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Tarifa zero em Curitiba no dia da eleição irá custar R$ 2 mi

Sem catraca no dia 4 de outubro, a Prefeitura remunera as empresas de ônibus pelo custo previsto de um sábado inteiro de operação — cerca de R$ 2 milhões, pelos parâmetros publicados pela própria URBS.

Tarifa zero em Curitiba no dia da eleição irá custar R$ 2 mi

O decreto que garante catraca liberada em Curitiba no dia 4 de outubro diz quem paga a conta. Sem passageiro pagando, a Prefeitura remunera as empresas de ônibus pelo custo previsto de um sábado inteiro de operação — cerca de R$ 2 milhões, pelos próprios parâmetros publicados pela URBS. É quase cinco vezes o que o município desembolsaria num domingo comum.

O Decreto 1598, assinado pelo prefeito Eduardo Pimentel e pelo presidente da URBS, Ogeny Pedro Maia Neto, foi publicado no Diário Oficial do Município nesta quarta-feira (30), quatro dias antes do primeiro turno.

O artigo 1º garante "acesso gratuito ao Sistema de Transporte Coletivo de passageiros de Curitiba no dia 4 de outubro de 2026". O artigo 2º manda a URBS operar com "programação operacional do transporte coletivo de passageiros com serviço equivalente à programação de sábado".

E o artigo 4º define a conta: "a remuneração das concessionárias pelos serviços prestados na data de 4 de outubro de 2026 será efetuada pela previsão do custo efetivo compatível com a operação de sábado".

Ou seja: no domingo de eleição não há bilhetagem, e as empresas recebem do município o valor previsto para um sábado de serviço.

O levantamento é do Plural, a partir da base de dados própria com o texto integral do Diário Oficial desde janeiro de 2024, dos demonstrativos mensais da tarifa técnica da URBS e dos saldos orçamentários publicados pela Prefeitura.

Quanto custa um dia sem catraca

A URBS publica, todo mês, o demonstrativo que fixa a tarifa técnica — o valor que as concessionárias recebem por passageiro equivalente. O documento traz a previsão detalhada por tipo de dia. O mais recente é o de agosto de 2026, aprovado pela Resolução DIR/026/2026 e publicado no Diário Oficial de 27 de agosto. A tarifa técnica de setembro e a de outubro ainda não saíram.

São estes os parâmetros de agosto:

ParâmetroDia útilSábadoDomingo
Passageiros equivalentes445.425203.821109.819
Quilometragem270.318 km166.641 km133.041 km
Horas de pessoal22.266h3615.688h2013.440h45

A tarifa técnica de agosto ficou em R$ 9,6302 por passageiro equivalente, contra uma tarifa de R$ 6,00 paga pelo usuário — diferença de R$ 3,6302, que é o subsídio municipal por passageiro.

Aplicando a tarifa técnica à previsão de sábado, um dia de operação de sábado é remunerado em R$ 1,96 milhão. Como não haverá arrecadação de tarifa, esse valor sai integralmente do caixa público.

Num domingo comum, a conta do município é outra: as empresas recebem R$ 1,06 milhão pelos 109.819 passageiros equivalentes, dos quais R$ 658,9 mil vêm da tarifa paga pelos passageiros e apenas R$ 398,7 mil do subsídio municipal.

A diferença entre um domingo comum e o domingo de eleição, portanto, é de cerca de R$ 1,56 milhão — o que a Prefeitura paga a mais para que ninguém pague passagem e para que a cidade rode com frota de sábado, 25% mais quilômetros do que num domingo.

Dividido pelos 1.411.068 eleitores de Curitiba (perfil do eleitorado do TSE, posição de 1º de setembro), dá R$ 1,39 por eleitor.

Nota metodológica: os valores acima são cálculo da Plural sobre os parâmetros publicados pela própria URBS para agosto de 2026 — os mais recentes disponíveis. O decreto não informa o valor, e a fórmula exata de "custo efetivo" não é detalhada no ato. Medido pelo custo por quilômetro do mesmo demonstrativo (R$ 14,6636), um sábado de operação sai por R$ 2,44 milhões.

O artigo 3º tira da gratuidade a Linha Turismo e as linhas madrugueiras, que continuam cobrando tarifa nos valores do Decreto 306/2023.

A exclusão das madrugueiras é novidade. Nos dois decretos de gratuidade eleitoral de 2024 — o 1497, de 25 de setembro, para o primeiro turno, e o 1588, de 15 de outubro, para o segundo —, assinados por Rafael Greca, a única exceção era a Linha Turismo. As madrugueiras são as linhas que rodam de madrugada, no intervalo em que a operação normal está parada: quem sair de casa nesse horário no domingo de eleição paga.

No mais, o texto de 2026 é praticamente idêntico ao de 2024, incluindo a redação do artigo 4º sobre a remuneração pelo custo de sábado.

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Rosiane Correia de Freitas

Rosiane Correia de Freitas

Jornalista, mestre em educação e fundadora do Plural

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