A Prefeitura de Curitiba tem 2.582 profissionais de apoio para acompanhar, em sala de aula, os 3.443 estudantes da educação especial que precisam desse suporte na rede municipal. Pelas respostas da Secretaria Municipal da Educação (SME), a função é exercida por estudantes de Pedagogia contratados como estagiários, com bolsa de R$ 16,56 por hora. A SME calcula que precisa de mais 400 profissionais e prevê a nova contratação a partir do ano letivo de 2027.
Os números estão na resposta da SME a um pedido de informação da vereadora Camilla Gonda (PSB), encaminhada à Câmara Municipal em outubro pelo prefeito Eduardo Pimentel (PSD).
O estudo que deve dimensionar a ampliação começou em maio e não terminou. Segundo a secretaria, ainda não há "informações sobre impacto mensal e anual devidamente oficializados".
Quantos alunos precisam de profissional de apoio?
A rede municipal tem 8.718 crianças e estudantes no público da educação especial. São 6.450 com Transtorno do Espectro Autista (TEA), 1.552 com deficiência, 648 com altas habilidades ou superdotação e 68 com autismo e altas habilidades ao mesmo tempo.
Desse total, 3.443 têm indicação de acompanhamento por profissional de apoio, segundo a SME, a partir de um protocolo próprio e de estudo de caso. O estudo de caso, diz a secretaria, "está sendo implementado" na rede. É 39,5% do público da educação especial, segundo cálculo do Plural.
O profissional de apoio acompanha o estudante na rotina da escola. Perguntada sobre como considera as barreiras de locomoção, higiene, alimentação, comunicação e participação nas atividades, a SME respondeu que usa o protocolo e o estudo de caso. O direito a esse profissional está no artigo 28 da Lei Brasileira de Inclusão, de 2015, como lembrou o vereador Matteus Henrique (PT) em pedido de agosto.
Quem faz o apoio e quanto recebe?
Na mesma resposta, a SME descreve duas formas de contratação. O Agente de Apoio Educacional entra por processo seletivo simplificado, trabalha 40 horas por semana e recebe R$ 2.465,69 por mês. O Profissional de Apoio à Criança de Inclusão é "estagiário acadêmico do curso de Pedagogia", contratado pelo Instituto Municipal de Administração Pública (Imap), sem vínculo empregatício.
O estagiário trabalha quatro ou seis horas por dia. A quatro horas diárias, a bolsa soma R$ 66,24 por dia. Num mês de 20 dias letivos, são R$ 1.324,80, segundo cálculo do Plural.
Quando perguntada sobre outros profissionais para o acompanhamento, a SME respondeu: "Atualmente não há outro profissional destinado ao acompanhamento de apoio inclusão".
Em julho, em resposta a outro pedido de Camilla Gonda, a secretaria escreveu que a legislação "não estabelece obrigatoriedade de formação docente específica" para a função e que a rede "optou pela atuação de acadêmicos/estagiários do curso de Pedagogia". Em agosto, em resposta a Matteus Henrique, informou que, de cerca de 2.000 crianças com acompanhamento individual, 1.957 eram atendidas por estagiários e cerca de 43 por profissionais concursados. A informação não combina com a resposta de outubro, segundo a qual não há outro profissional no acompanhamento.
Na mesma resposta de agosto, a SME citou o Decreto federal 12.686, de outubro de 2025, que instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. O artigo 15 exige do profissional de apoio escolar ensino médio e formação específica de, no mínimo, 180 horas. A secretaria afirmou que os estagiários "são habilitados" segundo o decreto e que a rede tem "até quatro anos para adequação". Também informou que não existe avaliação técnica do modelo com o Conselho Regional de Psicologia ou outro órgão.
Entre fevereiro de 2017 e maio de 2026, o programa Direito Inclusivo Assegurado contratou 11.338 estagiários, segundo resposta da SME ao vereador Angelo Vanhoni (PT). É 4,4 vezes o número de profissionais em atividade hoje.
Quanto cresceu o número de profissionais de apoio?
Em dezembro de 2024, a rede tinha cerca de 1.500 profissionais de apoio, segundo resposta da SME à vereadora Laís Leão (PDT), em março. O ano de 2025 terminou com 2.150. Em março de 2026 eram 2.406; em maio, 2.460; em setembro, 2.582. O aumento desde dezembro de 2024 é de cerca de 72%, segundo cálculo do Plural sobre a base aproximada informada pela secretaria.
Com os números de setembro, a rede tem 1,33 estudante com indicação de apoio para cada profissional. O apoio pode ser individual ou compartilhado entre alunos da mesma turma. A SME diz que não há regra fixa e que a definição depende "da funcionalidade da criança".
| Núcleo Regional | Profissionais de apoio, fim de 2025 | Setembro de 2026 | Variação | Protocolos à espera |
|---|---|---|---|---|
| Bairro Novo | 195 | 255 | +31% | 15 |
| Boqueirão | 209 | 255 | +22% | 16 |
| Boa Vista | 262 | 348 | +33% | 13 |
| CIC | 350 | 392 | +12% | 28 |
| Cajuru | 276 | 349 | +26% | 15 |
| Matriz | 100 | 105 | +5% | 5 |
| Pinheirinho | 204 | 241 | +18% | 10 |
| Portão | 188 | 213 | +13% | 8 |
| Santa Felicidade | 161 | 175 | +9% | 11 |
| Tatuquara | 205 | 249 | +21% | 16 |
| Total | 2.150 | 2.582 | +20% | 137 |
Fonte: SME, resposta ao pedido de informação 062.01552.2026. Variação calculada pelo Plural.
Quantos estudantes esperam pelo profissional de apoio?
A SME informa que 3.443 estudantes têm indicação de apoio e que 3.443 estão acompanhados. Na pergunta seguinte, diz que "aproximadamente 150" estudantes com indicação reconhecida ainda aguardam o profissional.
Segundo a secretaria, os que esperam são os classificados como de "média e baixa prioridade". O protocolo da Educação Infantil, enviado pela SME em julho, dá pontos a cada estudante: de 23 a 33 é prioridade alta, de 11 a 22 é média e de 1 a 11 é baixa. A escala do protocolo do Ensino Fundamental não aparece nas respostas. "Não há espera de protocolo de alta prioridade", escreveu a SME.
Há hoje 137 protocolos de média e baixa prioridade aguardando a abertura de vaga, o maior número na CIC, com 28. A rede tem 200 vagas abertas para profissional de apoio ainda sem ninguém contratado. O prazo entre o pedido e o início do acompanhamento é de "15 a 30 dias aproximadamente", segundo a secretaria.
Enquanto o profissional não chega, a escola "organiza-se para que a criança não permaneça desassistida", diz a resposta, porque a frequência do aluno "não pode ser condicionada à presença do profissional de apoio".
Como está o atendimento no Tatuquara?
O pedido de Camilla Gonda detalhou a situação no Núcleo Regional do Tatuquara. A regional tem 980 estudantes da educação especial, 257 deles com indicação de profissional de apoio, 26% do total. Atuam ali 132 profissionais de apoio de manhã e 125 à tarde. Cerca de 16 estudantes aguardam.
Toda a demanda de inclusão do núcleo é acompanhada por uma única pedagoga de referência, com suporte do Núcleo Regional da Educação, da Gerência de Inclusão e da Coordenadoria de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado (CIAEE). A SME "reconhece a necessidade de ampliação desse quantitativo", mas afirma que não é possível "indicar uma data precisa" para reforçar a equipe.
O que a Prefeitura prevê para 2027?
O estudo sobre a ampliação é feito pelas superintendências de Gestão Educacional e Executiva e pela Coordenadoria de Inclusão. Considera uma demanda atual de 2.600 profissionais de apoio e um quantitativo adicional estimado em 400. Inclui os estudantes em tempo integral, que precisam de apoio de manhã e à tarde.
As fontes de dinheiro em análise são o Fundeb e outros impostos vinculados à educação básica. A SME não enviou cópia do estudo, porque ele "ainda se encontra em fase de levantamento de informações e elaboração documental". A previsão é de nova contratação a partir do ano letivo de 2027.
Perguntas rápidas
Quantos profissionais de apoio a rede municipal de Curitiba tem?
Em setembro de 2026, 2.582, segundo a Secretaria Municipal da Educação. Pelas respostas da secretaria, a função é exercida por estudantes de Pedagogia contratados como estagiários.
Quantos estudantes têm indicação de profissional de apoio?
3.443, de um público de 8.718 crianças e estudantes da educação especial na rede municipal de Curitiba.
Quanto recebe o estagiário que atua como profissional de apoio?
Bolsa de R$ 16,56 por hora, por quatro ou seis horas diárias. A quatro horas por dia, são R$ 1.324,80 num mês de 20 dias letivos, segundo cálculo do Plural.
Quantos estudantes esperam pelo profissional de apoio?
Segundo a Secretaria Municipal da Educação, "aproximadamente 150", todos classificados como de média e baixa prioridade. Há 137 protocolos aguardando a abertura de vaga.
Quando a Prefeitura vai contratar mais profissionais de apoio?
A secretaria calcula que precisa de mais 400 e prevê nova contratação a partir do ano letivo de 2027. O estudo sobre a ampliação ainda está em elaboração.
Fonte: respostas da Secretaria Municipal da Educação aos pedidos de informação 062.01552.2026, 062.01499.2026, 062.01228.2026, 062.00399.2026, 062.00744.2026 e 062.00665.2026, no sistema de proposições da Câmara Municipal de Curitiba. Última atualização: 26 de outubro de 2026.