A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre crimes contra a ordem econômica e estelionato em 50 postos de combustíveis em Curitiba e região metropolitana. O inquérito é um desdobramento da Operação Tank, deflagrada em 28 de agosto de 2025, com enfoque nas fraudes e na identificação dos responsáveis pela rede de postos sob controle de organização criminosa.
A operação contou com indiciamento de oito pessoas envolvidas no esquema, sob a alcunha de “Diretoria”. As perícias realizadas identificaram duas principais práticas lesivas: adulteração de combustíveis e alteração de volumes de abastecimento. As análises da adulteração indicaram a mistura de etanol na gasolina comum, chegando a produtos com 79% do primeiro. O limite legal é de 27%.
Além da manipulação, danosa aos veículos, a organização criminosa utiliza o chamado "sistema flex", um dispositivo eletrônico que permitia a manipulação a distância dos volumes de combustível via aplicativo de celular. Os exames periciais constataram que as bombas entregavam volumes significativamente menores do que o registrado no visor, com diferenças que chegaram a -8,3%, muito acima do permitido, segundo a PF.
A investigação apontou que a fraude nos postos era o "motor" de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado. Os lucros obtidos com o engano do consumidor eram reaplicados em uma estrutura financeira que movimentou bilhões de reais, utilizando empresas de fachada e "laranjas" profissionais para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Acredita-se que foram movimentados mais de R$ 20 bilhões em transações bancárias, com o desvio de cerca de R$ 4 bilhões em tributos federais. As penas somadas podem chegar a 40 anos de reclusão para cada integrante do grupo.
Operação Tank
Os trabalhos iniciaram em 2023, quando um ex-condenado por tráfico internacional teve as receitas interceptadas em Pinhais. Sem lastro fiscal, o montante somava R$ 34 milhões em imóveis, veículos e artigos de luxo.
As investigações localizaram a associação do investigado a membros de uma empresa de produtos químicos, em uma distribuidora de petróleo, com sede administrativa na mesma cidade. As empresas eram utilizadas para a mistura ilegal dos combustíveis.
Participaram da investigação ao menos 14 analistas-fiscais e analistas tributários da Receita Federal, ao lado de 170 policiais federais.
Com informações da Polícia Federal