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Elite empresarial patrocina candidatos homens, brancos e ricos

No Paraná, 89% do dinheiro de doadores empresários vai para candidatos homens brancos e 59% para milionários. Veja o perfil de quem a elite financia nas eleições 2026.

Elite empresarial patrocina candidatos homens, brancos e ricos
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O dinheiro que a elite empresarial do Paraná coloca nas campanhas de 2026 tem um destinatário muito nítido: homem, branco e rico. Dos R$ 19 milhões doados por empresários no estado — gente que aparece como sócia de empresa no cadastro da Receita —, 89% foram para candidatos homens brancos, e 59% para candidatos milionários. É quase a imagem inversa do dinheiro público, que, por cotas e repasse partidário, chega muito mais a mulheres e a quem não tem patrimônio. Os dados são da prestação de contas ao TSE, cruzada pela Plural com a base de empresas da Receita Federal.

Antes dos números, um contexto: a doação privada é a menor parte da campanha — menos de 10% do total arrecadado no Paraná, já que quase 90% vem do fundo público. Mas é nela que se enxerga a escolha de quem tem dinheiro: para quem o empresariado decide dar.

89% vão para homens brancos

Cruzando cada doação de empresário com o perfil de quem recebe, o dinheiro se concentra num único grupo: homens brancos ficam com 89% do total. Mulheres brancas recebem 7,7%; homens não brancos, 2,8%; e mulheres não brancas, 0,5%. Somando, 97% do dinheiro da elite vai para pessoas brancas e 92% para homens.

A distorção fica clara na comparação com o conjunto de candidatos. Homens brancos são 49% das candidaturas no Paraná, mas abocanham 89% do dinheiro da elite — quase o dobro da sua fatia. Já as mulheres não brancas, que são quase 10% do campo, ficam com meio por cento. Em termos por candidato, cada homem branco recebe, em média, R$ 31,6 mil de empresários; cada mulher não branca, R$ 831 — uma diferença de cerca de 38 vezes.

E quanto mais "elite" o dinheiro, mais enviesado o destino: entre todas as doações de pessoa física, homens brancos levam 85,8%; quando se olha só os empresários, sobe para 89,1%.

59% vão para candidatos milionários

O mesmo padrão se repete na carteira. O candidato típico financiado pela elite tem patrimônio declarado de R$ 1,09 milhão — cinco vezes a mediana de todos os candidatos do Paraná, que é de R$ 214 mil. Os candidatos milionários (patrimônio acima de R$ 1 milhão) são só 20% do campo, mas recebem 59% do dinheiro da elite; o terço mais rico dos candidatos concentra 77%.

No outro extremo, os candidatos sem bens declarados — 27% de todos os que disputam — ficam com apenas 4,6%. Somados aos que têm até R$ 100 mil, os cerca de 42% mais pobres das candidaturas dividem só 6% do dinheiro dos empresários. Por candidato, um milionário recebe em média R$ 53 mil; um candidato sem patrimônio, R$ 3 mil.

Para quem vai o dinheiro da elite empresarial no Paraná

Doações de empresários (sócios de empresa) aos candidatos. Dado do TSE × Receita (02/10/2026).

% do dinheiro da elite% dos candidatos
Por gênero e raça
Por patrimônio do candidato
Os 12 candidatos que mais receberam da elite

"Não branco" = preta, parda, amarela ou indígena. "Elite" = doadores confirmados como sócios de empresa na Receita. O dinheiro privado é menos de 10% do total das campanhas no PR (o resto é fundo público).

Quem é essa elite

Os maiores cheques têm nome, sobrenome e setor — todos confirmados no cadastro da Receita. O maior doador individual do estado é Rubens Ometto, sócio de usinas de açúcar e álcool do grupo Cosan, com R$ 700 mil a candidatos a deputado federal. Vem do agro também a família Rorato, de Araruna, com cerca de R$ 1,7 milhão (empresas de eucalipto, soja e transporte), pulverizados por quase uma dezena de deputados estaduais do PSD.

Mas a elite doadora não é só o campo. Entre os maiores estão a Pacaembu Construtora (R$ 300 mil), o Banco Topázio (R$ 210 mil), o grupo de ensino Unicesumar (R$ 250 mil), a madeireira Emílio B. Gomes, de Irati (R$ 260 mil), e a indústria de bebidas Comary (R$ 200 mil). O madeireiro Odacir Antonelli, da Repinho, ilustra a lógica do acesso: dividiu R$ 450 mil entre lados opostos — R$ 250 mil para Traiano (PSD) e R$ 200 mil para o petista Zeca Dirceu.

O contraste com o dinheiro público

A desigualdade de gênero, raça e renda é uma marca do dinheiro privado, não do público. O fundo partidário e o fundo eleitoral, repartidos pelos partidos sob a regra que reserva ao menos 30% às candidaturas femininas, chegam muito mais longe: no PT, por exemplo, 67% do fundo foi para mulheres. Quando a escolha é do empresário, e não da regra, o dinheiro reencontra o perfil de sempre — homem, branco e com patrimônio.

Como apuramos esta reportagem

Partimos das doações de pessoas físicas declaradas na prestação de contas eleitorais do TSE (dado de 2 de outubro de 2026) aos candidatos do Paraná, agregadas por CPF. Classificamos como "elite empresarial" os doadores confirmados como sócios de empresa na base da Receita — cruzando o CPF informado ao TSE (reconstruído na máscara da Receita) com o nome do sócio, exigindo correspondência exata. O perfil de cada candidato que recebe (gênero, cor/raça autodeclarada e patrimônio declarado) vem do registro de candidatura e da declaração de bens ao TSE. "Não branco" reúne as categorias preta, parda, amarela e indígena. Fundo partidário, recursos próprios e doações de empresas não entram nesta conta.

Perguntas rápidas

A elite empresarial patrocina quem nas eleições do Paraná? Majoritariamente homens, brancos e ricos: 89% do dinheiro de empresários vai para candidatos homens brancos e 59% para candidatos milionários.

Isso é proporcional ao número de candidatos? Não. Homens brancos são 49% das candidaturas, mas recebem 89% do dinheiro da elite; candidatos milionários são 20% do campo e ficam com 59%.

Qual o patrimônio típico de quem a elite financia? R$ 1,09 milhão — cinco vezes a mediana de patrimônio de todos os candidatos do estado (R$ 214 mil).

O dinheiro público segue o mesmo padrão? Não. O fundo público, repartido sob a cota de 30% para mulheres, é bem mais distribuído por gênero; a concentração em homens brancos e ricos é característica da doação privada.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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