Três dicas de livros da UFPR de Natal | Jornal Plural
16 dez 2020 - 10h24

Três dicas de livros da UFPR de Natal

Editora universitária de Curitiba indica três presentes para este ano

O Plural está fazendo uma campanha para que você dê livros de Natal. Hoje publicamos dicas da Editora da UFPR. Se não achar seus presentes aqui, procure nos outros posts:

Livros nacionais
Autoras mulheres
Dicas de editoras locais
Indicações de Cristovão Tezza
Balaio de dicas
Autores de Curitiba

RODRIGO GONÇALVES, editor

Editoras universitárias, além de suas obras técnicas e acadêmicas, também produzem livros que interessam a todo mundo que gosta de ler (e descobrir leituras agradáveis mesmo entre livros técnicos e acadêmicos). A equipe da Editora UFPR escolheu alguns dos últimos lançamentos para indicar como presentes de Natal para as leitoras e os leitores do Plural Curitiba

Imaginação como presença: o corpo e seus afetos na experiência literária
Ligia Gonçalves Diniz
Editora UFPR

Ligia pergunta aos textos que lê do que eles são capazes e por quê. A resposta, que desenvolve neste Imaginação como presença, ampara-se em uma releitura dos conceitos de mímesis e representação em que outro conceito, o de presença, pudesse caber. Sua reflexão tem como horizonte a imaginação, que aparece não como algo abstrato, mas como uma espécie de operação mental com espessura física. Ao redirecionar a teoria literária para o exame da imaginação do leitor e de como ela opera na literatura, o texto de Ligia defende para o poema, a narrativa ou o conto uma potência que escapa da politização mais comum dos debates sobre representação, calcados em correção e reparação, para apostar na análise do que pode fazer alguém imaginar a partir da palavra escrita. (Daniele Carneiro)

O Presidente
Thomas Bernhard
Tradução: Gisele Eberspächer e Paulo Rogério Pacheco Junior
Editora UFPR

Na peça “O presidente”, o austríaco Thomas Bernhard ridiculariza o poder institucional e questiona os alicerces da república ao situar a ação num momento de profundo caos e anomia social, quando uma série de atentados políticos anarquistas vitima nomes importantes do governo. Os personagens principais desse drama irônico que estreou em 1975 são o presidente do título, um sujeito com anseios ditatoriais que acredita estar sofrendo um complô de toda a imprensa; a primeira-dama, falsamente dada a causas filantrópicas e apaixonada por um cachorro achado na rua; o capelão, que nunca aparece no palco, guru metido a intelectual, para quem tudo o que se move é “anarquista”; e a empregada que quase nunca fala. Tudo é amarrado com a mesma acidez e virulência com que o autor construiu seus mais famosos romances. E o final é bernhardianamente surpreendente. (Alan Santiago)

Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas
Linda Tuhiwai Smith
Tradução: Roberto G. Barbosa
Editora UFPR

Logo entre as primeiras linhas deste livro, Linda Tuhiwai Smith afirma, de maneira contundente, que “a palavra ‘pesquisa’, em si, é provavelmente uma das mais sujas do mundo vocabular indígena”. E o que confere o caráter de palavrão obsceno a esse termo, que para nós que somos ligados ao universo científico e acadêmico ocidental é um dos mais valiosos, é o fato de que, da perspectiva dos povos colonizados, a atividade a que ele se refere está indissociavelmente vinculada ao colonialismo e ao imperialismo europeu. Neste livro, a autora demonstra como a pesquisa científica serviu como instrumento valioso do colonialismo europeu, e como álibi e justificativa para a espoliação de bens culturais dos povos colonizados. A memória coletiva do imperialismo, presente, por exemplo, nos acervos dos diversos museus históricos e etnográficos do continente europeu, foi construída por meio de dispositivos metodológicos que priorizaram a coleta, a classificação e a reapresentação, sob um prisma ocidental, do conhecimento oriundo dos povos indígenas, relegando-os assim à mera condição de objetos de estudo. Ao fazer isso, alijou-os da posição de sujeitos do conhecimento sobre suas existências. Linda Tuhiwai Smith ressalta, porém, que “as populações indígenas do mundo fazem parte de uma rede de povos. Elas compartilham suas experiências de pessoas subjugadas, que tiveram suas terras e suas culturas saqueadas, e foram sujeitas também à negação de sua própria soberania por parte de uma sociedade colonizadora que chegou a dominar e determinar a forma e a qualidade de suas vidas, mesmo depois de ter se retirado formalmente.” Diante desse quadro, o que Descolonizando metodologias: pesquisa e povos indígenas propõe é exatamente o que seu título indica: uma nova metodologia, que possa servir aos povos indígenas para que estes produzam conhecimentos acerca de suas próprias comunidades, para que sejam sujeitos de seus próprios saberes. E que possa também assegurar que as pesquisas realizadas com esses povos pelos não indígenas sejam mais respeitosas, éticas e transformadoras. (Francisco Innocencio)

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