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Prorrogação das inscrições no vestibular da UEL atendeu pedido do movimento negro

Ativistas estavam preocupados com a baixa adesão pelo sistema de cotas. Novo prazo encerra na segunda-feira (17)

Prorrogação das inscrições no vestibular da UEL atendeu pedido do movimento negro
Reunião entre representantes do movimento negro e a reitora da UEL. (Foto: Foto: Divulgação.)

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) prorrogou até a próxima segunda-feira, dia 17 de agosto, as inscrições para o Vestibular 2027 (que se encerrariam no último dia 10). A prorrogação atende a um pedido de representantes do movimento negro, preocupados com a baixa adesão de candidatos pelo sistema de cotas raciais. Extraoficialmente, a reportagem confirmou que a medida já dá resultado: o número de inscritos mais que duplicou nesta semana.

A adesão abaixo do esperado pode ser resultado de diferentes fatores, dentre eles, mudanças implementadas na banca de heteroidentificação, que passou a ser feita já no ato da inscrição. Os candidatos negros devem enviar vídeos, fotos e ficha de autodeclaração. Nos anos anteriores, esse processo acontecia no dia da prova.

"Antigamente a pessoa prestava o vestibular, passava, mas tinha um probema sério, porque, muitas vezes, não fazia parte do programa de cotas, mas já passou. Então a gente mudou. Isso pode ter assustado alguns, porque por mais que todo mundo tenha celular, nem sempre vai ter o programa que precisa para enviar o vídeo", avalia José Mendes, presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (CMPIR).

Vídeo publicado no Instagram da UEL explica o funcionamento da banca de heteroidentificação:

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Um post compartilhado por TV UEL (@tvuel)

Mendes conta que a mudança na banca também pode ter afastado pessoas propensas a fraudar o sistema de cotas. "Acontece bastante reprovação na banca. Como somos um país muito miscigenado, muitas pessoas acabam confundindo - por inocência ou má intenção. A gente vê que tem pessoas banhadas de sol, com a cabeça raspada (inscritas por cotas)", relata.

No dia 3 de agosto houve uma reunião, chamada pela reitoria da UEL, para tratar do tema. Foi quando o movimento solicitou a prorrogação do prazo de inscrições e apresentou outros problemas, como o período para pedido de isenção da taxa de inscrição, hoje de R$ 181.

"A questão da isenção, que acontece em maio, muita gente acaba perdendo. Para o próximo vestibular, vamos fazer uma discussão se, de repente, não poderia fazer esse pedido durante a inscrição. São discussões que vamos voltar a fazer", diz Mendes.

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Nem todo mundo sabe que a UEL é gratuita

Natália Lisboa, da Frente Antirracista de Londrina, também participou da reunião com a reitoria e diz que a adesão ao vestibular estava abaixo do esperado de forma geral, não apenas por cotas. Ela vê muita desinformação em relação à universidade pública. "Existe um discurso político de que as pessoas vêm para a universidade fazer balbúrdia, que não é importante a pessoa estar na universidade...todas essas coisas refletem nessa baixa", avalia ela.

José Mendes acredita que um trabalho sólido junto às escolas de Ensino Médio precisa ser implementado. "Na reunião, levamos também o representante do Núcleo Regional de Educação (NRE), que se comprometeu a fazer essa divulgação nas escolas. A UEL fez uma ação no Calçadão e, no domingo, na Feira do Cincão. Nós também divulgamos nas nossas redes", diz ele.

A ideia é que as visitas de estudantes da UEL a escolas seja uma política contínua. Neste ano, apenas quatro foram visitadas, segundo Mendes. "Queremos oportunizar aos jovens ensino de qualidade e gratuito", finaliza o presidente do CMPIR.

Sobre números

A UEL não divulga números parciais das inscrições no vestibular. Um candidato pode preencher o formulário no site e passar a contar como inscrição, porém, ela só se efetivará a partir do pagamento da taxa.

Cecília França

Cecília França

Jornalista há 20 anos, é especialista em Direitos Humanos.

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