Estrangeiros responderam por uma em cada dez fichas de atendimento abertas nas duas UPAs de Foz do Iguaçu entre maio e agosto deste ano. Foram 8.769 registros, 26,2% a mais que os 6.949 contabilizados no mesmo período de 2025.
O crescimento ocorreu nas duas unidades que atendem o município. Na UPA Walter Cavalcanti, os atendimentos a estrangeiros passaram de 3.042 para 4.083, alta de 34,2%. Na João Samek, subiram de 3.907 para 4.686, avanço de 19,9%. Juntas, as UPAs contabilizaram 84.718 fichas no quadrimestre. Os dados foram apresentados pela Secretaria Municipal da Saúde no último dia 21, no relatório do segundo quadrimestre de 2026, e representam atendimentos, não pacientes únicos.
Paraguaios são maioria entre os estrangeiros atendidos, seguidos por venezuelanos e argentinos, segundo o secretário municipal da Saúde, Fábio de Mello. A pasta não informou quantos dos 8.769 registros correspondem a cada nacionalidade.
Os números, porém, não abrangem toda a demanda relacionada à circulação na fronteira. Brasileiros que vivem no Paraguai, turistas e pessoas que transitam diariamente pela região também recorrem à rede municipal sem necessariamente aparecer nas estatísticas como estrangeiros.
“Precisamos olhar além da nacionalidade. Também recebemos brasileiros que residem no Paraguai, além de turistas e pessoas que circulam diariamente pela região”, afirma Mello.
Segundo a Secretaria, essa demanda não se concentra nas UPAs e aparece em diferentes pontos da rede, da Atenção Primária ao Hospital Municipal. A condição de fronteira é recorrente e já havia sido apontada pela pasta à Câmara, em agosto, entre os fatores que ampliam a população atendida pelos serviços de saúde de Foz.
Na última sexta-feira (18), os vereadores Adnan El Sayed e Professora Márcia Bachixte, da Comissão de Saúde da Câmara, estiveram nas UPAs para verificar as condições de atendimento.
Na João Samek, Adnan relatou ter encontrado cerca de 30% menos servidores no período observado e durante a noite, inclusive médicos nas áreas de internação. Também apontou redução de pessoal na Central de Materiais e ausência de atendimento odontológico noturno.
Segundo o secretário, o impacto da demanda de fronteira também varia conforme a complexidade dos atendimentos. Uma consulta exige estrutura diferente daquela necessária para cirurgia, internação ou terapia intensiva. A prefeitura defende que Estado e União considerem essa característica no financiamento da rede de Foz.
A ampliação da rede hospitalar também está entre as propostas apresentadas para Foz. Em agosto, Gleisi Hoffmann (PT), candidata ao Senado, defendeu a construção de um hospital regional de ensino vinculado à Unila, voltado às demandas da região de fronteira. O projeto é distinto do hospital regional de cerca de 200 leitos anunciado pelo Governo do Paraná, na gestão de Ratinho Junior (PSD).
“Não se trata de discutir quem tem direito ao atendimento. Trata-se de garantir que Foz do Iguaçu tenha condições de atender, com qualidade e sustentabilidade, todas as pessoas que dependem da nossa rede”, conclui Mello.