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Netflix exibe animações geniais de Hayao Miyazaki

Pacote tem cinco filmes e inclui “Meu amigo Totoro”, uma das obras-primas do cineasta japonês

Por Admin
Netflix exibe animações geniais de Hayao Miyazaki
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Hayao Miyazaki está para o Japão como Walt Disney, para os Estados Unidos. Diferente do americano, que criou um mundo próprio habitado por animais diversos – patos, ratos, esquilos e cachorros –, o japonês gosta de misturar coisas palpáveis do dia a dia (como o vento nas árvores, uma sopa quentinha, a força da chuva, pai, mãe…) com coisas inexplicáveis (mundos paralelos habitados por criaturas com várias patas ou com asas, ou só peludas).

Miyazaki prefere mostrar primeiro o mundo como conhecemos,com casas, carros, campos e cidades – em uma arte encantadora –, para depoispartir para um mundo absurdo, inexplicável, como se atravessássemos para ooutro lado do espelho, com castelos ambulantes e peixes falantes. O efeito émais intenso, mais espetacular. Amplificado pelo contraste.

É como uma espécie de realismo mágico – para usar o termo maisassociado à literatura latino-americana, nos idos do século 20. (Embora hoje oescritor mais popular do Japão, Haruki Murakami, também passeie por esse mundofantástico.)

A Netflix, que chegou a exibir pontualmente alguns filmes deMiyazaki, no último fim de semana estreou quatro títulos: “Porco Rosso – oúltimo herói romântico” (1992), “O castelo no céu” (1986), “O serviço deentregas de Kiki” (1989) e (o melhor de todos) “Meu amigo Totoro”, de 1988.Somando “O castelo de Cagliostro” (1979), que já estava no acervo, a Netflix estáexibindo quase metade da filmografia do mestre japonês. A quase-metade maisantiga.

Como diretor e roteirista, Miyazaki realizou algo perto deduas dúzias de curtas-metragens e onze longas-metragens. Neste momento, estátrabalhando no décimo-segundo. Seu ápice talvez sido com “A viagem de Chihiro”(2001), quando recebeu o Oscar de melhor animação. Mas falar em ápice chega aser injusto tamanha é a consistência de Miyazaki.

A diferença entre um bom desenho animado (ou um desenhoqualquer) e uma animação genial é que o segundo parece ter várias camadas deinterpretação. Pense em um filme da Pixar, como “Wall-E”, que é capaz deentreter uma criança de seis anos e de levar um adulto às lágrimas e, nopercurso, fazer uma crítica à maneira como a humanidade se relaciona com oplaneta e com outros seres vivos. A criança pode perder a crítica e seemocionar por motivos diferentes dos do adulto, mas o adulto – que às vezes ésó um pai que levou o filho pequeno ao cinema – é surpreendido por uma históriaque mexe com sentimentos complexos e com ideias difíceis de elaborar.

Assim são os filmes de Hayao Miyazaki. Em “Meu amigo Totoro”(se você precisa de uma dica, sugiro que comece por esse), a história começacom um pai e duas filhas pequenas chegando à casa nova, no campo. A famíliaparece vir da cidade porque as meninas ficam fascinadas pelos detalhes maissimples da casa nova, da madeira podre ao pó acumulado.

Logo, descobrimos que eles estão se mudando porque a mãeestá internada no hospital do vilarejo e cabe ao pai colocar a casa em ordem ecuidar das filhas enquanto espera a esposa se recuperar (o roteiro não sepreocupa em explicar o que ela tem; não vem ao caso).

Caminhando pelos campos ao redor da casa, as meninas acabamdescobrindo criaturas estranhas. Uma delas é enorme, cinza e peluda. Não é bemum gato, mas lembra um. Totoro anda em duas patas, voa e emite sons simpáticos.

Um dia, a irmã mais nova, Mei, tenta perseguir uma criaturinhatransparente e entra em uma espécie de toca do coelho (sim, muitas referênciasà “Alice no país das maravilhas”). Satsuki, a irmã mais velha, sai à procura dairmã e quem vai ajudá-la é Totoro (e, a certa altura, um gato-ônibus).

É um filme que fala de infância, de laços familiares, demudanças, e mais. É uma experiência única.

Tags: Paraná

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