Famílias com crianças pequenas em Curitiba tem um desafio complexo para superar nos meses de janeiro e julho: a falta de opções acessíveis de colônias de férias acessíveis na cidade. As opções em escolas e instituições privadas custam em torno de R$ 450 a R$ 550 por semana por período, um valor alto mesmo para a população da Classe C (com renda mensal total entre R$ 3,5 e R$ 8 mil).
Na rede municipal, a única opção ofertada nessas férias de julho é no Estúdio Riachuelo, com uma semana de atividades por R$ 110. Mas a atividade é para crianças com 12 anos ou mais. Como os Centros de Educação Infantil da rede municipal ofertam só 200 dias letivas por ano, sobram 53 dias úteis para os pais encontrarem atendimento para as crianças.
O cálculo é baseado no calendário de 2025, que dos 365 dias prevê 253 dias úteis, 104 dias de fim de semana e 12 feriados. Mesmo contando com a possibilidade de férias dos pais de 30 dias (o que representa entre 18 a 22 dias úteis), restam de 31 a 35 dias úteis sem atendimento nas escolas de educação infantil da cidade.
Este ano, o calendário da rede municipal de ensino prevê férias de 4 a 22 de julho, ou seja, 12 dias úteis sem atendimento para crianças. O período, claro, é essencial para os profissionais das escolas. Mas criam um desafio para quem não tem quem possa cuidar das crianças no período.
Apesar de ser um assunto relevante, o tema não foi foco de nenhuma iniciativa na Câmara Municipal em 2025. E de só quatro iniciativas desde 1999, três delas em 2023 e 2024 sugerindo a criação de colônias de férias nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) de autoria dos vereadores Dalton Borba, Amália Tortato e Oscalino do Povo, os três já fora do Poder Legislativo.
Colônias acessíveis
A opção mais acessível de colônia de férias em janeiro e julho é ofertada pelas unidades do Sesc em Curitiba. O programa Brincando nas Férias oferta oficinas artísticas, esportes e brincadeiras para crianças de 4 a 12 anos no período da tarde. A colônia custa R$ 135 por semana para a população em geral e R$ 95 para trabalhadores do comércio e empresários.
As vagas do Sesc são disputadíssimas e há preferência para matrícula crianças de famílias de trabalhadores do comércio. A colônia é ofertada nas sedes Educação infantil no período da manhã e tarde (na Sete de Setembro), Paranaguá, da Esquina, Centro, Portão e São José dos Pinhais entre os dias 14 a 25 de julho. As inscrições são nas próprias unidades.
Como parte do Sistema S, o Sesc é financiado por contribuições cobradas sobre a folha de pagamento das empresas dos setores correspondentes, o que faz com que as atividades ofertadas sejam subsidiadas (o que viabiliza o baixo valor cobrado).
Na UFPR, duas iniciativas ofertaram vagas de colônia de férias gratuitas: a Colônia de Férias Científica, do Laboratório de Toxicologia Celular e o de Ciência Interativa e a Colônia de Férias do Departamento de Educação Física. Ambas, porém, viram as vagas esgotaram rapidamente.
Os Clubes da cidade também ofertam colônias. No Clube Urca, a colônia é ofertada pela Casa Poppis de 30 de junho a 01 de agosto nos turnos da manhã (8 às 12h), tarde (das 13h30 às 18h) e integral (das 8 às 18h). Não é preciso ser sócio. O custo semanal é de R$ 520 por turno. São aceitas crianças de 3 a 10 anos. Inscrições: https://casapoppis.com.br/reservas
No Círculo Militar, a colônia é para crianças de 4 a 12 anos no período da tarde. O custo por semana é de R$ 350 para sócios e R$ 425 para convidados. O atendimento é das 13h30 às 18 horas na sede do clube no Centro. Inscrições podem ser feitas através do formulário: https://clubecirculo.com.br/colonia-de-ferias/
Já no Museu Oscar Niemeyer, as atividades são por dia e incluem oficinas e visitas guiadas. Porém, crianças pequenas pequenas precisam ser acompanhadas pelos pais. A programação completa está disponível em https://www.museuoscarniemeyer.org.br/educativo/programas/feriasnomon#atividades