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No fim da estrada tem um bar com comida pra lá de boa

Há muito mais segredos e sabores escondidos em panelas e lugares do que podem registrar o Google e a IA. Prova disso é o “Bar do Marcão”

No fim da estrada tem um bar com comida pra lá de boa
Marcos Augusto Costa, o Marcão, comanda as panelas com ingredientes naturais, em sua maioria de produtores locais. Tempero pronto não entra. Foto: Katia Michelle
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Há muito mais segredos e sabores escondidos em panelas e lugares do que podem registrar o Google e a IA. Prova disso é o “Bar do Marcão”, em Curitiba. Não adianta procurar no Maps, mas ele existe e eu posso provar. O boteco, comandado pelo curitibano Marcos Augusto Costa, o Marcão, esconde iguarias feitas por ele desde meados da década de 1990, quando “herdou” do irmão o ponto, localizado numa área cercada de mata e árvores, no bairro Cascatinha, vizinho de Santa Felicidade.

Para chegar é preciso seguir instruções peculiares. Siga pela Manoel Ribas, vire à esquerda na rua que leva à charmosa Capela São Judas Tadeu. Ali, na cerca de madeira que separa a capela, construída em 1956, da Rua Ângelo Trevisan, há uma estrada bucólica, que só há poucos anos foi asfaltada. Siga até o fim da ruazinha, sem iluminação nem saída, até achar uma quadra de futebol.

Depois dessa curva, desponta o Bar do Marcão. Foto: Katia Michelle
Não procure por uma placa, apenas siga o aroma da comida (apenas terças, quartas e quintas). Foto: Katia Michelle

Desde a década de 1960, a cancha abrigava jogos do Cascatinha F.C., destaque nos antigos torneios de Santa Felicidade, celebrados por moradores e torcedores locais. Os atletas iam treinar no espaço e, claro, precisavam repor as energias. A casinha ao lado, que servia de vestiário, passou a servir bebidas e comidas. César, um dos nove irmãos de Marcão, assumiu a empreitada até decidir que queria voltar para os negócios de artesanato.

Coube a Marcão dar continuidade ao estabelecimento. Ele, que sabia cozinhar de “olho”, passou a assumir as panelas e servir refeições todas as sextas-feiras. O público era composto pelos jogadores, famílias, o pessoal da igreja, os vizinhos. As mesas foram dando lugar aos carteados, com os populares jogos italianos tressette, cinquilho, truco e o clássico jogo de bocha.

É preciso ligar e fazer a reserva. E dá pra jogar sinuca, bocha ou carteado enquanto espera. Foto: Katia Michelle

Quando a quadra foi fechada, a memória do time passou a decorar as paredes, que ostentam fotos e matérias antigas dos anos de ouro do Cascatinha F.C. Os clientes não abandonaram o local, que abre todos os dias, mas só serve comida às terças, quartas e quintas. Terça-feira é dia de porção, mas não espere um cardápio fechado. Tem o que tem e o valor varia conforme a iguaria.

Quarta é dia de pastel, com recheios variados, todos feitos por Marcão e fritos na hora. Tem de carne, queijo, camarão, banana com canela e até os inusitados sabores Ouro Branco e Sonho de Valsa, e custam de R$ 10 a R$ 15 a unidade. Mas é na quinta que as panelas fervem pra valer. Por meio de um grupo de WhatsApp, mensagens individuais ou boca a boca, o cardápio é divulgado. “Muitas vezes eu defino no próprio dia, de manhã”, conta o cozinheiro de poucas palavras e muitos temperos.

Os acompanhamentos são preparados na hora pelo Marcão e, assim que ficam prontos, já vão direto para a mesa. Foto: Katia Michelle
O prato principal (neste caso, picanha, xixo de mignon e bacon) é servido aos poucos, até o cliente falar que já está satisfeito. O preço é único. Foto: Katia Michelle

O que ele mais gosta de preparar é a dobradinha. Essa, revela com antecedência, porque precisa de mais tempo de preparo. “Eu sei que muita gente torce o nariz e não come, mas quem provou aqui nunca vai deixar de comer”, profetiza Marcão. A parmegiana, a rabada, o carneiro e frutos do mar também integram o cardápio.

O marreco, outro prato esperado pelos clientes, é servido uma vez por mês. Vem de Santa Catarina e é acompanhado por salada, arroz e a maionese da casa. Essa última ganha destaque por ser “a verdadeira maionese” italiana, aprendida com os colonos da região. O prato é também um dos acompanhamentos da picanha com xixo de mignon e bacon, outro clássico da casa.

Aproveite para dar uma olhadinha na Capela São Judas Tadeu, construída na década de 1950. Foto: Katia Michelle

Todas as carnes e outras especialidades são servidas à vontade na mesa. Os acompanhamentos também ficam à disposição do freguês, dispostos na mesa do salão, com saladas clássicas, como radite com vinagre, rúcula com bacon, feijão a cavalo e outras combinações. O valor varia de acordo com o prato principal, mas a média é de R$ 70,00.

O clima é simples e familiar. O garçom (que prefere ser chamado apenas de Rocha, seu sobrenome) será seu melhor amigo enquanto serve a cerveja geladíssima e conta causos locais. Se você olhar ao lado, pode encontrar figuras carimbadas da política local, mas, principalmente, clientes fiéis, ávidos por comer comida com gostinho caseiro, já que tudo ali é feito com ingredientes naturais e, em sua maioria, de produtores locais. Vale a visita e a fome.

Serviço:
Bar do Marcão
Rua Ângelo Trevisan, 181 - Cascatinha
(41) 99953 2972

Katia Michelle

Katia Michelle

Jornalista formada em Comunicação Social e bacharel em Artes Cênicas, com pós-graduação em Poéticas Contemporâneas. Atua como repórter, editora e colunista nas áreas de comportamento, cultura e gastronomia. Assina a coluna Panela Plural.

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Tags: Gastronomia

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