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Paranaense Raíssa Fayet resgata ancestralidade em 'Raízes', álbum que mistura ativismo e sons alternativos

Faixa gravada em Morretes foi premiada internacionalmente

Paranaense Raíssa Fayet resgata ancestralidade em 'Raízes', álbum que mistura ativismo e sons alternativos

O Paraná ganha destaque na cena musical independente com Raízes, segundo álbum da cantora Raíssa Fayet, lançado em dezembro de 2025. Após (2017), o disco reúne 15 faixas inéditas que exploram as raízes genéticas diversas da artista, incorporando elementos como cantos indígenas do povo Krahô e ritmos diaspóricos africanos. A produção ficou por conta de Dú Gomide e Matê Magnabosco, com participações de nomes como Francisco El Hombre, Renata Rosa e a compositora trans baiana Coral.

Raíssa, que além de cantora atua como ativista socioambiental e comunicadora, mergulhou em uma pesquisa pessoal sobre sua linhagem familiar. Essa jornada inspira faixas como "Pindorama", que cita a liderança indígena Célia Xakriabá com a frase "Antes do Brasil da coroa, existe o Brasil do cocar", e "Floresta", cujo clipe filmado no Ekoa Park, no Paraná, ganhou prêmio de Melhor Clipe no festival MATE, em Portugal, e inclui interpretação em Libras.”O álbum conta sobre a nossa caminhada pela Terra, e a pegada que estamos deixando nela, o quão responsáveis somos, como nossas escolhas afetam nossa vida hoje”, destaca. 

O nome do álbum, além da questão identitária, passa por um jogo de palavras com o próprio nome: “Minha mãe é astróloga, e falta terra no meu mapa [astral], aí Raízes.” Formada em Produção Musical durante a pandemia, experimentou muitos lugares na música e revela que a produção é um divisor de maturidade artística e musical, mas também de independência. “Esse álbum traz esse marco de direção, produção, arranjo. Todos os detalhes do disco eu estava atenta e participando de todas as decisões”, ressalta. 

O som alternativo se revela nas experimentações: pífanos (espécie de flauta popular no Nordeste) pernambucanos em "Raiz", rabeca em "Boca de Fogo", qanun sírio (harpa oriental) em "Vá se Mande" e crioulo cabo-verdiano em "Me Enfeita", com Janine Mathias e Nancy Vieira. Para a cantora, a música latino indígena afro diaspórica como um todo é sua principal referência. 

A cantora tem raízes fortes no Paraná — infância na Ilha do Mel, laços em Lapa e Guarapuava, além de uma tataravó pianista de cinema mudo. Planeja agora levar o repertório do disco para o palco, com foco em uma turnê pelo Brasil e exterior. “Fazer colaborações com outros artistas, e seguir lançando coisas. Mais alguns lançamentos para esse ano”, almeja. Raízes está disponível em plataformas digitais. 

Marya Marcondes

Marya Marcondes

Estagiária do Jornal Plural. Estudante de Jornalismo da UFPR. Palmeirense e colecionadora de hobbies.

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