Conheça a salicórnia, o “aspargo do mar” que substitui o sal e deu as caras em Curitiba

Planta comestível cultivada em água salgada é usada por chefs na finalização dos pratos

Salgadinha, crocante e bonita. Assim chefs de cozinha descrevem a salicórnia, planta comestível cultivada em água salgada que nos últimos meses tem se popularizado em grandes restaurantes Brasil afora.

“A salicórnia tem um sabor salgado, com a vantagem de conter menos sódio que o sal comum. A textura dela é crocante e é possível consumi-la crua, salteada, refogada ou cozida”, explica o chef Lênin Palhano, do restaurante Obst., em Curitiba.

Essa PANC (planta alimentícia não convencional) ficou conhecida por muitos nomes, mas o mais popular é “aspargo do mar”. O ingrediente vai bem em pratos de frutos do mar, saladas, risotos, massas e rende também bons molhos e conservas.

O chef André Raulino, do Raulino Cozinha Autoral, prefere usá-la in natura para finalizar pratos como ceviche ou para adicionar um toque salgado a iguarias como a burrata.

“Ela passa muito como uma flor de sal, mas com outras nuances como a textura”, explica Raulino.

A salicórnia usada pelos dois chefs é da espécie Sarcocornia ambigua, nativa das salinas e cultivada na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. A fornecedora é a Salty Agricultura Salina, uma pequena empresa fundada pela oceanógrafa Camila Reveles.

Em 2020, Camila construiu uma estufa nas ruínas da salina da família, em Praia Seca, no município de Araruama, e começou a cultivar plantas halófitas, isto é, que toleram o sal e se adaptam à vida no mar.

A Região dos Lagos já foi a maior produtora de sal do país, mas, ao longo dos anos perdeu mercado para o sal produzido em escala industrial no Rio Grande do Norte, o que levou à desativação de muitas salinas. A região hoje está sendo ocupada por empreendimentos imobiliários.

“Fazemos o cultivo de forma totalmente artesanal e sustentável, com controle de luminosidade, salinidade e qualidade da água”, explica Camila. Por enquanto, ela cultiva apenas a salicórnia, mas já planeja expandir o cultivo para outras espécies “todas com gostinho do mar”.

Entre os usos culinários, Palhano utiliza a salicórnia para finalizar um de seus pratos icônicos que é a brioche de tinta de lula com linguiça de camarão, vinagrete de lula, aioli de coentro e couve.

“Fica muito boa também com cordeiro, seja paleta ou stinco, ao demi glace”, acrescenta Raulino.

***

Receita de ceviche de linguado com salicórnia

Por chef André Raulino, do restaurante Raulino Cozinha Autoral

Ingredientes

– 130 g de linguado fresco fatiado em cubos de 4 cm

– 2 g de sal grosso batido peneirado com pimenta-do-reino e pimenta branca

– 60 ml de Leche de Tigre

– 1 folha de alface romana

– 2 unidades de minimilho em conserva

– 25 g de chips de batatas doces roxa e laranja (fritas em lâminas)

– 15 g de salicórnia (aspargo do mar)

– 10 g de katsuobushi (flocos de atum-bonito)

– 60 g de cebola roxa

– 15 g de pimenta dedo-de-moça

– 5 ml de óleo de gergelim

– 5 g de salsinha picada 

Preparo da Leche de Tigre (300 ml):

– 2 dentes de alho cru

– 100 ml de caldo de peixe gelado

– 60 g de cubos de gelo

– 3 g de sal

– 40 g de aparas de peixe

– 20 g de salsão

– 80 g de cebola branca

– 3 g de hondashi

– 80 ml de suco de limão 

Modo de preparo do Leche de Tigre: misture todos os ingredientes e bata no liquidificador até obter uma mistura homogênea, coe em peneira e reserve. 

Modo de preparo do ceviche: retire as escamas e a pele do peixe fresco, e corte em filés. Na sequência, faça cortes de cerca de 4 cm cúbicos, com uma leve inclinação de 45º para obter o formato correto. Tempere com sal e pimenta e adicione a Leche de Tigre. Aguarde cinco minutos e sirva.  

Sobre o/a autor/a

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O Plural se reserva o direito de não publicar comentários de baixo calão, que agridam a honra das pessoas ou que não respeitem níveis mínimos de civilidade. Os comentários são moderados por pessoas e não são publicados imediatamente.

Rolar para cima