Médico é preso em Guaratuba por não atender. Até onde vai a culpa do prefeito? | Jornal Plural
6 mar 2019 - 9h41

Médico é preso em Guaratuba por não atender. Até onde vai a culpa do prefeito?

Prefeitura se eximiu dizendo que problema é de terceirizada. Mas e quem foi que colocou a terceirizada lá? E quem devia fiscalizar isso?

Um médico foi punido por suspender o atendimento a pacientes de menor gravidade no Hospital Municipal de Guaratuba nesta segunda-feira. Rogério Perillo, contratado por uma terceirizada, afirmou estar há 60 dias sem receber salário.

Num vídeo que circula pela Internet, o médico, formado na UFRJ e contratado pela terceirizada Exalife para fazer os plantões, diz que atenderia “casos graves”, entre os quais incluiu o de crianças com febre. Fala que atendeu a uma criança com uma moeda na barriga. “O que não vai mais ser atendido é caso de posto de saúde como acontecia anteriormente”, diz.

Os pacientes chamaram a polícia e Perillo foi preso. Levado à delegacia local, assinou um termo circunstanciado. O Ministério Público acabou arquivando rapidamente a investigação, dizendo que as pessoas que compareceram par depor não só não apresentaram provas de omissão de socorro como teriam dito que se tratou de um “mal-entendido” (o que parece estranho, tendo em vista o que o médico fala no vídeo).

Agora, depois de dois dias, a prefeitura de Paranaguá, uma das responsáveis pela gestão do Consórcio de Saúde do Litoral, o Ceslipa, diz que o profissional será atendido. E dá toda uma explicação que põe a culpa exclusivamente na prestadora de serviços, a Exalife.

Segundo a prefeitura, a empresa apresentou a nota dos plantões de janeiro apenas na véspera do feriado de carnaval. Por isso os médicos ainda não teriam sido pagos. Mas isso será resolvido ainda nesta semana, diz a nota.

Evidente que pode ser uma explicação que satisfaz o prefeito Roberto Justus (DEM), de Guaratuba, filho do deputado Nelson Justus (DEM). Pode satisfazer também a mais alguém. Mas certamente não resolve nem o problema dos médicos que ficam sem receber e muito menos da população que ficou sem atendimento.

Nesses casos, a terceirização oferece uma desculpa cômoda para o gestor público. Basta dizer que foi falha da empresa, como se a prefeitura não tivesse nada a ver com o assunto (quando na verdade a terceirizada só está lá por obra e graça do prefeito, que se livrou do pepino e o passou adiante).

O médico, que foi brutal ao reduzir os atendimentos, agora diz que processará o consórcio por botar a culpa nele. E tem certa razão. Afinal, numa história como essa, culpados são todos. O médico só jogou para a população um problema que começa no gabinete do prefeito.

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