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Exposição no Calil Haddad revela a arte e a história resgatadas da terra por Mario Kimura

Celebrando 90 anos, o agricultor e artista autodidata Mario Kimura ganha exposição em Maringá reunindo esculturas criadas em raízes de madeira e peças arqueológicas milenares encontradas durante o trabalho no campo. Entrada gratuita.

Exposição no Calil Haddad revela a arte e a história resgatadas da terra por Mario Kimura
Agricultor e artista autodidata Mario Kimura. Foto: Acervo Pessoal

Quando a histórica geada de 1975 devastou os cafezais do Norte do Paraná, a paisagem rural de Maringá mudou para sempre. Para que a terra pudesse acolher novas culturas, como a soja e o milho, o solo precisou ser limpo e revolvido até o fundo. Foi exatamente nesse ponto de ruptura que a vida do agricultor Mario Kimura tomou um rumo inesperado. Ao arrancar as antigas raízes de árvores nativas para preparar o solo, ele enxergou nelas algo além de resíduos agrícolas: viu arte, formas ocultas e história.

Autodidata e inspirado no trabalho de marcenaria de um tio, Kimura passou a recolher essas matérias-primas rústicas e a esculpi-las, preservando os contornos que a própria natureza já havia desenhado. Mas a terra guardava ainda mais segredos. À medida que o arado cortava o solo, começaram a emergir vestígios de civilizações muito mais antigas — achados arqueológicos de grupos caçadores-coletores que habitaram a região há mais de 6 mil anos, além de artefatos da tradição ancestral Kaingang.

Toda essa jornada de escavação, criação e preservação ganha espaço na exposição “Raízes”, promovida em celebração aos 90 anos do artista. A mostra reúne de forma inédita tanto as esculturas produzidas por Kimura ao longo das últimas décadas quanto o valioso acervo de peças arqueológicas resgatadas por ele no trabalho diário no campo.

Nascido em São Paulo e criado no Paraná desde a infância, a trajetória da família Kimura confunde-se com a própria formação do município. A propriedade adquirida no final da década de 1940 no distrito de Floriano deu origem, anos mais tarde, ao Memorial Kimura, espaço cultural que guarda relíquias da imigração japonesa, itens cotidianos da era do café e fragmentos históricos do Paraná pré-colonial.

Agora, esse acervo e a sensibilidade do agricultor-artista chegam ao público da cidade. Mais do que uma exibição de peças raras ou entalhes em madeira, a exposição é um retrato de como a lida com o solo pode transformar destruição em memória e trabalho em preservação histórica.

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Thaís Almeida

Thaís Almeida

Sou jornalista e redatora, com experiência em diferentes frentes da comunicação: colunas de notícias, reportagem de rua e produção e apresentação de programas ao vivo. Minha atuação se concentra em temas como política e questões raciais.

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Assuntos: maringa cultura

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