais cresce no país

Reforma da Previdência deve prejudicar ainda mais situação de idosos no país

Dados do último levantamento do Serasa Experian sobre situação financeira dos consumidores apontam que, em maio deste ano, cerca de 9,5 milhões de idosos estão na lista de inadimplentes. Um ano antes, esse número era de 8,7 milhões. A parcela da sociedade que inclui aposentados e beneficiários de programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) está entre as que mais vêm se endividando nos últimos meses.

A aprovação do texto base da reforma da Previdência na Câmara Federal nesta quarta-feira (10) pode prejudicar ainda mais a situação financeira dos idosos ao dificultar o acesso à aposentadoria, fazendo com que o brasileiro pague por mais tempo para obter o benefício, chegando até idade avançada sem ter a renda garantida.

Os cerca de 810 mil idosos que passaram a incluir a fila dos endividados no último ano correspondem a 60% do total de 1,4 milhão de novos inadimplentes registrados no período. O aumento é quatro vezes maior que a taxa de endividamento da população total.

De acordo com dados do Serasa, entre maio de 2018 a maio de 2019 o número de inadimplentes passou de 61,4 milhões para 62,8 milhões, um aumento de 2,2%. Já entre as pessoas acima de 60 anos esse aumento no mesmo período foi de 9,3%.

No recorte geral de inadimplência, segundo o estudo do Serasa os principais segmentos de registro de dívidas são bancos e cartões de créditos, que respondem por 28% dos números de maio, seguidos de cesta de tarifas públicas como energia elétrica, água e gás, com 20% do total de endividamento. Empréstimos e leasing respondem por 10% das inadimplências do período de análise.

Uma vez aprovada a reforma da Previdência no modelo proposto, o cenário negativo para a população acima dos 60 anos pode ser ainda mais complicada com o impacto na fonte de renda das famílias. Segundo estudo divulgado nesta semana pelo Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental Aplicada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “as alterações no gasto com aposentadorias e pensões têm repercussões relevantes na economia, que vão muito além da busca do ajuste fiscal”.

Na análise econômica, os pesquisadores apontam que os impactos da redução do pagamento de benefícios podem ser diferenciados na sociedade, dependendo da renda familiar e a participação no mercado de trabalho. Em famílias com menor patamar de renda, por exemplo, com renda entre um e cinco salários mínimos, as aposentadorias podem em média responder por um quinto da renda da classe.

As medidas propostas pela PEC como originalmente circulada na Câmara, de acordo com o relatório, podem ocasionar “uma redução dos pagamentos e, consequentemente, da renda disponível das famílias. Menor renda significa menor consumo, menor atividade econômica e, portanto, menor investimento na economia. Essa redução de demanda, por sua vez, implica queda de preços na economia (ou redução da inflação) o que pode impulsionar as exportações e reduzir importações”.

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