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Luyara Santos, filha de Marielle Franco, destaca importância de eleger mulheres negras durante evento em Curitiba

Lançamento do livro “Rosas da Resistência”, do qual uma das autoras é a líder comunitária Andreia Lima, aconteceu na última semana na capital paranaense

Luyara Santos, filha de Marielle Franco, destaca importância de eleger mulheres negras durante evento em Curitiba
As participantes lembraram das próprias trajetórias e chamaram atenção para que partidos construam candidaturas viáveis de pessoas negras | Foto: Aline Reis/Plural.

Na última semana foi lançado o livro “Rosas da Resistência”, do Instituto Marielle Franco e da Fundação Rosa Luxemburgo, em Curitiba. A obra reúne textos de dez mulheres negras que concorreram às últimas eleições e que, mesmo não tendo sido eleitas, galgaram espaços importantes na liderança em suas áreas. Uma das autoras é a líder comunitária do bairro Parolin, Andreia Lima.

Durante o lançamento do livro, além de Andreia Lima, que é pré-candidata a deputada estadual, também compuseram a mesa Juliana Mildenberger, também pré-candidata e coordenadora-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (Sismuc) e Tia Celina, que pleiteia uma vaga na chapa ao Senado do Partido dos Trabalhadores (PT), que será encabeçada por Gleisi Hoffamann.

Completou a mesa Luyara Santos, filha de Marielle Franco, e diretora-executiva do Instituto.

As participantes lembraram das próprias trajetórias e chamaram atenção para que partidos construam candidaturas viáveis de pessoas negras – especialmente mulheres.

Resistência

O livro traz histórias das trajetórias de mulheres que concorreram às eleições e suas percepções sobre o processo, mas, para além disso, também é um escrito que pretende inspirar outras mulheres pretas a se candidatarem e ocuparem espaços de poder, perpetuando o legado deixado por Marielle Franco, vereadora eleita pelo PSOL, no Rio, e vítima de violência política por sua atuação.

Apesar das histórias de pessoas não eleitas, o escrito não traz histórias de derrota. “Eu acho que nós, mulheres negras, mulheres periféricas, mulheres faveladas, isso não é uma derrota. A gente está inclusive se colocando nosso corpo para lugares que historicamente foram negados para gente é uma vitória pra gente”, destacou Luyara Santos.

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Ela também salientou o papel dos movimentos negros, da esquerda, e das mulheres negras na defesa da democracia, sobretudo na última década. “Eu acho que se a gente pensar os últimos 10 anos da nossa democracia, quantos mulheres que vão se colocando a todo momento e vão desistindo. Porque é uma luta difícil, é um jogo sujo, é um lugar onde eles não, por mais que a gente seja braba e peite todo mundo, eles não querem a gente [mulheres negras]. Eles não querem porque sabem que quando a gente chega, a gente chega chegando, bota pra quebrar e faz o trabalho que precisa fazer e que eles deveriam estar fazendo, reconhecendo e fortalecendo a democracia, né?”

Esta foi a primeira vez que Luyara Santos esteve em Curitiba. Ela lembrou que embora a cidade e o Estado tenham sejam um reduto do campo da direita no Brasil, também há um resistente movimento progressista.

“Acho que, falando dos homens negros, o Renato Freitas (PT) estava aqui presente. Então é isso: a gente produz muita coisa e Curitiba também, por mais que seja uma cidade que tenha a sua extrema direita bastante avançada e bastante organizada, eu acho que o livro e pessoas como a Andreia, como o Renato, como Tia Celina e a Juliana fortalecem e mostram também que a gente também está organizado que nem eles, e que gente também vai chegar e ocupar o lugar que nos é de direito”.

Para quem desejar, o livro está disponível para download no site (clique aqui).

 

 

Aline Reis

Aline Reis

Jornalista e especialista em Gestão da Comunicação, Assessoria e Marketing pela Universidade Positivo (UP). Mestra em Estudos de Linguagens pela UTFPR. Presidenta do Sindicato de Jornalistas Profissionais do Paraná.

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