Na última semana a presidenta da União Paranaense de Estudantes Secundaristas (UPES), Juliane Rodrigues Vais, esteve em São Paulo para participar do Congresso Internacional de Jornalismo de Educação (Jeduca) em uma mesa que tratou da plataformização do ensino, prática adotada por Ratinho Jr. (PSD) no Paraná e criticada tanto por estudantes quanto por professores. Para ela, o modelo é ineficaz e a adoção aconteceu de forma autoritária.
Além de Juliane, compuseram a mesa de debates a especialista Camila Wasserman, o professor da rede pública de Santa Catarina e pesquisador Éverton de Almeida e Isabela Palhares, da Folha e do Jeduca, que mediou a conversa.
O modelo de plataformização adotado por Ratinho Jr. no Paraná foi conduzido por Renato Féder, que agora está na Secretaria de Educação de São Paulo adotando as mesmas práticas.

No Paraná, estudantes têm mais de vinte plataformas de atividades. Muitas das atividades não podem ser entregues offline, ou seja, são entregas obrigatórias nos aplicativos e sites, o que se torna um problema para alunos que não possuem acesso à internet.
“Até tem os tablets nas aulas para quem não tem, mas não em número suficiente. Então se você não consegue pegar um na hora precisa fazer em casa. A gente não tem mais aula, agora basta fazer os exercícios na plataforma e isso também tira a liberdade de cátedra dos professores”, criticou Juliane.
Ela também mencionou as ações desenvolvidas pela APP-Sindicato, que mantém postura crítica contra a plataformização. No ano passado, por exemplo, houve o movimento Plataforma Zero, que cobrava discussão entre educadores e governo antes da adoção de aplicativos e sites na educação.
A falta de diálogo foi apontada no debate no Jeduca tanto pela presidenta da UPES quanto pelo pesquisador Éverton de Almeida.
Todos os participantes destacaram também a mudança da rotina nas salas de aula com a adoção das plataformas – a falta de interação humana entre alunos e professores.
