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Movimento SOS Arthur Bernardes critica duramente novo projeto da Prefeitura

Extinção de ciclovia é um dos pontos mais criticados do projeto; Prefeitura diz que mudanças são necessárias

Movimento SOS Arthur Bernardes critica duramente novo projeto da Prefeitura
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Formado por moradores da região do Santa Quitéria e de outros bairros próximos, o Movimento SOS Arthur Bernardes divulgou uma nota nesta segunda-feira (10) criticando com veemência as modificações feitas pela Prefeitura de Curitiba no projeto do Inter 2. A Prefeitura apresentou as modificações na sexta (7), depois de muita pressão da comunidade, que tenta preservar o Parque Linear da Arthur Bernardes, uma das avenidas mais arborizadas da cidade.

Na divulgação do novo projeto, a Prefeitura diz que diminuiu a necessidade de corte das mais de 300 árvores originais para 103. E diz que a criação dos “jardins de chuva” em meio ao parque vai reduzir o problema da impermeabilização na vizinhança. No entanto, o Ippuc e a Prefeitura seguem afirmando que as mudanças para beneficiar o trajeto do Inter 2, uma das linhas de ônibus mais movimentadas de Curitiba, são necessárias.

O SOS Arthur Bernardes, organizado em 2024, como reação a proposta do então prefeito Rafael Greca (PSD), afirma que as mudanças anunciadas inclusive pioram o projeto original. Entre as críticas, está o desaparecimento das ciclovias e a insistência em uma terceira faixa de rolagem de cada lado da avenida.

A Prefeitura diz que as mudanças e o corte das árvores são necessários para a criação de um miniterminal de ônibus na Arthur Bernardes, que permitiria aos passageiros de diversas linhas fazerem integração com o Inter 2.

Os moradores, porém, respondem que bastaria, ao invés da obra, permitir a integração temporal, dando as passageiros das linhas o direito de descer de um ônibus e subir no outro sem pagar nova passagem, como acontece em boa parte das cidades de primeiro mundo e mesmo em algumas linhas de Curitiba.

Leia a nota oficial do movimento na íntegra.

Posicionamento sobre a nova proposta do projeto na Av. Arthur Bernardes

A todas e todos,

Somos favoráveis à faixa exclusiva para o Inter 2 e demais linhas no trecho da Arthur Bernardes, mas não da forma que está no projeto atual da Prefeitura/IPPUC.

Somos contrários à inclusão de novas faixas para o transporte individual no trecho da Arthur Bernardes e à inclusão de um terminal no meio do Parque. O projeto que nos obrigará a pagar US$ 106 milhões durante 25 anos (até 2050) faz parte do “Programa de Mobilidade Urbana Sustentável de Curitiba”, o qual, em seu texto, diz: “foco na priorização do transporte coletivo em detrimento ao transporte individual”. Agora a Prefeitura/IPPUC apresenta um projeto que exclui a ciclovia atual, com menos área verde permeável e mais faixas para os carros, ou seja, contrário ao objetivo principal do projeto. Destacamos:

O discurso de “soluções baseadas na natureza” ainda é intragável à nova proposta – soluções devem substituir métodos convencionais e tradicionais. O que vemos, no entanto, é a manutenção de todo o projeto de macrodrenagem e de impermeabilização das pistas, enquanto as propostas de alterações se resumem a um novo paisagismo sob um discurso de “jardins de infiltração”;

Só no trecho da Avenida são aproximadamente R$ 100 milhões para um projeto com prazo de validade até 2040! Isto é, estaríamos fadados a pagar por mais dez anos por uma infraestrutura ultrapassada que incentivará o transporte individual e, consequentemente, o afogamento do trânsito no local. Seríamos obrigados a lidar com a falta de incentivo efetivo ao nosso transporte coletivo público e com efeitos cada vez mais hostis da emergência climática, que nós e a nova geração teremos de viver.

Em 1981, ano de inauguração do atual Eixo de Animação da Arthur Bernardes, a segunda pista no sentido Barigui foi criada para desafogar o trânsito. Esse trecho, assim como na Av. Gen. Mario Tourinho, já está congestionado há décadas, e querem seguir com o mesmo tipo de projeto. Curitiba é uma cidade com história suficiente para fazer diferente disso e ser referência para os desafios do aquecimento global.

Acreditamos não apenas lutar por árvores. Na realidade, estamos alertando à Prefeitura/IPPUC a quebra de paradigmas que a sociedade demanda sobre como produzimos a cidade. Futuros drásticos merecem atitudes definitivas e vocês têm a chance de reconhecer e aplicar isso de verdade.

É perverso, após as inúmeras demonstrações sobre as falhas de publicização do projeto desde 2019, que agora tenhamos que ouvir que o edital, projetos e contratos estão postos e que teríamos que acatá-los. Isto é um golpe à cidadania e à democracia. Contratos podem e devem ser revistos e o seu órgão financiador (BID) está à mesa, se tornando ciente das reivindicações populares. Somos um movimento de milhares de cidadãos dessa cidade que querem e devem ser ouvidos. Somos muitas e muitos!

Atenciosamente,

Movimento de moradores SOS Arthur Bernardes

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Rogerio Galindo

Rogerio Galindo

Jornalista, um dos fundadores do Plural.

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