Netflix exibe animações geniais de Hayao Miyazaki | Jornal Plural
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7 fev 2020 - 9h49

Netflix exibe animações geniais de Hayao Miyazaki

Pacote tem cinco filmes e inclui “Meu amigo Totoro”, uma das obras-primas do cineasta japonês

Hayao Miyazaki está para o Japão como Walt Disney, para os Estados Unidos. Diferente do americano, que criou um mundo próprio habitado por animais diversos – patos, ratos, esquilos e cachorros –, o japonês gosta de misturar coisas palpáveis do dia a dia (como o vento nas árvores, uma sopa quentinha, a força da chuva, pai, mãe…) com coisas inexplicáveis (mundos paralelos habitados por criaturas com várias patas ou com asas, ou só peludas).

Miyazaki prefere mostrar primeiro o mundo como conhecemos, com casas, carros, campos e cidades – em uma arte encantadora –, para depois partir para um mundo absurdo, inexplicável, como se atravessássemos para o outro lado do espelho, com castelos ambulantes e peixes falantes. O efeito é mais intenso, mais espetacular. Amplificado pelo contraste.

É como uma espécie de realismo mágico – para usar o termo mais associado à literatura latino-americana, nos idos do século 20. (Embora hoje o escritor mais popular do Japão, Haruki Murakami, também passeie por esse mundo fantástico.)

A Netflix, que chegou a exibir pontualmente alguns filmes de Miyazaki, no último fim de semana estreou quatro títulos: “Porco Rosso – o último herói romântico” (1992), “O castelo no céu” (1986), “O serviço de entregas de Kiki” (1989) e (o melhor de todos) “Meu amigo Totoro”, de 1988. Somando “O castelo de Cagliostro” (1979), que já estava no acervo, a Netflix está exibindo quase metade da filmografia do mestre japonês. A quase-metade mais antiga.

Como diretor e roteirista, Miyazaki realizou algo perto de duas dúzias de curtas-metragens e onze longas-metragens. Neste momento, está trabalhando no décimo-segundo. Seu ápice talvez sido com “A viagem de Chihiro” (2001), quando recebeu o Oscar de melhor animação. Mas falar em ápice chega a ser injusto tamanha é a consistência de Miyazaki.

A diferença entre um bom desenho animado (ou um desenho qualquer) e uma animação genial é que o segundo parece ter várias camadas de interpretação. Pense em um filme da Pixar, como “Wall-E”, que é capaz de entreter uma criança de seis anos e de levar um adulto às lágrimas e, no percurso, fazer uma crítica à maneira como a humanidade se relaciona com o planeta e com outros seres vivos. A criança pode perder a crítica e se emocionar por motivos diferentes dos do adulto, mas o adulto – que às vezes é só um pai que levou o filho pequeno ao cinema – é surpreendido por uma história que mexe com sentimentos complexos e com ideias difíceis de elaborar.

Assim são os filmes de Hayao Miyazaki. Em “Meu amigo Totoro” (se você precisa de uma dica, sugiro que comece por esse), a história começa com um pai e duas filhas pequenas chegando à casa nova, no campo. A família parece vir da cidade porque as meninas ficam fascinadas pelos detalhes mais simples da casa nova, da madeira podre ao pó acumulado.

Logo, descobrimos que eles estão se mudando porque a mãe está internada no hospital do vilarejo e cabe ao pai colocar a casa em ordem e cuidar das filhas enquanto espera a esposa se recuperar (o roteiro não se preocupa em explicar o que ela tem; não vem ao caso).

Caminhando pelos campos ao redor da casa, as meninas acabam descobrindo criaturas estranhas. Uma delas é enorme, cinza e peluda. Não é bem um gato, mas lembra um. Totoro anda em duas patas, voa e emite sons simpáticos.

Um dia, a irmã mais nova, Mei, tenta perseguir uma criaturinha transparente e entra em uma espécie de toca do coelho (sim, muitas referências à “Alice no país das maravilhas”). Satsuki, a irmã mais velha, sai à procura da irmã e quem vai ajudá-la é Totoro (e, a certa altura, um gato-ônibus).

É um filme que fala de infância, de laços familiares, de mudanças, e mais. É uma experiência única.

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