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HIV/AIDS: Homens jovens e mulheres acima dos 50 são focos de atenção

Número de casos são próximos aos de uma década atrás; mortalidade cai

HIV/AIDS: Homens jovens e mulheres acima dos 50 são focos de atenção
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O mais recente Boletim Epidemiológico de HIV/Aids, divulgado em dezembro pelo Ministério da Saúde, indica um cenário de relativa estabilidade no número de novos casos, ao mesmo tempo em que confirma uma queda expressiva nas mortes por aids.

No Paraná, foram registradas 1.777 notificações de novos casos de HIV em 2024, número 9% menor que o observado em 2023. O total é muito próximo ao registrado dez anos antes, em 2014, quando o Estado contabilizou 1.715 novos casos, reforçando a percepção de estabilidade ao longo do período.

A evolução dos óbitos mostra um avanço mais claro. Em 2024, o Paraná registrou 429 mortes por aids, número inferior ao de 2020, quando o isolamento social causado pela pandemia de covid-19 provocou uma queda nos registros. Naquele ano, houve 464 óbitos. A comparação com 2014 evidencia uma redução ainda mais significativa: naquele ano, foram registradas 634 mortes, o que representa uma queda de 32% em uma década.

No cenário nacional, os dados apontam crescimento das notificações após a pandemia. Em 2022, o Brasil registrou 36.277 novos casos. Em 2024, esse número subiu para 39.216, um aumento de 8%. O volume é semelhante ao observado em 2017, quando foram registradas 39.085 notificações, e supera o total de 2014, que foi de 32.160 casos.

Já a mortalidade por aids no país apresenta uma tendência clara de queda. As mortes diminuem ano a ano, com exceção de 2021, quando houve um aumento de 9% — de 10.596 para 11.515 óbitos —, movimento atribuído, em parte, aos efeitos indiretos do isolamento social imposto pela pandemia em 2020.

Na comparação de longo prazo, o recuo é significativo. Em 2014, o Brasil registrou 12.507 mortes por aids. Em 2024, o total representa uma queda de 27% em relação àquele ano.

HIV/AIDS: Homens jovens e mulheres acima dos 50 são focos de atenção
Número de casos são próximos aos de uma década atrás; mortalidade cai

Quatro décadas de epidemia

O boletim estima que, entre 1980 e 2025, o Brasil tenha registrado 1.679.622 casos de HIV/aids. Os homens respondem por 67% das infecções, enquanto as mulheres representam 33%. No mesmo período, 402.300 óbitos tiveram a aids como causa básica.

A análise por faixa etária revela mudanças importantes no perfil da epidemia. O documento chama atenção para o crescimento das infecções entre mulheres com 50 anos ou mais. Em 2014, esse grupo representava 10,9% dos casos; em 2024, passou a responder por 17% das notificações.

Entre os homens, destaca-se o aumento da taxa de detecção de aids na faixa de 25 a 29 anos. Na comparação entre 2014 e 2024, houve elevação de 11,6%. Desde 2016, esse grupo apresenta as maiores taxas de detecção entre os homens, alcançando 56,7 casos por 100 mil habitantes em 2024.

Transmissão: predomínio da via sexual

Entre pessoas com 13 anos ou mais, a via sexual permanece como a principal forma de transmissão do HIV. Em 2024, ela foi responsável por 71,0% dos casos entre homens e 74,1% entre mulheres.

No caso masculino, os homens que fazem sexo com homens (HSH) concentraram 37,3% das notificações, superando a exposição heterossexual, que respondeu por 33,7%. O boletim alerta, no entanto, para o elevado percentual de registros com categoria de exposição ignorada (27,0%). Considerando apenas os casos com informação conhecida, os HSH representam 50,7% das infecções entre homens, enquanto a exposição heterossexual corresponde a 45,8%.

A predominância dos HSH é ainda mais evidente nas faixas etárias mais jovens. Em 2024, essa categoria respondeu por 59,8% dos casos entre homens de 13 a 19 anos, 56,0% entre aqueles de 20 a 29 anos e 40,3% na faixa de 30 a 39 anos. A partir dos 40 anos, a prática heterossexual passa a ser a principal forma de exposição entre os homens.

Entre as mulheres, o padrão é mais homogêneo: cerca de 70% dos casos em todas as faixas etárias estão associados à exposição heterossexual.

Raça e desigualdades

A análise por raça/cor autodeclarada revela uma mudança importante ao longo da última década. Até 2014, a maioria das infecções pelo HIV era registrada entre pessoas brancas, que representavam 49,0% dos casos. Nos anos seguintes, houve um aumento expressivo da proporção de notificações entre a população negra — pretos e pardos.

Em 2024, pessoas negras passaram a representar 59,7% dos registros, sendo 11,6% entre pretos e 48,1% entre pardos. No mesmo período, a participação de pessoas brancas caiu para 36,8%, evidenciando o avanço da epidemia em grupos historicamente mais vulnerabilizados.

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Nelson Bortolin

Nelson Bortolin

Jornalista, um dos fundadores da Rede Lume de Jornalismo, de Londrina

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Tags: Paraná Saúde

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